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Organizadora de Ideias. Coach. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

12.11.14

Recolhendo as velas

2014 foi um bom ano.
Colheita. Consolidação. Autoconhecimento.
O Viver Mais Simples amadurece.
Escolhi a trilha do meu coração e ela me escolheu.
Caminho.

2014 foi um ano duro.
Perdi duas pessoas queridas.
Lidei dentro e fora com a doença, a morte e a saudade.
Enfrentei medos.
Acolhi medos.

Falta um tanto de estrada, alguém dirá.
É verdade.
Há passos a dar.

Mas já sinto um pedido de descanso do corpo.
Um ritmo mais lento.
É tempo de recolher as velas.

Usar os dias que restam para arrumar a casa, preparo para a pausa.
Esta é uma sabedoria nova.
Saber parar antes de ser parada.

Tudo é pulso de fechamento.
Fechamento e celebração.

2014 foi (e está sendo) um ano memorável.
Aprendi muito e percebo o tanto que aprendi sobre aprender.
É lento e rápido, bom e um pouco doído.
Mas sobretudo, é a melhor forma de viver.

9.11.14

Pássaro além da gaiola

Em fase final, a curadoria que virará o livro "Poemas de Uma Vida Inteira (Parte I), compilando a produção de poesias dos cinco aos quarenta e um anos...
Garimpei esta pérola de um tempo onde eu não vivia mais simples. 
E grata, percebo que contradisse minha autoprofecia e libertei-me da gaiola...



Se este aperto no peito
Fosse poesia contida
Reprimida pela rotina
Por ter me tornado adulta...

Se pudesse libertar do meu peito
Toda essa angústia
Escrevendo

Ilusão minha
Este aperto no peito
É minha natureza

Sempre querendo mais
Pedindo mais
Mesmo o que não posso...

Talvez por ouvir simplicidade
Onde tudo é tão complexo
Ou por eternamente me dividir
Entre o que sonho e o que devo

Se chorar e escrever
Substituíssem a urgência
Que tenho todas as horas
De ser um pássaro além da gaiola

No entanto, não o sou
E este aperto no peito
Não cessa.


12/04/98

6.11.14

Isto e Aquilo

Uma pausa maior aqui no blog para dar espaço no coração.
Uma grande amiga se foi.

Uma tristeza funda mora neste momento em meu peito,

Mas ela tem vizinhos.

Também estou alegre.
Tudo bem com o casamento, os filhos, os pais.
Um novo espaço de trabalho, de onde vejo o mar.
Da nova janela vejo o horizonte e me lembro das aventuras por vir.

Também sinto medo.
Medo de não saber cuidar-me e morrer mais jovem do que pretendo.
Medo de não aprender com minha amiga, cuidadora como eu, mas, às vezes, descuidada. Como eu.

Também sinto coragem.
Pois já caminhei muita estrada e os frutos estão vindo.
Porque  ao ajudar a coragem dos outros, desperto a minha.
Por que meu coração é um músculo e venho exercitando agir com ele.

Também sinto raiva.
De nada poder ser feito face a Morte.
Do sofrimento da mãe da amiga, de seu irmão, seus  amigos, meus amigos.
Raiva-impotência-onipotência.

Também sinto gratidão.
Gratidão por ter conhecido minha amiga. Gratidão por tudo que aprendi com ela.
Gratidão por esta viva, prosperando, caminhando.
Gratidão que se renova nas preces noturnas, com os filhos.

Também sinto paz.
Paz de que tudo foi do jeito que havia de ser.
Que há um propósito maior para o que acontece.
Que não é o fim.

Sinto tudo isso, ao mesmo tempo e agora.
Tristeza E Alegria E Medo E Coragem E Raiva e Gratidão e Paz
Mas sobretudo sinto.
Muito.