A formiga e a cigarra

Hoje é aniversário de Monteiro Lobato. 129 anos.
Minha primeira memória feliz literária é de uma coleção de suas obras infanto-juvenis. Dezessete livros verdes, ainda em português antigo ("olhos azues"), presenteados por minha mãe.
Os livros se perderam, para minha tristeza. Mas o afeto por Emília e sua turma segue no coração.
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Neste domingo reencontrei a história da "Cigarra e da Formiga", pequena pérola do livro Fábulas. Foi na Livraria da Travessa, através dos artistas Jujuba e Ana Nogueira, maravilhosos contadores de histórias.
Durante o espetáculo, comecei a refletir... Alguns escolheram nessa vida ser cigarra. Outros,  formiga... Mas quantos caminhos possíveis há entre uma escolha e outra?
Pessoas-formiga têm alma fazedora, construtora. São previdentes. Carregam muitos pianos na vida.  Disciplinados, persistentes, empreendedores.  Empurram a vida para a frente (e, ás vezes, outras pessoas também). Planejam e realizam. Folha por folha. Sempre prontos para o inverno. 
Pessoas-cigarra têm alma poética. Sonhadores, líricos, livres.  Alma de artista, abraçam felizes o imprevisível, o espontâneo.  Improvisam de galho em galho, tornando o verão mais vivo, mais alegre. Enchem o ambiente com sua energia, sua força criadora.
Lobato ilustra lindamente dois caminhos para esta parceria. Um onde cada um no seu espaço, um com fome de arte, outro com fome de comida. Outro, mostra um caminho melhor, da colaboração. Eu canto para alegrar seu trabalho. Você trabalha, para ajudar no meu sustento.
Esta diversidade é benéfica para ambos.
Mas e se... Se a cigarra plantasse um pouco de sua verve artística na formiga? Para que esta ensaiasse pequenos passinhos rumo a um olhar mais colorido da vida, menos sobrecarregado?
Ou se a formiga emprestasse um pouco de sua disciplina para a cigarra não ficar tão vulnerável ao inverno?
Co-corpando, colaborando, cotrabalhando... Numa troca de experiências generosa? Sem a pretensão do um virar o outro, mas um pouquinho mais de equilíbrio talvez?
Isto é possível.  Se sabemos quem somos e o que queremos melhorar em nós, podemos buscar nosso oposto. e também podemos ajudar quem é nosso complemento.
Tenho praticado esta ideia, nos empreendimentos que estou plantando para os próximos meses...
Parcerias inusitadas, troca de talentos... Uma celebração da abundância e diversidade ao nosso redor.
E você?
Formiga ou cigarra, com quem pode aprender? Para quem pode ensinar?