Quando não tenho escolha

Esta é uma frase que pouco se ouve de minha boca.
Acredito no livre arbítrio. Acredito no protagonismo na vida.
Mas é fato. Há algumas situações em que não temos escolha.
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Mudar quem nossos filhos são
Nossos filhos vêm de um jeito que é deles. Nascem com seu espírito, seu corpo.  Podemos influenciar, orientar, limitar, ameaçar. Mas eles serão eles, apesar de nós.
Lidar com esta diversidade, esta rebeldia genética e espiritual. Não há outro caminho.
Abraçar este desafio como um presente.  E rezar para eles serem felizes, apesar de nós.

Mudar quem são nossos pais
Menos ainda podemos mudar nossos pais. Já vieram antes, já estão mais curtidos pela vida.  Difícil para muitos aprender com os filhos. Escolha só deles, não nossa.
Resta aceitá-los, pais e mães possíveis que são.  Escolher a medida amigável de convívio, entendimento e interação. No mais, ser gratos pela vida que nos deram e pelo esforço empreendido para que estívéssemos aqui.  Com sorte, valores bacanas, histórias felizes, amor incondicional.  Mas se não houver, paciência.  São quem podem ser.

A impossibilidade do outro
Não se pode casar com quem não quer se casar com a gente. Brigar com quem não quer brigar. Não é possível fazer o outro querer o que queremos.
Podemos espernear, ameaçar, chantagear... Mas até ceder é uma escolha. Se o outro não escolher, nada feito.
Por isso podemos ser demitidos ou ser surpreendidos por um divórcio. O outro tem escolhas que não podemos impedir (no máximo, atrapalhar).
Compaixão por esta diferença já é uma possibilidade de bom tamanho.


A Força da Natureza
Não há como mudar a rotação da Terra, a presença da chuva, a ressaca no mar.
Não há como deter a fúria de algo maior do que nós. Intervimos, mexemos, invadimos. Mas no final, somos passageiros neste planeta e não podemos escolher o dia do eclipse, o tamanho da enchente, evitar o Tsunami. Esperamos que o tal meteoro passe longe. Mas tudo é esperança e oração.

Morte

Pode soar clichê, mas a morte é um destes becos sem saída. Inexorável, imprevisível. Pode ser lenta ou rápida, violenta ou suave. Qualquer caso e nós ficamos aqui, enterrando nossos amados, sem opção.
Podemos sim rezar por nossos mortos, honrá-los, recordá-los. Podemos ficar alegres pelas boas memórias, ou aliviados se a dor era muita.  Mas não veremos novos Lázaros.

Agora vejamos bem: temos escolha a partir da não escolha... Esta escolha é: desesperar ou prosseguir?
O que fazemos com o que não escolhemos está em nossas mãos apenas.  Aceitar nossos pais e filhos do jeito que formos capazes.  Acatar a fúria da Natureza ou um simples dia frio ou nublado.  Entender o sentido da Morte e fazermos as pazes com isto. Aceitar, acolher, respeitar o outro.
Escolher nosso caminho, mesmo limitados pelos caminhos que cruzam com ele.
E não lembro de mais nada onde não tenhamos escolha. E vocês?

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