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Organizadora de Ideias. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há cinco, cultiva o Viver Mais Simples.

25.5.15

Amor mais largo

Há dez anos, experimentei uma forma de amor inédita.
Amor de ser mãe.
Amor que me abraçou, me curou, me amansou.
Amor além do horizonte, ampliando minhas asas, adoçando minha voz, revelando talentos adormecidos: Cantora.  Contadora de histórias. Explicadora.  Exemplo ambulante, 24h ao dia.


Aprendi mais do que ensinei.
Aprendi a pedir perdão, aprendi a chorar inconsolável de medo, cansaço ou mesmo amor sem medida.
Aprendi a improvisar. Como quando o entreti com um copo e um canudo por quarenta minutos, esperando por um voo.

Revisitando fotos, a nostalgia bateu forte no peito.
Passou tão rápido. O tempo escorrido entre os dedos deixou um gosto de quero mais.
E eu desfrutei e desfruto, é verdade. Mas tantos momentos felizes enfileirados deram uma saudade.

Há dez anos, eu descobri o que era fazer vida.  A magia e o mistério de ver brotar de mim um infinito de maravilhas.
Agora sinto a urgência de lhe fazer um cafuné, gritar eu te amo mil vezes, olhar incansavelmente a respiração suave no seu peito adormecido.

Dou-me conta de que o resto importa menos do que estes preciosos momentos derretidos no escorrer das horas.
Percebo.
A longitude e latitude expandidas do meu coração. Tão largo. Tão perto.

Suspiro.

Este milagre de caber tudo aqui dentro. Estas memórias felizes, este amor de tamanho incomensurável.
Meu coração é bem grande. Você o fez crescer, meu filho.


22.5.15

Vencer o medo

Acordei hoje sobressaltada, estômago latejando.
Aos poucos percebi. A sirene distante, as notícias recentes. Acordei doendo de medo.
Meu filho faz dez anos hoje e não temos porteiro 24h.
A fragilidade da vida, a importância da vida fizeram meu corpo sentir esta dor.


Não posso esquecer ou impedir meu medo.
Ele brota espontâneo e bem aceso, do meu dentro mais dentro.
Ainda assim, não quero me entregar.
Se eu sucumbir, paraliso.

Sim, queridos, é preciso ser realista, cuidar da segurança, ser prudente.
Mas sobretudo é preciso cultivar nossa coragem.
É preciso viver, é preciso andar nas ruas, é preciso trabalhar, estudar, seguir.

Embora atentos e cuidadosos, vamos cultivar pacientemente limites para nosso medo.
Vamos escolher os horários e os caminhos, mas não desistamos de caminhar.
Ousemos um pouco de otimismo, pois já houve momentos assim antes.

E pensemos nas periferias, onde a violência não é novidade. E ainda assim, de onde milhares saem de suas casas para prosseguir com a vida.

Não estou conclamando ninguém a ser ingênuo.
Cobremos as autoridades, manifestemo-nos.

Mas cuidado, muito cuidado.
Que nosso medo não vire pânico.
E nossso pãnico, intolerância, racismo e outros males.
Nascidos do medo, por vezes piores que o medo.

Sim, meu estômago dói.
Mas escolho vencer o medo.
Vencer o medo não é eliminá-lo, isso seria impossível.
Vencer o medo, é atravessá-lo, iluminando minha coragem de dar mais um passo a frente.
E ter cautela com os passos para trás.

18.5.15

Atravessando desertos

São tempos de gravidade.
Economia em crise. Violência emergindo.  
O ar anda parado pelas esquinas do mundo.

Mais perto, também é bem seco.
Doenças, problemas, desentendimentos.

Observo a tudo com respeito e sobriedade.
Ainda assim, sigo avançando.
O pior já passou, no meu caso.
Mas há sempre uma tempestade de areia no percurso.
Aperto os olhos, prossigo.
Não sei outro fazer.

Persisto, atenta.
E ouço.
Ouço  meu coração resoluto.
Amor. Amor. Amor. Amor.

Sorvo intimidades partilhadas, reconstrução coletiva, transformação em curso.
Este é o meu mundo.

Sim, há desertos e tempestades.
Mas dentro, oásis.
Experimento maravilhas com quem eu amo e quem eu sirvo.
Agradeço as muitas oportunidades.

Não posso conter a aridez do que está fora, apenas atravessar.
Mas dentro, no meu dentro, minhas águas movem-se, meus peixes nadam.
É tudo o que deve ser.

Aperto meus olhos, dou mais um passo.
Meu coração pulsa forte, mais alto, mais vivo.
Amor. Amor. Amor. Amor.