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Empreendedora. Organizadora de Ideias. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

27.7.14

Joelhos ralados

Há tempos, escrevi sobre a dura experiência de enfrentar uma frustração.
Recentemente, passei por uma situação difícil, o que sempre acorda reflexões em mim.
Fui reprovada em um exame importante.
Um pouco mais áspero que outras perdas, pois o caráter de uma prova não deixa dúvidas.  É sim ou não.
E foi não.
Um duro golpe.
Na hora, me desarmei. Chorei, desconsolada. Desesperei-me com a perspectiva de repetir o ciclo em seis meses.  Enfrentar tudo de novo.
Lembrei-me de outros momentos assim. O ano em que fui reprovada na escola. Fazer o teste de direção por três vezes, até passar. Lá estava eu, novamente "fora do sistema".


No entanto, algo foi diferente.  Desta vez, não fiquei culpando a mim ou aos outros.  Não perdi tempo com lamentações do que não foi e poderia ter sido.

Com muita humildade, reconheci o que faltou.  Meu diagnóstico era claro. Sou meio avessa a processos e métodos estruturados, justamente o que este tipo de exame testa... Mas é preciso saber destes conteúdos, no destino que escolhi. Reconheci que não estava suficientemente preparada.

Escolhi persistir. Sim, acho importante atravessar este portal, então atravessarei.

Pude perceber, com gratidão, a gentileza das avaliadoras, a generosidade e pontualidade de meu parceiro nesta aventura.
E esta gratidão me consolou.

Ao ser protagonista de meu  próprio fracasso, me permiti estar vulnerável e esta vulnerabilidade chamou empatia. Empatia dos amigos, das profissionais envolvidas, da família.

E esta empatia neutralizou minha vergonha (como bem me ensinou Brené Brown).

Um pouco mais animada, pensei alternativas. Praticar.  Usufruir da supervisão extra que terei.

Agi, conclamando voluntários para me ajudar. Já são quase quinze, em dois dias. No final, esta "derrota" bem pode me abrir novas e inesperadas parcerias.

Mas no meio de tudo, progressos à parte, percebi minha tristeza ali, bem quieta e funda.
E fiquei com minha tristeza. Me acompanhei, com carinho e paciência.

Pois sim, é possível atravessar o tombo, aprender com ele. Mas também é preciso acolher nossa vontade de que tivesse sido mais fácil, o desfecho fosse outro.  A tristeza pelo que poderia ter sido e não foi.

Sigo em frente, cada vez mais confiante de que em janeiro atravessarei este portal. Mas também abraço minha tristeza, memória de que sou humana e preferia estar celebrando minha aprovação.

Olhando o trajeto, sinto orgulho e gratidão pelo aprendizado.
Não estou só e é apenas o começo.
Muito sim me aguarda, na trilha aberta por este não.





23.7.14

Viajante ou turista

Viajar: um  sonho tão comum.
Por onde vou, conheço pessoas planejando o próximo destino, sonhando com o próximo voo.
Eu também.
Poucas coisas na vida me nutrem tanto.
No entanto quantas vezes não alcancei as verdadeiras possibilidades de estar num mundo novo.
Afinal, saímos de casa para descobrir novidades. Ou não?

Tive uma experiência muito educativa na minha última viagem.
O roteiro contemplava duas paradas: Nova Iorque e Portland.
Ia sozinha e, como de hábito, levei minha extensa lista de compras para a família.
Os primeiros dias foram difíceis.
Estava apressada, cheia de "deveres de casa": trabalho, as tais compras, exigências.
Como uma formiga operária, usei meus primeiros dias para diligentemente cumprir a lista de afazeres.
Encontrei uma razoável dificuldade, mas insisti por um tempo.
Só no último dia percebi o meu erro: estava sendo turista.
"Ticando" itens do rol de compras, perdia o melhor da cidade. As paisagens, a arquitetura, as figuras excêntricas.  Não fui a nenhum museu ou musical.
Caminhava no automático, como se pudesse resolver em 48 horas o máximo possível de tarefas.
Sim, Nova Iorque assoberba. E eram só dois dias.
Mas não é desculpa.
Ser turista é estar num lugar sem vivê-lo. E voltar com a mala mais cheia, mas menos memórias e experiências inesquecíveis.
Por sorte, aprendi a tempo.
No último dia, desfrutei de minha companhia num restaurante do Soho. Caminhei sem pressa pelo Central Park.
Pude observar as pessoas, os barulhos, a luz da cidade.
Pude me ouvir e ver como reverberava tudo isso no meu coração.
Neste dia, tornei-me viajante.

Para o viajante, a jornada é mais importante do que o destino. Mesmo os pontos turísticos recebem um novo olhar, mais curioso e lento.
Poder passar uma tarde observando uma única ala do museu.
Dar mais ênfase ao café do intervalo que aos programas em si.
Permitir-se surpreender-se, perder-se. Conhecer pessoas, interagir com a cultura local.

Cheguei em Portland com outro espírito. Vaguei sem destino muito certo pelas ruas, eventualmente chegando aonde queria.  Provei frutas e comidas.  Exercitei minha coragem tentando coisas novas.
De algumas, gostei muito. De outras, nem tanto.
Fiz amigos.  Sorri para transeuntes (e fui retribuída).

Ao final, o tempo parecia se alargar. Ir mais lento não me fez desfrutar menos. Ao contrário.

Agora, voltei ao Brasil e sigo com este desafio.
Ser uma viajante em minha própria vida. Caminhar com vagar e presença, passo a passo.
Experimentar o que é conhecido com um novo olhar.

Ser viajante é andar com a mala mais leve e os olhos mais abertos. O respirar mais suave, os passos mais lentos.
Sem pressa e com gosto.

Sigo nesta busca sem fim.  Exploradora de mim mesma e meu contexto.
Aventura maior não há.

Em tempo: compartilho meus aprendizados de viajante hoje, na palestra WDS2014 in a Nutshell.
Mais detalhes AQUI.

20.7.14

Melhores momentos do #WDS2014!

Armosa Studios
Todos os anos desde 2011, o World Domination Summit invade Portland, atraindo aqueles em busca de "uma vida memorável num mundo convencional".
O evento é construído sobre três pilares: Aventura, Comunidade e Serviço.
Não tive coragem de ir no primeiro ano e me arrependi profundamente.
Desde então, minha peregrinação ao Oregon já virou um programa sagrado. Já até comprei o ingresso para 2015!
Meu sonho é levar mais e mais brasileiros comigo, mas enquanto isso não acontece, compartilho aqui os meus momentos favoritos deste ano (sem ordem de prioridade...)!

#1 Bater um recorde Guiness
O WDS é famoso por criar tradições não-convencionais: Bollywood Dancing; festas em locais inusitados como o zoológico... E, desde o ano passado, bater Recordes Guinness.
2013 foi o ano de criar a maior corrente humana dentro da água. Na época, fiquei desanimada com a perspectiva de um banho frio, mas este ano, eu  participei! 
O desafio era construir uma sequência de ioga com o maior número de pessoas. Eu participei! 808 formaram um dominó humano, alternando cinco poses. Eu passei um bom tempo incentivando meu vizinho, o pequeno Ben, de cinco anos (quem desmancha a pose, desqualifica o recorde!).
Veja se me encontra na foto abaixo...
Armosa Studios

#2 Momentos mágicos a toda hora
A melhor parte do WDS são os encontros. Ninguém jamais julga sonhos ou ideias, ao contrário. Por mais louco que seja seu projeto, todos acham absolutamente possível.
Esta disponibilidade se reflete na qualidade das conversas. Em pouco tempo, já estamos falando de nossas vidas, nossos talentos, nossos desafios.
Este ano, pela primeira vez viajei sozinha para o WDS. Mas não me faltou companhia.
Passei  uma tarde memorável com minha amiga Lisa, que é artista e acabou de deixar seu emprego para viver de suas aulas de arte. Tomei café da manhã com a sorridente Wanda, para quem prometi enviar o primeiro capítulo de meu livro até 15 de agosto.
Emocionei-me ao compartilhar minha história de vida com a coach Darleen, na fila para visitar uma Tiny House de verdade (não sabe o que é Tiny House? Veja AQUI).
 Pude abraçar meus amigos Steven e Autumn (os dois rindo na primeira fila da foto). Quanto progresso fizemos. Todos os anos compartilhamos nossa caminhada, é incrível o tanto que andamos.
Meus amigos Steven e Autumn. Imagem Armosa Studios
#3 Inspiração para avançar
A participação da comunidade WDS é fortemente encorajada.  Sempre há algumas sessões com participantes contando suas histórias em cinco minutos ou mesmo 60 segundos. Projetos ousados, vitórias contra a adversidade. Momentos que iluminam nossa estrada.
A escolha dos palestrantes também privilegia quem já enfrentou seus percalços. Muitos foram pobres, sofreram abusos.  Muitos fracassaram antes de encontrar seu caminho.
Ninguém recebe cachê no WDS. Quem vai lá, é por sintonia com o projeto e vontade autêntica de partilhar sua história. E que histórias.  Da mulher que deixou tudo para viver numa casa menor que um quarto de empregada. Do homem que deixou de usar carro e ficou em silêncio por 27 anos pela causa ambiental. Palavras inesquecíveis. Exemplos que aquecem o coração.
Armosa Studios
#4 Ferramentas práticas para empreender sonhos
As palestras e workshops do WDS tem um viés bem concreto.
Crie uma visão e a ponha em prática.
Foi assim no WDS Academy com Jonathan Fields, onde aprendi 18 passos para criar e fortalecer uma revolução pessoal.  Ou  nas três poderosas perguntas sugeridas por Michael Hyatt:
1) Como quero ser lembrado?  
2) O que é importante para mim?
3) Qual é a única decisão corajosa e simples que tenho que tomar hoje?

E tantas outras lições e exemplos vivos de conduta, que a cada sessão eu saía flutuando num turbilhão de ideias, planos e decisões!
Michael Hyatt. Armosa Studios
#5 Energia do bem
Nunca fui em um lugar com tão pouca reclamação. Todos têm boa vontade e  mesmo o que não dá muito certo, é perdoado.  As pessoas estão genuinamente disponíveis. Há muita alegria, celebração, emoção no ar.
Eu me sinto banhada numa corrente do bem, uma bolha de água quentinha e segura no meio do turbilhão da vida. Por três dias, tudo fica mais simples.
Também nunca estive em um lugar com tanta gente trabalhando pelo outro e com o outro. É inspirador, emocionante.
Armosa Studios
# 6 Exemplos de trabalho a serviço do outro
Todos os anos, Chris e sua turma inventam alguma forma de ajudar os outros.
A campanha charity:water de 2012 .  O desafio dos cem dólares.  
E agora, a WDS Foundation, que usará o dinheiro que sobra dos eventos para bancar projetos de transformação pelo mundo.  Selecionaram três pessoas para receber uma bolsa, cada uma envolvida com uma causa social relevante.

Armosa Studios
#7 As surpresas
A equipe do WDS é muito criativa.  Já fizemos improvisações coletivas, karaokê coletivo... Este ano, tivemos um monociclista vestido de saia de escocês e Darth Vader, invadindo o palco. Mas não são só brincadeiras e diversão.


Durante as inscrições, havia uma barraca para você contar seus sonhos.  No final do evento, três pessoas foram foram surpreendidas com a notícia de que seus sonhos seriam realizados! Um programa de culinária, incentivo para escrever um livro, entre outras coisas.  A emoção dos premiados foi algo maravilhoso de se ver!

Armosa Studios
Armosa Studios
#8 Portland
Incentivada pela "Inconventional Race", a gincana promovida todos os anos, dei meus primeiros passos pelos arredores de Portland. Desde então, me apaixonei por esta cidade fácil de viver, onde as pessoas sorriem para você. A limpeza, civilidade, acessibilidade e beleza são um ponto alto, mas nada se compara às mil formas de promover o convívio. Este ano, criaram o Portland Experience, uma pequena amostra das excentricidades da cidade e também de sua excelente cerveja e comida. 
Mas o melhor é circular mesmo. Cada área tem algo a oferecer.
A praça central, Pioneer Square, é chamada de "sala de estar de Portland". Lá é possível assistir um filme nas escadarias ou mesmo a Final da Copa do Mundo.  A cidade é cheia de pracinhas com fontes de água para as crianças tomarem banho no verão. E a Feira Orgânica, aos sábados... Simplesmente imperdível.
Final da Copa em Pioneer Square. Imagem: Roundhouse
#9 O que o WDS faz comigo
Empreender o caminho próprio não é fácil, vocês já sabem. Julho é uma época em que sinto ser necessário fazer uma pausa, revisar os planos, retraçar os caminhos.  E o WDS sempre é uma força para me impulsionar e me ancorar, ao mesmo tempo. 
Ainda estou um pouco agitada. Este ano de Copa foi mais árido do que o habitual.  Mas tive novas ideias e entendi que algumas coisas tem que ficar para trás. Voltei mais produtiva e com mais foco.  Percebo com clareza que estou bem avançada  na estrada do viver não-convencional e de uma história memorável.
Lendo hoje o texto de despedida do Rubem Alves, senti muita gratidão por estar vivendo todos meus talentos, mesmo nos momentos de medo e desânimo. Algo de que sempre me recordo no WDS.

“Sou grato pela minha vida. Não terei últimas palavras a dizer. As que tinha para dizer, disse durante a minha vida. Recebi Muito. Fui muito amado. Tive muitos amigos. Plantei árvores, fiz jardins. Construí fontes, escrevi livros. Tive filhos, viajei, experimentei a beleza, lutei pelos meus sonhos. Que mais pode um homem desejar? Procurei fazer aquilo que meu coração pedia.” Rubem Alves.

Se você ficou inspirado por este relato, inscreva-se AQUI para receber o alerta da venda dos tickets para o WDS 2015.

E se você quer ver minha emoção viva e pulsando ao contar estas histórias, farei uma palestra em São Paulo nesta quarta, 23/7,  no Impact Hub da  Vila Madalena. Lá, irei contar as histórias que vivi e compartilhar esta emoção. Inscrições AQUI.