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Empreendedora. Consultora em Organização de Ideias. Escritora. Profissional com 15 anos de experiência em grandes corporações.

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19.5.13

Sempre eu, nunca igual

Desde sempre fui movimentos.
Ávida por novidades, curiosa por gente e histórias.
Conversas, paisagens, enredos sugeridos. Tudo me cativa, atrai meu olhar.
Estou sempre em busca de uma nova porta. Vida-caleidoscópio.
Contudo, esta natureza cobra seus preços.  Este meu amor por imprevistos e mudança irrompe de um profundo dentro. É parte de minha essência mais primal. Sou um vendaval de humores.
Amanheço mansa, anoiteço farpa.
James Nares ~ In Three Words, 2012
Mal percebo e minha lua mudou. Já é tempestade, terremoto. Relampejo, furiosa.
Não creio na estereotipia de que é da mulher ter tais veleidades.
De fato, suspeito ser algo mais visceral.  Talvez corra lava em minhas veias. Esta fome de incerteza e transição incandescente me constitui, célula por célula.
Poesia à parte, quando vêm trovões, sou varrida por ondas de mau humor ou intolerância e sempre me arrependo.
Percebo-me arisca, dura, imprópria para consumo humano.
Tento (nem sempre consigo), minimizar os estragos, dando alguns passos para trás.
É difícil.
Conheço um pouco mais de mim e já aprendi quando fico mais propícia a virar tormento.
Fatores habituais de risco são o tédio, a rotina ou mesmo um pacato final de domingo, quando estou mais desprevenida.
Hoje foi assim. O dia passou rápido e sem surpresas, e quando vi, já era quase noite.
E não é quase nunca assim, mas hoje veio com um certo vazio. Cresci espinhos.
Sinto muito.
Sinto mesmo.
Gostaria de ser um pouco mais calma, um pouco mais lenta, mas dentro de mim vivem estas paixões, esta vontade de aventura.
Penso que na vida é preciso sustentar o pulso, navegar com ritmo.  Só entre montanha-russas, eu engasgaria em adrenalina.
Minha cabeça sabe que é preciso um pouco de paz para sustentar equilíbrio.
Mas meu coração, ah, meu coração...



17.5.13

A voz de todos nós

Sim, ando mais econômica na escrita.
Até hoje, quando fui chamada á realidade de que tenho escrito pouco por aqui e isto faz falta.
Faz falta a mim. Faz falta a outros.
Meu texto é minha vida transformada em voz. Voz que não pertence só a mim, mas também a vocês.
Surpreendi-me.
Preciso escutar mais a minha voz, pensei. E me escuto melhor por escrito.
Tentemos então.  Timidamente. Palavra a palavra.

E agora já não falo de mim, mas de nós. Todos em busca dessa voz que fica muda no peito, esperando uma fresta.
Nossos sonhos mais ousados. Nosso grito de liberdade contido.
Tudo habita este corpo alado que todos temos.
Mas precisamos ouvir este chamado.
Cada um do seu jeito, todos temos uma forma de expressar o canto sagrado escondido no coração.
Uns pintam, outros bordam.
Uns constroem, outros reinventam.
Todos podem.
Todos podemos.
Ouvir.
Esta voz maior que nos move.
Palavra a palavra, busco meu reencontro com a curativa rotina de escrever.
E convido todos, agora e bem alto a reclamar seu direito.
De se ouvir e ser ouvido.

16.5.13

Mulheres, guerreiras, santas, mães, Letícias... por Marcelo Madarász

Conheci Marcelo nestes improváveis encontros da vida. Estávamos num Congresso em Blumenau e foi amor à primeira vista.  Sua intensidade, olhar aguçado e curiosidade infinitas imediatamente nos conectaram.
Através de seu super-poder de garimpeiro de ideias, conheci novos conteúdos e experiências inesquecíveis... E nos despedimos assim, em 2011.
Eis que reencontro Marcelo este ano, agora no Rio.  O vínculo estava lá, como se fosse ontem.  Emocionada com o reencontro, convidei-o a destilar sentimento e aprendizado num texto próprio. Encontrar sua voz em meio a tantas referências e insights borbulhantes. Ser ventríloquo de si mesmo.
Ele aceitou o desafio e este post é o resultado.
Recebam-no com amor.


Manoel Carlos possuía suas Helenas. Chico também já as cantou e sobre elas nos encantou, não só Helenas, mas também Marias, Clarices, Anas e tantas outras... Não sou Maneco, não sou Chico e não possuo ninguém, mas não é sobre isso que quero falar- estas ausências físicas podem ficar para outro momento. Apesar da ausência física, elas ocupam mentes e corações e, às vezes, me tomam como verdadeiros aforismos ou epifanias...

Poderia falar mais sobre Deises, já que para mim ela é o maior porto seguro- esta espécie de ponto de referência neste mundo. Poderia falar de Margaridas e Lúcias, já que aprendi com mestres a honrar o passado. Nelbeas, de nome incomum e caráter afim, Cristinas, minha irmã e meu braço direito na trajetória do trabalho, Monicas, seja a que partiu (minha primeira grande perda), seja minha irmã espiritual e luz, que acaba de trazer ao mundo Clara.

Poderia falar de Claras, a filha da Monica, Leilas, Kellys, Karinas, enfim, são tantas estas santas, guerreiras, mulheres, luzes, mas hoje, ainda sob emoção da despedida de Lívia, que não conheci, mas poderia e lamento não ter tido a oportunidade, nesta véspera de dia das mães, pensando na minha mãe, que está em casa esta hora, pensando na mãe de Lívia, que também deve estar em sua casa, e nas Leticias da minha vida, resolvi escrever para elas.

Isso que escrevo é uma resposta à Leticia Carneiro da Silva e um presente para ela, uma delicadeza para quem, desde que conheci em Santa Catarina (éramos ambos palestrantes num congresso) só me presenteou com sua presença, seu carinho, Érica e agora, mais recentemente, Tatiana Lemos, de quem certamente eu também adoraria escrever pensando em tudo que vivemos (nestes dois intensos dias), e também em tudo que viajamos juntos e que ainda viveremos.

Letícia pede para que eu deixe de ser ventríloquo dos meus mestres e produza algo meu. Algo que ela adoraria ler em seu blog. Como diria Terezinha Rios, Letícia é uma mulher da maior qualidade. Quando penso nela, em Terezinha, em Maria Diva, em Del Mar, só tenho a agradecer por ser presenteado com estas luzes que delicadamente diminuem momentos de escuridão... Só tenho muito a agradecer... Lilians, Ketanas, Eunices,Clarices, Terezinhas... Guerreiras... Letícias...

A segunda Letícia sobre a qual quero falar é Letícia Madarász. Não será aqui o meu objetivo escrever sobre os dramas familiares, as tragédias, as odisseias, mas Letícia é minha irmã, tem vinte e poucos anos e eu não a conheço. Como estamos em 2013, algo impensável há alguns anos, mas nos falamos virtualmente e nunca tivemos a coragem, ousadia, ou seja, lá o que for necessário para rompermos a barreira do virtual e nos conhecermos realmente. Letícia, eu e Cristina (ou Denise) somos filhos do mesmo pai, a quem não vejo há muitos anos- mas esta é outra história...

A terceira Letícia é uma bailarina... Não é só o Chico que tem a sua. A minha é Letícia Moreira, outra mulher de muita qualidade, cercada de pessoas idem e sempre com uma frase engraçada, um humor ácido, inteligente, mas apesar de ser guerreira de Iansã, sempre uma sensibilidade disfarçada e um carinho e delicadezas pouco óbvios, fora isso, um sorriso e caras e bocas. Uma bailarina na vida... Temos muitas coisas em comum e quem sabe um dia eu fale delas, num dia mais “tons de cinza”.. Risos... Letícia aprendeu a amar Caio Fernando comigo e eles tem também algumas semelhanças. Caio querido, se estivesse entre nós seria a primeira pessoa a quem eu enviaria este texto após as quatro Letícias, mas o Caio não está mais aqui. Como disse Frei Betto, Caio buscou a luz e, agora, mergulha na aurora. Procurou a fonte e, agora, embebeda-se de amor. Teve fome e sede de plenitude e, agora, Deus o acaricia terna e eternamente. Não vou escrever mais sobre Caio, mas o que Frei Betto escreveu sobre ele, é absolutamente possível de ser estendido à Lívia Rodrigues, guerreira que foi homenageada hoje em seu sétimo dia de passagem. Um anjo precoce, irmã de minha quarta Letícia.

Letícia Rodrigues é guerreira e tem asas (acho que essa tatoo foi feita num de seus momentos reacionários). Letícia é mulher camaleão e por trás daquela cara às vezes brava, da garra de tomar a frente e decidir as coisas, de enfrentar os problemas, há uma doçura e verdade que só podem ser percebidas, sabidas, sentidas, gostadas e desfrutadas por quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. Letícia é engraçada, é forte e agora mais que nunca precisará desta força para fortalecer seus pais e as pessoas próximas- mas isso não chega a ser um desafio inédito para esta guerreira. Ela sabe fazer isso e tenho certeza que sairá sempre mais fortalecida...

Eu poderia escrever muito mais sobre essas mulheres espetaculares e suas sagas, sobre essas mães, que depois do relato detalhado da Mônica sobre o parir, passei a admirar mais ainda, mas quero encerrar apenas com a minha profunda gratidão e lembrança de algo que pesquisei: o nome Letícia, em latim, significa alegria. Felicidade. Mostra força de vontade pouco comum, embora, por vezes, não consiga ver bem à sua volta. Acho que descobri porque estou elegendo falar de Letícias no meio de tantos outros nomes. É passada a hora de romper com alguns sofrimentos e permitir que a alegria volte. Talvez aquela, roubada quando outro nome partiu. Mas esta também é outra história...

Letícias, muito obrigado.

Grande abraço

Marcelo Madarász

11 de maio de 2013