História de dois Joões

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Todos temos raízes e elas definem o tamanho de nossos de galhos, a abundância de nossas folhas e a qualidade de nossos frutos.
Já falei das minhas raízes familiares mais de uma vez... Mas hoje quero falar de duas outras grandes influências no  meu viver mais simples. Dois professores. Meus dois Joões...

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João Rua foi meu professor de geografia. Espirituoso, inteligente, inusitado.  Eu era uma aluna de 2o grau e no meu primeiro ano fomos conhecer geografia urbana ao vivo e a cores. 90 alunos pegando trem na Central e indo conhecer Engenheiro Pedreira, cidade-dormitório. Jamais me esqueci da lição sobre quem tem menos e enfrenta três horas para ir ao trabalho todo dia. E também não me esqueço dele dizendo sobre o quanto havia lutado muito por mim, no Conselho de Classe para não me reprovarem após um terrível ano em matemática.
João Rua era ousado e amigo.

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João Freire Filho foi meu professor de Português. Exigente, apaixonado pelo ofício. Adorava meus textos, mas não perdoava atrasos. Ficou muito emocionado uma vez que me manifestei por escrito contra um ato de vandalismo na escola, o Colégio de Aplicação da UFRJ. E foi quando conheci o poema "Mãos Dadas", até hoje um de meus preferidos. Também me guiou pacientemente pelas páginas de Dom Casmurro, esforço que resultou em um lindo texto sobre "Os Olhos de Capitú".
Já faz mais de vinte anos, mas não esqueci as lições de meus dois Joões.  Descobri pela internet que João Freire está vivo, aposentado da UFRJ, mas não da vida de trovador.
Quanto a João Rua, nutro a esperança que esteja no Conselho Editorial da Revista de Geografia da PUC, onde vi seu último registro. vou investigar mais...
Meus dois Joões me ensinaram muito sobre a realidade e a ficção. Sobre o talento e luta. Sobre a vida.
Agradeço a eles e tantos outros professores que cultivaram a escritora em mim e a humanista também.
E se você sabe por onde eles andam... Conte logo! Que saudades.