I. Somente o necessário

Num mundo de tanto, a paz não estaria no menos, no possível e no hoje? Estar em sintonia com o alcançado, o tangível?

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Nesta direção e sob a influência de uma grande amiga, venho reaprendendo três conceitos que vêm transformando minhas escolhas. Hoje eu falarei do primeiro:
O Suficiente
Queremos muito, queremos tanto, queremos demais. Não bastaria o suficiente? Não bastaria o que trará alegria, prazer, amor na medida certa?
Eu, mais do que ninguém, entendo de excesso e abundância. De ideias, de dinheiro, de tarefas, de trabalho, de comida. 
E minha experiência reafirma uma coisa: o suficiente é mais do que suficiente... O demasiado traz em si cansaço, esforço e frustração.

Muitas ideias podem sufocar a clareza da mente. É preciso filtrá-las, registrá-las, canalizar este fluxo caudaloso para um lugar onde não nos afogue. Estou considerando a prática da meditação.  E claro, buscando organizar as melhores ideias e executá-las.

Muito dinheiro, já diz a sabedoria popular, não é segredo de felicidade.  O perigo de não valorizar o que temos, de nos escravizarmos para manter o bolso cheio... O consumismo, o mau exemplo para os filhos. Não sou contra a prosperidade. Mas por que não buscar o suficiente? O que basta para fazer o que gostamos, presentear quem queremos, cuidar dos  nossos e se precaver para tempos difíceis?

Muitas tarefas... Há muito o que fazer. Mas quando fazer? E precisa mesmo ser feito?
Eu já falei de minha eterna busca pela produtividade. Dentro dela, reside a possibilidade de escolher o que de fato pertence à lista, o que outros podem fazer e o que é simplesmente dispensável.
Um exemplo prático: vinha colecionando recortes de revistas com ideias para viagens, presentes, roupas, coisas para a casa, serviços.  À medida em que os anos passaram, os recortes foram ficando bagunçados e uma das eternas tarefas era organizá-los. Ao mesmo tempo, percebi que nunca usava meu "arquivo" na véspera de uma viagem, na decoração da casa, etc. Em suma, na última arrumação do escritório livrei-me dos recortes, organizados ou não. Eliminei a tarefa, diminuí o lixo e também a tentação de consumir coisas que não eram exatamente essenciais.

Muito trabalho... Bom, neste sou especialista.  Por outro lado, ainda ontem ouvi assim: "que maravilha você poder dirigir esta sua energia criativa incrível para seus amigos e família. Antes ia tudo para o trabalho".  Era de fato um destempero. Claro, quero trabalhar e estou na luta para construir minha nova "carreira". Com a ajuda de minha bagagem, meus muitos colaboradores e principalmente, a fé no meu propósito de ajudar visionários a frutificar, sendo felizes.
Mas tenho trabalhado a ansiedade e a pressa, afinal o retorno de uma carreira inventada tem sem seu  próprio tempo. Tempo que compete com todas as outras experiências que hoje  me permito: almoço com os primos em plena quinta-feira, fazer dever de casa com o filho alfabetizando, sair com o marido ás segundas-feiras.

Muita comida... Dos sete pecados, a Gula é meu ponto fraco. No meu caso, não tanto pelo prazer mas pela compulsão alimentar, a compensação através da comida.  Requer um trabalho de vigilância constante. Não é só registrar o que se come, é manter o equilíbrio para não cair em tentação. É encontrar formas de se mexer que sejam sustentáveis. E alimentar o espírito, para a fome de paz não ser confundida com desejo de comer chocolate... Uma frugalidade dentro e fora do corpo.

Como tudo na jornada do Viver Mais Simples, a busca do suficiente é um caminho. Há dias melhores, há dias em que a tentação do exagero aparece.  Mas abraçar o suficiente é libertador. É apaziguador.
E você, anda indo além do que precisa? Que tal aprender com o urso Baloo?