Dia de Mãe

Para honrar o que me constitui Leticia, já falei de meus ancestrais e de meus mestres.
Hoje, Dia das Mães, é dia de falar de outra força que me faz mover em direções inesperadas e melhores. A existência de meus filhos Leonardo e Olivia.

Ser mãe é muitas coisas. Grande parte já contada por aí, em prosa e verso.  No meu caso, considero fazer gente uma das possibilidades mágicas do ser humano.  Amo (e temo) esta responsabilidade. Responsabilidade que significa habilidade para responder. Por isso busco estar sempre atenta a este sistema dinâmico onde ajustes são necessários de tempos em tempos.

A brandura
Muitas vezes, foi preciso ser mais rigorosa, disciplinadora. Mas neste momento exato, busco a palavra brandura no meu ser mãe.
Reconheço a luta hercúlea para enfrentar com coragem este meu novo caminho. E ser guerreira encerra a tentação de ser dura, de ser exigente consigo e com os outros.
Elegi desmontar esta dureza, especialmente quando estou com as crianças. É difícil, com a aflição de por em ordem a vida (minha e deles).  Mas é incrível. Passei o dia de ontem inteiramente focada na Olivia. Imediatamente ela responde, agarrando-se em mim, melada de tanto charme e amor. Viva a brandura!

Espelho de mim
Este ano, nos seus quase seis anos,  Léo está avançando na leitura e escrita. Agora são frases inteiras, rabiscadas num caderninho com  as primeiras palavras de seu vocabulário, cada dia mais amplo. 
E então dei-me conta: meu primeiro poema foi escrito com cinco anos. Portanto Léo e eu estamos unidos nesta história de primeiras palavras.
Reler minha primeira (e singela) obra me emocionou. Imaginar que eu sentia coisas que ele talvez sinta hoje. Relembrar a antiguidade de minha paixão por escrever. 
Este é o ano em que acalento o sonho do meu primeiro livro "adulto", celebrando a caminhada até aqui... Este é o ano em que meu filho aprende a escrever.
A vida em círculos, relembrando que somos todos parte de um grande fluxo sem começo ou fim. E seguimos encantados com as palavras, Leonardo e eu.

Memórias felizes
Acredito com muita força que memórias felizes aquecem dias tristes. Por isso me esforço para oferecer inúmeras opções para o acervo de meus dois filhos. E sou humilde para reconhecer que sozinha não conseguiria. Afinal, minhas memórias felizes vêm dos meus pais, mas também dos irmãos, avós, tios, padrinhos e amigos queridos. Por isso me desdobro para que Léo e Olivia sejam expostos ao máximo de convívio com a família. E este desejo me permite perdoar pecadilhos alheios e ter um olhar mais amoroso por quem ama meus filhos com devoção. Muitos amam meus filhos, fico feliz em dizer.

Poderia me estender por páginas, discorrendo sobre os múltiplos aprendizados que ser mãe me traz todo o dia. Mas tudo pode ser dito em menos, já disse Leonardo Boff.

Por isso encerro aqui, com o coração repleto de carinho por todas as mães deste mundo. Mães neste ofício de amar e aprender com o amor. De criar filhos que tenham asas grandes para voar rumo ao seu caminho próprio, sob nossos olhos maternais.

Feliz Dia das Mães: Mamãe, Marília e Denise...