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Organizadora de Ideias. Coach. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

21.12.14

Cinco anos de Viver Mais Simples

Há cinco anos, eu devolvia meu crachá.
Último crachá que tive.

Há cinco anos, mergulhava num mundo inédito, selvagem.
Viver Mais Simples.
Ainda não havia praticado.
Não tinha ideia.









Ou melhor, tinha. Ideias.
Algumas contas para saber que não faltaria o pão.
Uma certeza interior de que era preciso mudar.
Alguns planos.

Naquele tempo, eu pensava abrir uma loja de roupa para gordinhas e uma consultoria de planejamento estratégico.

Sabemos que não foi bem assim.

Mas o plano de viver entre metrô, casa, escola e trabalho foi cumprido.
Alargou-se, como tudo.
Mas foi cumprido.

Lá, não tinha nova profissão, CNPJ, clientes.
A reputação era outra. Especialista em Pesquisa.
Hoje, tenho tudo novinho. Um renascimento.
Só que como tantos acreditam, trouxe a experiência da vida pregressa.

Olhando para o chão destes cinco anos, é quase inacreditável.
Separei-me, recasei-me.
Encontrei um novo trabalho, só meu.
Tenho empresa, sala nova e clientes incríveis.
Minha filha sabe ler e escrever.
Meu filho tem a chave de casa.

A essência segue lá, as poesias antigas comprovam.
Mas tudo mais transformou-se.

A vida ficou mais simples?
Em alguns aspectos sim. Em outros, nem tanto.

Sou mais feliz?
Esta é mais fácil de responder:
Sem dúvida.

17.12.14

Preto com Branco

O ano está terminando.
Aqui começa o balanço.

Foi bom.
Tanto conquistei, recebi, compartilhei.
Foi difícil.
Tanto perdi, tanto enfrentei.
Encontrado em autumnskymning.tumblr.com

Estou atenta a este paradoxo. Não é de hoje que o percebi.
A vida não é linha, é laço.
Tantas paralelas que não esperam o infinito.

Às vezes, anseio por certezas.
Tolinha.
Não há certeza além da morte (e mesmo aí, há controvérsia).

Aposto no preto com branco, então.
Misturas, convívio, surpresa.
O que sairá deste emaranhado? Prata, cinza, branco sujo?

Não sei. Nunca sei.
Tudo bem.
Olhando para trás, tudo bem.
Olhando para a frente, ainda melhor.

Sei que não vivi todas as maravilhas que hei de viver.
Tampouco as dores.

Com esta sobriedade, encerro o ano, continuo a vida.
Perdas monumentais. Ganhos extraordinários.

Não estou exultante ou eufórica.
Mas também não estou desanimada ou sombria.

Sigo otimista, coração cheio de esperanças.
Busco ser mais humilde. Eu não escrevo sozinha esta história.

Sobretudo, gratidão.
Gratidão pela flor. Gratidão pela pedra.
2014 foi ano de aprendizado.
Saio mais forte, aguerrida
(que no meu vocabulário, é ser agarrada com a vida).
Saio mais sábia, espero.
Sou oceano,
mas preciso viver de piscina em piscina para dar conta de mim mesma.

E assim, começa oficialmente a temporada de colheita no Viver Mais Simples.


14.12.14

É preciso uma aldeia para criar uma criança

Nesta última sexta-feira, foi a Formatura de minha caçula, na Educação Infantil.
Neste tempo de balanços, foi emocionante repassar  estes últimos quatro anos.
Escrevi um texto que transcrevo editado, onde resumi as emoções e a gratidão por esta jornada.
Desejo que seja um convite a mais e mais pessoas queridas se juntarem a esta aldeia preciosa onde criamos nossas crianças:

"É preciso uma aldeia para educar uma criança, dizem os sábios na África.
É  verdade.
Educar um filho é uma tarefa gigante.
Medo gigante. Incerteza gigante. Mas, sobretudo, Amor gigante.
Estrada que escolhemos, sem saber o que nos esperava:
Alergia alimentar, demandas  crescentes no trabalho, um novo filho, separação,  morte.  Desafios de vários nomes e tamanhos.
Como teria sido trilhar por entre tantas pedras sem nossa comunidade?
Como poderíamos atravessar as turbulências de ser mãe e pai sem o auxílio precioso de todos que nos acompanharam?
Ainda bem, nunca saberemos.
Soubemos cultivar com amor nossa aldeia.
Apoiados na ciência da pedagogia libertadora e criativa.
Amparados no carinho e dedicação sem fim do corpo de diretoras, professores, auxiliares, funcionários.
Interligados numa rede de pais e mães amigos que consolam quem se machucou longe do olhar atento da mamãe.   Dão colo emprestado, quando o trânsito não colabora. Riem junto das trapalhadas inevitáveis.
Emocionando-se juntos com cada novo passo, cada florescimento.
Confortados pela  boa sombra da sabedoria de nossos pais, avós, tios e mestres.
Cercados de música, movimento e criatividade, sempre pulsantes nos eventos de fim de ano.
Rodopiando mundos, através da vassoura da Bruxa Onilda.
Embalados pelos gritos de alegria no pátio, ao som de um berimbau.
Pintando o sete e tantas outras letras e números.
Navegando num Yellow Submarine.
Cozinhando, dançando, desenhando com nossos artistas mirins na arte de viver.
Que linda jornada fizemos, durante estes anos todos.
Como agradecer o suficiente tudo que nos foi ofertado aqui?
Impossível.
Foi tanto e sempre, não haveria tempo. É preciso uma vida inteira.
Que bom, temos uma vida inteira.
Abrigamos nossa taba durante anos neste chão.
Em fevereiro do ano que vem,  será tempo de  migrarmos nossa tribo.
Mas nossos espíritos... Nossos espíritos estarão  entrelaçados para sempre nesta teia de gratidão, amizade e vida compartilhada.
Como diz o Pequeno Príncipe: “Você é responsável por aquilo que cativa”.
Estaremos sempre juntos nas memórias tão felizes. E também na vida presente das festas, dos encontros, das formaturas de novos Florescentes, irmãos caçulas e primos de nossos jovens heróis formandos.
Jamais estaremos longe, pois fizemos morada no coração um dos outros.
Hoje somos uma aldeia. 
E é preciso uma aldeia para educar uma criança."