Chegou a hora

No meio de uma vida complicada, muitas vezes não sabemos quando chegamos ao limite.
Quando basta? Quando é a hora para a virada?
É natural pensar: ainda dá para ficar mais um pouco neste trabalho, casamento ou situação...
E será que realmente dá?
Alguns sinais podem dar a pista do seu momento. E se sua hora é esta, abrace-a.  Desperdiçar nosso pouco tempo neste mundo é uma causa de grande sofrimento.
Mas como saber se estamos prontos?
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A vida é agora
Ás vezes, o tapa na cara é quando alguém se vai.
No meu caso, duas pessoas: Ben Rembalski foi um colega de Johnson & Johnson. Viveu sua vida intensamente.  Viajou, experimentando as culturas dos países que visitava. Por exemplo, uma vez saiu sozinho na Colômbia em busca de sabores exóticos, sem falar uma palavra em espanhol. Ele era inglês, com bastante cara de estrangeiro...
Ben era jovem, por volta dos quarenta.  Não éramos amigos próximos, mas fiquei muito chocada ao saber que sua filha caçula tinha apenas duas semanas quando ele morreu, vítima de um câncer reincidente.  E sua outra filha, só dois anos.
A viúva, num gesto inspirado, pediu a todos: não mandem flores, enviem uma mensagem para as meninas conhecerem um pouco do pai. Enviei a minha e até hoje fico emocionada com esta história.
A outra pessoa foi minha avó Gisela. Ela era bem mais velha e teve uma doença relativamente mais tranquila até os últimos meses. Mas os depoimentos após sua partida me fizeram pensar... Ela viveu uma vida tão plena, realizando todos seus talentos. E eu?
A perda de alguém sempre nos lembra de nossa mortalidade. Se for jovem, como Ben, o recado é ainda mais claro.

O corpo fala
Eu já tinha recebido algumas dicas de que o nível de estresse não estava sob controle. Além dos famosos 100 quilos, para cada filho nascido, fiz uma cirurgia. O Léo tinha quatro meses e retirei a vesícula. A Olivia tinha mais ou menos a mesma idade quando tive apendicite.
Mesmo assim, eu não enxergava o tamanho do meu sofrimento. Até que me senti sufocar, numa agora longínqua conversa sobre trabalho. Até hoje lembro da inquietude, da agonia, da reação física que tive quando a última gota caiu no meu balde transbordante.
Eu tive sorte. Outros sofrem um ataque do coração, um colapso nervoso, embarcam em algum vício. Eu realmente tive sorte. Hoje estou mais saudável e atenta ás mensagens do meu corpo. Hoje procuro ajuda para manter o equilíbrio.

Faça-se as perguntas certas
O que eu quero da vida? Por que está tão difícil acordar para o trabalho?  Onde eu gostaria de estar agora? Fazendo o quê?
Quando eu tiver oitenta anos, quem estará no meu aniversário? O que falarão de mim?
Daqui a um ano, um mês ou um dia, este projeto/tarefa/pedido ainda será relevante?
Se eu tivesse seis meses de vida, o que faria com o tempo que me resta?
E se?
Por que não?

Conheça a história de quem optou por uma vida do seu  jeito
Eu sou apenas uma de muitas pessoas que deram um basta numa existência pela metade. Somos muitos sonhadores, caminhantes, herois ou loucos, você decide.
Leo Babauta. Chris Guillebeau.  Jonathan Fields. Gretchen Rubin.  Érica Cavour e Camila Miranda.  Bernardo Carneiro.  Cadú Castro Alves.  Eduardo Seidenthal.  Gian Taralli.  Beth Veiga. Joana Madia. . Marcos Rezende.  Daniel Pereira.   E tantos outros, de quem pretendo falar mais daqui para a frente. Se quiser, junte-se a nós.

É díficil, arriscado e por vezes, solitário. Mas viver uma vida inteira é um prêmio maravilhoso.  Respirar todo o ar que o seu pulmão merece... Não tem preço.
Não espere a morte ou a doença.
Abrace sua centelha e vá em frente. Do seu jeito. No seu tempo.

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