De todas as maneiras

Um de meus mais renitentes perigos é o de projetar meu caminho no outro.
Sim, precisei rasgar-me, reinventar-me.  Precisei abandonar um estilo de vida abruptamente.
Precisei escrever sobre isso publicamente, expondo minha alma nua para todos.
Este é meu jeito de caminhar.
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Mas hoje estou mais calma. E posso apreciar outros jeitos de viver simples.
Estou aprendendo o comedimento, aprendendo a olhar o outro, aprendendo a discordar com amor.
Ainda falta... Mas aprendo por observação, convívio e admiração.
Esta semana fui presenteada com mais um possível caminhar: o jeito doce, determinado e meio silencioso de minha amiga Iracema.
Num encontro feliz, nestes acasos maravilhosos, pude conhecer melhor sua trajetória.
Ela me contou como fez a escolha de sair da ciranda corporativa há muitos anos. Eu calculo que uns dez, talvez?
Foi uma das pioneiras, entre meus conhecidos, na busca pela tal "qualidade de vida".
Empreendeu, construiu um negócio. Assim nos conhecemos.
Tempos depois, ainda antes de minha virada, ela mudou de novo.
Deixou sua cidade, sua empresa e foi ter seu filho, viver seu amor, dar um novo passo rumo a seu próprio caminho. 
Hoje, trabalha "por conta", experimenta seus limites. E já antevê uma nova transição se aproximando. Calmamente. Com respiração e serenidade.
Ela me contou tudo isso placidamente, sentada numa cadeira do aeroporto.  Linda, elegante, falando devagar e baixo.
Tudo isso, toda esta mudança. E um matiz mais suave, uma fala mansa.  Um jeito de quem sabe o que quer mas não precisa irromper em lava para dizê-lo.
Há vários tipos de luz. Cada centelha tem seu próprio brilho e intensidade. Todas igualmente verdadeiras.
Não há caminho melhor do que o outro. Há apenas caminhos e que feliz sou de ter caminhado por algumas horas lado a lado com Iracema!
Obrigada, amiga.  Até breve.

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