Águas presentes

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É importante conhecermos o que nos tira do sério e o que nos traz de volta a si. Antídotos, diria mestra Zeneide...
Eu considero a  água é um dos meus mais poderosos aliado na busca pelo equilíbrio.

O mar, meu primeiro espaço de reflexão.  Adoro ficar mergulhada por muito tempo, brincando com as ondas, sentindo as texturas da espuma. Adoro cheiro de sal.
Brincar com meus filhos na piscina do Fluminense. Antídoto recém-descoberto, mas igualmente poderoso.
Chorar. Chorar bastante, copiosamente, soluçando para acompanhar... Chorar quando está muito pesado o caminhar.  Chorar vendo filmes, chorar quando recebo um presente de um amigo através de uma palavra ou de um gesto de acolhimento e compreensão.
E a chuva.  Adoro barulho e cheiro de chuva. Eventualmente, gosto até de tomar um daqueles banhos, ficar bem encharcada.

Há anos atrás, ainda no tempo de escola, me lembro de um dia de chuva forte. Eu desci do ônibus dois pontos antes e fui caminhando debaixo do maior pé d'água... Cheguei na praia do Leblon, abri o guarda-chuva, protegi a mochila com ele e fiquei ali, recebendo aquele banho na alma. Devia ter uns quatorze anos, mas nunca esqueci a sensação libertadora de ficar ali, sem medo de parecer maluca... Ainda ouço os passos plotch plotch a caminho de casa. Feliz e sentindo-me levemente transgressora.
Esta quarta-feira choveu forte no Rio. O barulho e o vento fresco me relembraram desta tarde, desta menina de então. 
E agradeço por tanta água na minha vida, acalmando minha vontade térrea e minha labareda interior.  Equilíbrio, um bom presente para o ano vindouro...

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