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Organizadora de Ideias. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há cinco, cultiva o Viver Mais Simples.

27.3.15

Deixe-se levar


Semeei. Ando semeando.
Agora é tempo de espera.
É preciso confiar. Ter fé.
Tão difícil para mim.
Gosto de traçar meu caminho, avançar, escalar, meu bom Capricórnio pulsando dentro.
Mas agora é preciso acalmar ímpetos e ansiedades.
Sim, há sempre o que ser feito.
Regar aqui e ali, semear um pouco mais se preciso.
Mas, às vezes, é preciso reduzir o tanto e o como.

Meus peixes sussurram:  é hora de me deixar levar.

Gloria Petyarre
Não se espantem. Não desisti de remar.
Só que agora há forças maiores agindo.
Mostrando-me que a colheita há de vir, mas não agora, não agora.
Meu coração se aperta com medos ancestrais.
Seguro meu coração bem firme e digo, suavemente.
Deixe-se levar.
Um pouco mais de frouxidão. Um pouco mais de esperança nas coisas que se resolvem por si só.
Você fez sua parte. Faz sua parte.
É preciso folgar o laço da sua vontade.
Mergulhe nesta correnteza. Você nunca teve medo de águas fundas.
Entregue-se. Permita-se acreditar.
O que é seu, está cravado nas estrelas.
O que é seu, está plantado neste chão.

Enquanto isso, deixe-se levar.

24.3.15

As coisas findas

Sinto inquietudes.
Percebo mudanças no meu dentro profundo, espelhando as ondas do que se move fora.
É tempo de recomeços.
Processos, relações, realidades encerrando-se.
Novidades no horizonte. Esperanças, possibilidades.


Sinto-me estranha.
Alguns dias, cansada como se fosse final de ano.
Outros dias, experimentando uma curiosidade ardente pelo que vem, com seu frescor e prosperidade.

Muitos dias, os dois sentimentos, ali de mãos dadas.

É tempo de podar árvores, desfazer-se dos galhos secos.
Lindas flores se avizinham, é preciso esperá-las.

Despeço-me, olhos abertos, das coisas findas.
Foram boas, pelo menos por um tempo.
Agora é preciso desprendê-las do peito.

As coisas findas tem um gosto ardido de saudade e morte.
Mas também são belas em sua finitude.
Foi necessário, o bom e o mau.
Foi degrau para subir, curva da caminhada.

Despeço-me e já vejo o dentro florescer. O  novo brotar. A roda da vida dando um novo giro.
As coisas findas amarelavam-se nas gavetas do sentir.
Liberto-as.

E suas asas batendo para bem longe, são minhas próprias asas, prontas para o próximo voo.
Das coisas por vir.

20.3.15

Desfrutar o nada

Final de semana bem quietinha, fugindo de manifestações, movimentos, trocas.
Aqui, na proteção do lar, faço programas triviais: ver televisão, cozinhar,  arrumar as coisas.

Tão repousante.

Ainda urgem tarefas, medidas, respostas.
Mas hoje, apenas hoje, recosto-me no sofá e fico imóvel.
O mundo continua a girar, amanhã já é  uma nova segunda-feira.
Mas hoje, hoje não vou carregar nenhuma pedra, mover horizontes, inventar modas.
Hoje, acompanho com preguiça os ponteiros do relógio.
Descanso. Desfruto.
Há tanto a trilhar, há tanto por fazer.
Não hoje.
Hoje, deixo o universo mover-se por mim. As outras pessoas empunharem bandeiras. O marido levar meus filhos ao clube.

Hoje, nada.
Amanhã, ah, amanhã.
Veremos.