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Empreendedora. Organizadora de Ideias. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

31.8.14

O preço de andar descalça

Desde que iniciei o viver mais simples, venho escolhendo mostrar-me inteira. Praticar a vulnerabilidade, ancorada nos aprendizados da mestre Brené Brown.
Assim, dispo minha alma aqui.  Abro-me para pessoas novas por todo o lugar.  Busco ser o mais transparente, verdadeira e autêntica.

Field of Dreams, Majali


Mas há um preço.
Às vezes, me machuco ao andar tão nua, em carne viva, disponível.

Lembro-me de ao menos duas ocasiões onde ofereci minha amizade com muita força a quem mal me conhecia. Uma vez na faculdade.  Outra, a um estrangeiro recém-chegado.
Avaliando em retrospecto, devo ter parecido uma louca com segundas intenções...
Nos dois casos, não deu nada certo.

Há tempos, fui aluna pioneira do primeiro curso no Brasil de um renomada instituição.  Exagerando na transparência, despi minha alma de um jeito intenso, em plena sala de aula. Depois, morri de vergonha. Não me arrependo completamente, mas é uma cicatriz bem marcada e, quiçá, foi um dos motivos de não ser aceita como professora de lá, numa outra ocasião.

Claro, há o outro lado.
Minha capacidade de, em pouco tempo, conversar sobre temas íntimos estabelece uma conexão profunda que tornou-se amizade na maioria dos casos.

Minha disposição em ser eu  mesma me protegeu de conviver com pessoas de quem discordo em valores, afastadas pela obviedade de nossas diferenças.

E sim, portas se fecharam. Provavelmente não eram boas portas para mim e eu não era boa para elas.

De tudo, ficam duas lições.

Sinto ser vital expressar-me inteira. Neste blog, no meu trabalho, nas minhas relações pessoais.
 Mas posso ter alguns segredos. Ou, ao menos, compartilhar-me em camadas de diferentes profundidades, dependendo do interlocutor.

Preciso acolher com humildade as portas que se fecham.  Ao escolher expressar-me sem máscaras, permito ao outro não se identificar comigo, assim tão pouco pausterizada.  E haverá vezes em que não serei bem-vinda numa turma a que gostaria de pertencer.

A cada dia, descubro uma fé de que tudo é para o bem. As lições aprendidas ao não me modular.  Reconhecer uma força divina que escolhe o que é bom para mim, antes de eu perceber.

Seguirei descalça, não sei mais ser de outro jeito. Mas posso olhar por onde ando.

27.8.14

A dor e delícia de ser quem a gente é

Estes últimos dias foram de muito aprendizado e iluminação.
Naveguei mistérios e voltei mais inteira.
Saber meus limites. Conhecer a amplitude de minhas asas.
Entender os chamados, por vezes inexplicáveis.
Tudo isso me nutre e me faz humilde, perante o tanto por caminhar.
Mas sobretudo, me deixa esperançosa.
Esperança de estar vivendo meu destino.
Alegrando-me com os muitos encontros pelo caminho.
Atravessando o que é difícil com a certeza cada vez maior de que pedra é aprendizado, tropeço é parte da dança.
Vejo  muitas tristezas em mim e nos outros.
Respeito-as.
Mas teimo em tentar contorná-las, acendendo um foguinho escondido aqui e ali.
Às vezes, é cansativo.  Dar mais um passo. Insistir na lida.
Confio na centelha de cada um para dar conta disso.
Hoje é dia de viver, vamos adiante.
Ser feliz é insistir em não ser triste. Apesar de.



20.8.14

O Corpo Fala

Amanheço indisposta, as vísceras reviradas.
Enquanto cancelo compromissos, meu corpo todo vibra: "pausa".
Sinto um pouco de frio, dor de estômago e outras coisas.  Quero ficar quentinha e quietinha na cama, sob cobertas.

Reflito sobre o momento: último módulo da Formação para Coaches, repleto de fortes emoções.  Workshop de dia inteiro para uma corporação.  Dez horas filtrando sentimentos, medos. Dez horas iluminando pontos cegos.

Sem drama, recebo este pedido de auto-recolhimento. A estrada está bem caminhada, avancei muito.
Hoje, me abraço bem firme e vejo a hora passar, sem pressa.

Tantas vezes nosso corpo pede, grita ou sussurra para nós.
Fome, frio, cansaço. Fugir de um lugar, evitar tal pessoa.
Os sinais estão por toda a parte, tantas vezes silenciados por nossa mente em ebulição.

Hoje, desligo-me.
Quero ouvir bem de perto a batucada do coração.
Quero respeitar este sono preguiçoso.
Quero acolher os movimentos internos, nesta valsa sutil de fluxos.

O corpo fala, o tempo todo. Hoje, quero escutá-lo.