Reflexões do Planalto Central

Este fim-de-semana fui a Brasília visitar Breno,  meu querido padrinho de casamento e ex-padrasto.  Lucrécio não pode ir e fui encarregada dos dois filhotes, o que é sempre uma certa aventura (mesmo com toda a ajuda que eu tive dos outros adultos envolvidos na viagem). 
Meu maior desafio quando me vejo só, com os dois,  é manter a calma. Cada mãe tem seu ponto fraco e o meu é que fico MUUITO brava quando estou cansada e eles não colaboram.
E para minha surpresa, não perdi a linha este fim-de-semana, mesmo responsável pela rotina de duas crianças ainda pequenas, numa casa diferente (e maravilhosamente perigosa, com seus muitos itens frágeis e lindos.).
Na linha do aprendizado contínuo, me perguntei: porque deu  tão certo? E a resposta que encontrei foi
foco: eu estava integral na tarefa de ser mãe.
Sem e-mails, sem outras atividades além de estar lá, com eles e os outros integrantes da trupe  (meu irmão Bernando e sua família).
Concentrada praticamente num só papel, atenta a um só desafio, foi mais fácil me organizar, respirar fundo nos momentos difíceis.
Claro, nem sempre poderei me focar no luxo de ser só mãe (ou esposa, ou profissional, ou...) durante três dias, mas posso me entregar a uma tarefa de cada vez, sucessivamente.
Explico:  na missa por ocasião da morte de minha avó Gisela, fiquei fascinada com a sequência de depoimentos contando como ela deixou marcas em cada atividade que exerceu (mãe, esposa, mulher, professora, avó, franciscana, voluntária).  E caiu a ficha: eu não me lembrava dela nos outros papeis, porque ela estava concentrada em mim, quando estava comigo. E certamente, concentrada em cada uma de suas outras facetas, quando era a hora.
Sou contra a perfeição, portanto o convite é simples: que tal tentarmos estar de mente e coração em menos coisas ao mesmo tempo? Mesmo que sejam vinte por dia, é mais fácil um passo de cada vez, não?

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