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Empreendedora. Organizadora de Ideias. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

1.10.14

Perdão que liberta

"O perdão não liberta o outro. Liberta a gente".
Li isso em algum lugar aleatório, como o facebook. Mas me identifiquei profundamente.
Perdoar é ato de cura pessoal.
Seu oposto, o ressentimento, azeda o pensar e o sentir.
Fácil dizer, difícil praticar.

Então vamos tentando caminhos.

Algo que me ajuda é empatizar com o outro.
Entender que cada um tem uma história, uma bagagem. E que este caminho trilhado forma pessoas com recursos variados. Alguns tem mais para dar. Outros menos.
E também varia muito o que se tem para dar.

Alguns sofrem mais, magoam-se mais. Outros parecem ter coração de pedra.
Mas ninguém tem coração de pedra.

Cada um carregando suas cicatrizes,às vezes pisamos nos pés uns dos outros.
Pois é. Dói.

Então, quando possível, podemos buscar uma reparação. Um pedido de desculpas bem intencionado. Um abraço apertado.  Todas as moedas, inclusive dinheiro.

Nem sempre, no entanto, é possível.

Quem ofendeu pode não sentir-se ofendendo. Ou pode estar dolorido também.
Quem machucou já partiu.
Ou nunca esteve presente.

Por isso é tão bom pensar que o perdão pode ser unilateral.  Sem esperar nada em troca.
Eu te perdoo. Agora vou seguir em frente.

É difícil.
Nem sempre consigo.
Mas quando deu, foi isso que aprendi:

1) Que vestir o sapato do outro ajuda a perdoar.
2) Que saber-se grande e forte ajuda a perdoar.
3) Que ser grato, ajuda a perdoar.
4) Que acreditar em Deus ou algo parecido, ajuda a perdoar.
5) Que ouvir outras visões sobre o que  doeu, ajuda a perdoar

Em resumo: olhar para dentro, pedir ajuda, acreditar em uma força maior.
E quando tudo falhar, saber-se ressentido e ficar atento.
Para que a falta de perdão não nos aprisione.

Sigo, com a esperança de perdoar tudo que falta.
E sobretudo, perdoar-me.
Para ser livre e libertar, bem maior nesta vida.

28.9.14

A pedra necessária

Vez ou outra, uma pedra surge no caminho.
Não encontro descanso até descobrir como retirá-la, eliminá-la.
A questão, a grande questão, é quando esta pedra precisa ficar onde está.
Ou quando simplesmente, não tenho força para movê-la.


Lidar com esta frustração pode ser bem difícil.

Com relutância, venho aprendendo que há pedras que existem por um bom motivo. São imutáveis, sólidas, enraizadas no chão.
Muitas vezes, iludi-me de que as havia removido.  Ledo engano.
Ficaram momentaneamente invisíveis, pela força de meu  poder de fantasiar em torno delas.
Pisco o olho e voilá. A pedra de novo.

Estas pedras tem um sentido, como tudo que é espinho na vida.
São mestres de humildade e aceitação.
Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das outras.
Assim, venho aprendido.
Há pedras para nos ensinar nosso limite. Logo eu, que preciso tanto de fronteira.
Suspiro, resignada.
Será preciso contorná-la, escalá-la, ignorá-la talvez.
Esta pedra veio para ficar.
E eu vim para o movimento.

24.9.14

Primavera por dentro

Caminho distraída, ouvindo uma música.
Presto atenção. A música vem de dentro.
Surpresa, percebo quanto tempo faz que o coração não cantarolava.
"Here comes the sun".
Tudo parece solar.
Dou-me conta de que o céu está azul, que o ar anda mais limpo.
Lembro-me de respirar mais vezes.
Encontro paciência, mesmo no final do dia.
Pego-me dando uma risada fora de hora.
É tudo inesperado.
E tão esperado.

Sinto minhas flores-oceano acendendo-se.
Ansiava por este vento fresco.
Sonhava com este momento.

Emocionada, conecto-me com esta alegria tão minha.
Tive saudades.
Vivi invernos.
Não hoje.
Hoje é primavera dentro.
Agradeço e vou rolar na grama.