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Empreendedora. Organizadora de Ideias. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

21.9.14

Despertar desapertos

Uma leitora amiga se aflige com o tom de alguns de meus textos.
Sim, andei meio apertada.
Ela é muito sábia e me pede (oferece?) um exercício de leveza.

Pois bem, amiga: o momento é propício, as coisas começam a ficar mais fáceis...
Percebo-me com fome de frouxidão.  Uma necessidade de cuidar com sutileza de meu dentro, desfazer nós.



O amor antigo faz dezesseis anos. E anda renovando-se em acordos frescos e uma certa molecagem.

O trabalho frutifica, abundante.  Novos projetos, novas pessoas e novos saberes para lidar com tudo isso.

O espírito se eleva.  Aprendendo novos caminhos, com um pouco mais de humildade e fé.

As amizades aprofundam-se.  A possibilidade de partilhar sentimentos preciosos, emergindo de um lugar de muita verdade e afeto.

A relação com a família vai para um lugar de maior paz.  Aos poucos, as mágoas são perdoadas, abrindo caminho para um renovado amor.

Faço as pazes com meu corpo. Assumindo os óculos, as mechas grisalhas. Quiçá, os quilos a mais.

Faço de meu corpo um templo: completando  o check up tão adiado. Disciplinada no exercício.  Vigiando o respirar, para que não falte. Dormindo na hora certa.

Dentro de mim, uma teia de sustentação afrouxa meus medos.

A coragem de ser eu mesma, confortável em minha pele.

A doçura de sê-lo sem guerrear tanto.

A alegria redescoberta.

É o fim do deserto, do inverno, do medo da escuridão (mesmo que  por ora).

É tempo de voar.

Não tão perto do sol que derreta a cera.
Nem tão perto do mar que me afogue, penas encharcadas.

É tempo de voar numa boa medida.  Espartilho frouxo, virando asa.





17.9.14

Por uma causa maior

Ser mãe é travessia caudalosa.
A culpa quando estou menos disponível. O remorso quando a frustração e cansaço viram grito.
O cotidiano repetitivo, cheio de tarefas chatas.  O educar vinte e quatro horas para colher frutos em vinte anos.
Não tem sido exatamente fácil, mesmo com toda ajuda possível.
família marido terapias pediatra bom senso

Gustav Klimt


Tem dias que não acabam nunca.
Vou moída para o travesseiro,  sono sem sonhos.
Tem dias de sentar e chorar, como criança.
Tem dias de sentir-me toda errada.

Mas tem aqueles dias.
Aquela gargalhada de corpo inteiro.
Aquele abraço com braços curtos.
Aquela pureza que já tive e ficou tão para trás.
A declaração de amor mais funda que há.
A frase engraçada.
O desenho admirando o mundo.
O florescer.
As descobertas.
Dar um colo que é colo para mim também.

Tem dias em que tudo sussurra a mesma coisa:
é difícil, mas é pela causa maior de todas, este amor sem igual e sem beira.

E por estes dias, dou o próximo passo.

14.9.14

Portas de fechar

Desbravar caminhos é bom para mim.  Abrir a picada na mata virgem, a trilha própria que só serve aos meus pés.
Mas tenho refletido muito sobre o preço desta vida bandeirante.
Testar e aprender é meu modus operandi.  Assim ponho em ação sonhos ainda tenros e vejo para onde eles vão.
Nada errado com isso.
A questão, sempre, é a medida.
Algumas estradas dão em lugar nenhum e, às vezes, é penoso voltar até o ponto original da encruzilhada.
Outras, exigem tanto que não vale a pena insistir.
Tenho aprendido a mapear estes "nós" que tomam energia e tempo.  E sempre que possível, os desfaço com coragem.

Há um tanto que vem planejado. Novas ideias, novos eventos, novos projetos.
Outro tanto vem de improviso: convites, oportunidades.

De todo o jeito, invariavelmente me pego no turbilhão.
Mas agora sei mais que antes. Hora de parar, dizer  não, cancelar, adiar, desistir.

Dizer não é tantas vezes dizer sim.

Nem sempre é fácil.  O parceiro é querido. O projeto, interessante.
Mas persisto.
Escolher, focar, eleger o que é mais coerente com o caminho que escolhi. O que cabe na minha vida, sem esgarçar-me.

Há pedras no caminho, claro.

Enfrentar a vergonha de voltar atrás.
Desapegar-me de compromissos.

Mas, ao final, sustentar o que é mais essencial na vida pessoal e profissional vale o esforço.
Sigo atenta, consciente de que criar novidades está dentro de mim e, vez ou outra, pode sair de controle.

Novamente é tempo de reorganizar tarefas, revisar projetos. Portas de fechar, para outras abrir...