Um novo tempo


Estou em São Paulo mais uma vez e mais uma vez estar aqui desperta profundas emoções em mim .
Desta vez, é ainda mais marcante. De certa maneira, foi meu recomeço na vida corporativa.
Nestes últimos dois anos, muito chão passou pelos  meus pés.
No espírito do final do ano, inauguro uma série de posts refletindo sobre a jornada até agora e daqui para frente...
Crédito: Érica Cavour
Tomei uma decisão corajosa de mudança.  Experimentei  um relativo ócio criativo.  Naveguei por possibilidades de empreender. Assim foi 2010 e uma boa parte de 2011.
Este último ano tem sido decisivo.  Minhas escolhas foram mais precisas.  Senti mais fundo o peso de deixar o conforto de um trabalho com contracheque e partir para a criação de uma nova profissão: organizadora de ideias.
Neste processo todo, senti na pele.  Passando a limpo minha vida, fiquei seis meses separada de meu marido, reavaliando o papel de nosso casamento á luz desta nova eu.  O amor venceu e começamos um novo casamento, mais em sintonia com o novo em nós.
Tive medo, muito medo.  Medo de não dar conta deste novo caminho.  Medo  de estar equivocada em ter arriscado tanto.
E também muito conflito. É preciso ganhar dinheiro. Como fazê-lo de forma coerente com o viver mais simples e a leveza tão recentemente conquistada?  Abandonar ou retomar meus conhecimentos técnicos de marketing, pesquisa? Abraçar ou não parcerias corporativas?
Conflitos e medos que cobraram seu preço em quilos e insônia.  Mas eu não me deixei vencer:
Retomei  o foco na ancoragem,  que ficou capenga com meus experimentos de frugalidade. Retomei o Pilates, fiz uma viagem para me distanciar um pouco do dia a dia. Tudo me serviu.
Aliando novos e antigos aprendizados, sinto que a missão de passar a limpo progrediu e, por ora, está completa.
O casamento reinventado. A carreira azeitada. Escolhas mais frugais e sensíveis.  Estar com menos pessoas, mas com novo grau de profundidade para quem está do meu lado. Uma reflexão sobre o que eu preciso fazer por mim e pelo outro.
Uma consciência de que completei o ciclo de tirar o excesso de corporação de dentro de mim e posso fazer o caminho de volta, desenvolvendo parcerias.
Voltei da viagem a Oxford ainda inquieta, temerosa pelo futuro de meu sonho. E aí, aconteceu.  No meio disso tudo, as sementes que plantei no trabalho começaram a germinar. Projetos adormecidos.  Propostas ousadas.  Tudo começou a brotar neste novembro.
Estou em São Paulo e ontem fiz o primeiro Odisseia numa grande empresa. Foi um trabalho bonito e sinto um misto de orgulho e gratidão. 
Eu e minha parceira Érica fizemos nosso melhor e sinto a força de nossa contribuição para o mundo.
Quero mais.
No entanto, vivi um grande teste. Estar tão perto de onde eu vim. Sentir a dor da vida corporativa ali no alcance dos dedos.  Sofri bastante ao rever partes de minha jornada que foram muito doloridas. 
Como contei para Érica, foi como se, tal Harry Potter, minha cicatriz queimasse na presença de meu inimigo.
E meu inimigo não é a corporação, sem dúvida. Meu inimigo é o medo de ser engolida por ela.
Uma nova etapa, senti forte enquanto caminhava pelas ruas de Higienópolis, onde começou meu amor por São Paulo há 15 anos atrás. Eu enfrentei o inimigo e resisti.
Sim, sinto medo, a vida é incerta. Mas sou maior que meu medo. 
Encerro 2011 com este orgulho e esta esperança.
2012: o ano do germinar.

PS: Decidi voltar aos dois posts por semana, por enquanto.  Mais tempo para os outros projetos e para consolidar este final de ano. Assim, a série 6 bilhões deoutros passa para as quintas-feiras. Até lá!