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Organizadora de Ideias. Coach. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

25.11.14

Tempo entre silêncios

Eu sei, fazem muitos dias.
Foi preciso digerir.
Este ano foi de ganhos extraordinários.
E perdas monumentais.

Cultivei foco e um bom tamanho de trabalho. Mas ainda é bastante para manejar.
Meu corpo expande-se acolhendo tantos.

Aprendi. Pratiquei. Semeei.
Sonhei bastante e colhi o suficiente.

Ampliei.
Espaço. Escopo. Alcance.

Fortaleci-me.

Tudo que me aconteceu foi bom.
Mesmo o mais difícil foi para o melhor, ainda que invisível.

Perdi pessoas, mas ganhei experiência.
Sobretudo, Fé.

Um ano memorável começa a terminar.
Em casa, tudo mais forte.
E além do horizonte, velocidade e pulso.

Ando recolhida, é fato.
É muito para assimilar.
Nem sei ainda quando.

Caminho ereta, palmeira vertical.
Navego fluida, raízes-oceano espraiando-se.

Meu tempo é  hoje.
Ah, mas quanta saudade.

12.11.14

Recolhendo as velas

2014 foi um bom ano.
Colheita. Consolidação. Autoconhecimento.
O Viver Mais Simples amadurece.
Escolhi a trilha do meu coração e ela me escolheu.
Caminho.

2014 foi um ano duro.
Perdi duas pessoas queridas.
Lidei dentro e fora com a doença, a morte e a saudade.
Enfrentei medos.
Acolhi medos.

Falta um tanto de estrada, alguém dirá.
É verdade.
Há passos a dar.

Mas já sinto um pedido de descanso do corpo.
Um ritmo mais lento.
É tempo de recolher as velas.

Usar os dias que restam para arrumar a casa, preparo para a pausa.
Esta é uma sabedoria nova.
Saber parar antes de ser parada.

Tudo é pulso de fechamento.
Fechamento e celebração.

2014 foi (e está sendo) um ano memorável.
Aprendi muito e percebo o tanto que aprendi sobre aprender.
É lento e rápido, bom e um pouco doído.
Mas sobretudo, é a melhor forma de viver.

9.11.14

Pássaro além da gaiola

Em fase final, a curadoria que virará o livro "Poemas de Uma Vida Inteira (Parte I), compilando a produção de poesias dos cinco aos quarenta e um anos...
Garimpei esta pérola de um tempo onde eu não vivia mais simples. 
E grata, percebo que contradisse minha autoprofecia e libertei-me da gaiola...



Se este aperto no peito
Fosse poesia contida
Reprimida pela rotina
Por ter me tornado adulta...

Se pudesse libertar do meu peito
Toda essa angústia
Escrevendo

Ilusão minha
Este aperto no peito
É minha natureza

Sempre querendo mais
Pedindo mais
Mesmo o que não posso...

Talvez por ouvir simplicidade
Onde tudo é tão complexo
Ou por eternamente me dividir
Entre o que sonho e o que devo

Se chorar e escrever
Substituíssem a urgência
Que tenho todas as horas
De ser um pássaro além da gaiola

No entanto, não o sou
E este aperto no peito
Não cessa.


12/04/98