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Organizadora de Ideias. Coach. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

26.10.11

Sente-se livre?


SIM.
Dentro do possível, da responsabilidade, do limite imposto pelo direito alheio.
Sou livre.
http://www.hamandheroin.com

Posso ir e vir. Posso falar o que eu penso para o mundo. Vivo a carreira que escolhi.
Tive meus filhos quando quis.
Tenho medos, claro. Tenho limites financeiros, físicos, espaciais...
Mas tenho bordas flexíveis para reinventar.
Sou muito grata por isso, especialmente quando vejo quantos seres humanos vivem acorrentados.
Numa prisão real ou imaginária.
Num regime de exceção ou sob o abuso de pais, cônjuges, chefes...
Escravos de fato ou por escolha inconsciente.
Eu sou livre.  Escrevo minha história, pagando os preços da ocasião.
Posso viajar, comer coisas gostosas, experimentar novidades.
Sou liiiiiiivre.
Para ouvir a música que quero, ver qualquer filme.  Falar com quem me aprouver.
E quanto mais me desprendo do apego a minhas crenças, a meus medos, a meus  paradigmas. Quanto mais pratico ouvir o outro e aprender com ele. Quanto menos sei e mais sei que não sei.
Mais livre eu sou.
Sou grata por tanta liberdade!


Este é um post da série "6 Bilhões de Outros", inspirada neste projeto aqui.
Mais detalhes do projeto neste post.

24.10.11

Hora do Recreio


Sometimes the most urgent thing you can possibly do is take a complete rest

Não, não falarei somente de descanso e férias durante os dias de minha viagem...
Mas sim, numa era de muito trabalho, muita informação e tempo escasso é preciso valorizar o descanso.
Afinal, se por um lado "Deus ajuda a quem cedo madruga", Ele mesmo parou no sétimo dia de criação para contemplar sua obra.
Quando éramos crianças, dormíamos uma a duas vezes durante o dia. Minha avó Gisela o fez até o final da vida.
Fechando os olhos ou não, há inegáveis benefícios em descansar.
Restaurar a energia.  Preparar-se para mais trabalho. Sair do automático.
No entanto, insistimos.  Adiamos aquela dormidinha poderosa de 20 minutos, escondidos no banheiro do escritório...
Dormimos depois da hora.  Acordamos antes do corpo estar satisfeito.
Há tanto o que fazer, aprender, compartilhar...
O resultado? Além das olheiras e resfriados mal-curados, todo tipo de mau-humor e falta de vontade.
Por isso: rebelemo-nos!
Por uma soneca justa, um balanço na rede. Por uma cochilada de 15 minutos, no sofá do dentista. Por uma pausa entre reuniões. Por um pedido de socorro para alguém ficar com as crianças só um pouquinho.

Se estiver em pé, sente.
Se estiver sentada, deite.
Se estiver deitada, durma.
Experimentei até os serviços do Pausadamente, aprovadíssimo. Mas não
sou a única advogando um bom descanso.  Leo Babauta escreveu sobre isto recentemente. E Gretchen Rubin dedicou todo o primeiro capítulo de "The Happiness Project" a formas de ganhar energia, encabeçadas por uma boa noite de sono.
Relaxe. Bons sonhos!


21.10.11

Caçador de Mim

Tenho ouvido muita música e, ato contínuo, evoco músicas perdidas na memória, todo o tempo.
E, na jukebox da minha cabeça, tem tocado muito Caçador de Mim...
Decidi há poucas semanas embarcar numa viagem diferente. Meu  irmão está passando uns meses na Europa e vinha me convidando para me reunir com ele em parte da aventura.
Eu relutava, já que ainda estou criando meu novo trabalho (e minha nova receita). Mas meu peito pediu muito para eu ir e hoje entendo por quê.
http://www.hamandheroin.com
Este foi um ano duro, de trabalho forte e muitas dúvidas.  O primeiro ano do viver mais simples foi mais "inebriante". Eu ainda não tinha me dado conta do tamanho do passo que eu dei.
Agora a vida está mais crua, o preto mais no branco.
Eu continuo convicta que fiz e faço o que é melhor para mim e minha família. Mas não tem sido nada fácil.
Tenho estado cansada, com vontade de recolhimento. E agora faz cada vez mais sentido lançar-me numa viagem para longe e para perto.
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Sinto que é preciso recarregar as energias.  Vejo meu jardim semeado promissor. Vou precisar de cada músculo, cada respirada. Vou precisar espantar os fantasmas, cavar fundo para realocar as mudas.
Vida de fazendeira não é fácil. Por isso preciso me cuidar, dar um tempo longe.
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Palpita em meu coração um sentimento de que coisas grandes estão por chegar. Novos projetos, novas realidades, novos encontros. Assim elegi este pequeno "exílio", um mergulho em mim em terras distantes.
Não tenho vontade de fazer nenhum turismo específico. Só me deixar estar. Deixo o computador aqui, provável estar "fora do ar' nos primeiros dias. E é preciso que seja.
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Sincronismos da vida, hoje encontrei um texto que fala exatamente sobre esta necessidade de "reboot". De dar uma zerada, um recomeço para prosseguir.A sequência sugerida é meu roteiro de viagem: remove yourself - rest yourself - recognize yourself.
Sair de perto.  Descansar.  Reconhecer-me.
Assim parto. E voltarei. Renovada para um novo ciclo de crescimento.

19.10.11

Qual a coisa que nunca poderia perdoar?


Tenho me esforçado muito em aprender o perdão de forma mais profunda e concreta.
Apesar de me dedicar bastante a praticá-lo, há demasiadas coisas que ainda preciso perdoar de fato.
No geral, o que mais me dói é abuso de minha confiança.
Acreditar no outro, abrir  meu coração e então me decepcionar é muito sofrido para mim.
Mas tenho fé que chegarei no ponto de perdoar isto também.
http://scotchandscones.tumblr.com/

Possivelmente eu teria extrema dificuldade em perdoar algum abuso ou violência - destas impensáveis-  com meus filhos ou alguém muito querido. Mas quero acreditar que mesmo isso, um dia eu seja capaz de perdoar.
Acredito que o perdão é uma força poderosa para quem perdoa e também para quem presencia o perdão.
Embora tenha muita fé neste conceito, minha alma mortal e imperfeita é um obstáculo.
Mas tenho esperança.
Tenho vontade de que um dia eu esteja tão desprendida do meu ego, de minhas próprias questões, de minhas próprias dores que perdoe o meu algoz.
Afinal, não seria esta a liberdade suprema? Não ter mais nada a perder, tudo perdoado?
Quanta dor, angústia, raiva e outros sentimentos assim eu poderia sublimar assim?
Será uma grande utopia?
Espero que não. Que um dia eu possa de coração oferecer a outra face. E ficar em paz.

Este é um post da série "6 Bilhões de Outros", inspirada neste projeto aqui.
Mais detalhes do projeto neste post.

17.10.11

Três passos para o equílibrio


Esta semana estou me preparando para zarpar numa viagem meio diferente.. E, sem saber, meu amigo André Dametto deu-me um presente quando publicou um texto inédito meu no blog dele, o Saber Livre.
overmundo.com.br

Presente porque o meu tempo está escasso e vou aproveitar a deixa, republicando aqui o texto. Assim ganho um pouco de fôlego para as malas por fazer... 
"Prazer, sou Leticia… Organizadora de ideias, escritora, mãe e mulher chegando aos quarenta… Já tive uma vida muito desequilibrada, construída ao longo de quinze anos como executiva em multinacionais. Cheguei ao meu limite em 2009, pesando 100 quilos e completamente exausta.  De lá para cá, adotei o viver mais simples como filosofia e, aos poucos, venho ajudando pessoas a encontrar o seu próprio equilíbrio, através da busca de sentido em seus projetos de vida.

Com vocês, Leticia Carneiro como convidada especial no blog 

De tantas coisas aprendidas nesta jornada, quero hoje compartilhar três:
1)     O poder da escolha: equilibrar-se vem a partir de uma escolha. A sua escolha do que vai priorizar e o que vai abandonar. Não é possível fazer tudo. O tempo é limitado. Nosso corpo é limitado.  E sim, escolhas trazem conseqüências: menos dinheiro, menos segurança, menos poder, desagrado alheio. Mas a vida é agora e tão curta. Não espere a doença nem o sofrimento. Escolha ser feliz hoje.
2)     A precisão de ancoragem: equílibrio requer estrutura. Encontre a sua. Para mim: bons amigos, Pilates, alguma terapia.  Dançar, dormir, respirar.  Experimentar, escrever. Ancoragem é o que sustenta nossa coragem de escolher.  Prepare o corpo e o espírito para a jornada. Não é fácil manter o equilíbrio. Mas nada tem o sabor de uma vida do seu jeito.  Para sustentá-la, alma e corpo preparados…
3)     A força de experimentar: Quer mudar a vida para se reequilibrar? Pratique pequenas mudanças. Dê espaço para si mesmo. Tire férias. Diga algum não necessário. Experimente um pequeno gesto que te reequilibre: Uma caminhada na praia.  Cantar bem alto no chuveiro. Um cinema inesperado. Um pouquinho de recolhimento. Um sono bom. Vivenciar o corpo mais livre, mais feliz, mais descansado, é uma memória que alimentará sua coragem, sua perseverança.
Para fechar, um desejo: que você ouça a si mesmo. Desequílibrio vem de muito trabalho, de muita euforia, de muita dedicação, dos excessos. Desequílibrio é natural, até mesmo necessário. Mas se estivermos ouvindo nosso corpo e nosso coração, saberemos nosso limite: escolheremos o que é melhor para nós.  Ancoraremos nosso corpo e espírito.Experimentaremos o que nos reequilibra.

14.10.11

Thanks God it is Friday

Mas também quero agradecer pelo sábado, domingo, segunda, terça, quarta e quinta!
Hoje estou com o peito cheio de gratidão. Esta foi uma das semanas onde posso provar a delícia de uma vida variada, com amigos de vários jeitos e com atividades de todo tipo!
http://lyndasz.blogspot.com/

Veja se não concorda comigo:

Sábado: manhã na escola do filho, vendo a apresentação do projeto final dele, todo vestidinho de egípcio.
Lucrécio Brasil
Noite memorável: casamento da irmã, com direito à minha filha como daminha anarquista e dona da pista de dança.

Domingo:  Jornada Odisseia. Eu amo meu trabalho. Mesmo no domingo!

Segunda:  Dia de descanso. É um luxo poder descansar na segunda-feira.

Terça: Trabalhei bastante: blog, propostas. Adoro o que eu faço. 
E para fechar, Jongo e samba no Trapiche Gamboa, com as amigas da oficina de dança!!

Quarta: Mais trabalho de manhã, depois de distribuir presentes  reencontro com amigas da Roda de Mães, seguida por lanchinho caseiro com papai e boadrasta, após longo periodo...

Quinta: Almoço com a querida Tati. Mais tarde, encontro gostoso com minha amiga Lelê... Seguida de cacuriá e frevo, na oficina de danças brasileiras...

Sexta: almoço delícia com meu amigo Cadú, com direito a muitos planos!  Tarde deliciosa assistindo "Tambores" no Festival do Rio, cortesia de minha querida Beta Visconti... E ainda tenho um showzinho da Adriana Calcanhoto com meus compadres Érica e Luiz!

Poderia discorrer páginas e páginas com estes encontros que alimentam meu espírito. A maioria não me custa nenhum dinheiro e não atrapalha o meu trabalho. Sigo firme com meus posts, divulgando o Onionvation e o Odisseia, redigindo propostas de trabalho...

Hoje estou muito grata pela vida boa que tenho, com saúde para desfrutar de tantas possibilidades.  Sou feliz quase todo o tempo e, às vezes, esqueço de agradecer por tanta plenitude e oportunidade.

Mas tudo pode ser dito em menos, como aprendi com Leonardo Boff. Portanto:
Obrigada!!!

12.10.11

Qual é a coisa que mais te enfurece?



Nestes novos tempos, tenho tido mais temperança em meu coração.  Os antes tão comuns surtos de ira amainaram...
Mas...
Não consigo me aquietar quando vejo uma injustiça...  Estranhamente (?) não me transtornam tanto as grandes desventuras do mundo.
A fome, a pobreza, o abuso contra crianças, mulheres e doentes doem no meu coração, mas não me tiram do sério, não me jogam no ringue.
Por outro lado, a injustiça na minha esquina, com pessoas mais humildes ou sem possibilidade de defesa... Faxineiros, empregadas domésticas, prestadores de serviço... Meu espírito vira guerreiro de imediato e as palavras viram espada...



Adoro o vizinho. Adoro dar bom dia para o mendigo da rua (por que dinheiro não gosto de dar).  Adoro cumprimentar efusivamente aqueles que nos servem sem receber quase nenhum obrigado.
Ascensoristas, garçons, empregadas domésticas dos outros.


Também me dói insensibilidade.  O outro tem um coração, vermelho, sanguíneo, amador.  Merece carinho e cuidado, não descaso e desdém.
O que me enfurece é ver pessoas esquecerem o quão precioso e frágil é este coração alheio. Que tem a mesma cor, a mesma forma e a mesma possibilidade de amar e ser amado.
O que me enfurece é quem pensa que alguns merecem menos respeito, apreço e consideração do que outros. Todos somos igualmente merecedores.
Por isso distribuo sorrisos e bons dias, esperando alegrar aqueles que sofrem em silêncio com a dúvida de que valem muito.
Para mim, certamente valem.


Este é um post da série "6 Bilhões de Outros", inspirada neste projeto aqui.
Mais detalhes do projeto neste post.

10.10.11

Dizem que sou louca...

Meu último "por que não?" levou-me a um lugar mágico.  Fui ver a peça Nise da Silveira, Senhora das Imagens.
Conduzida pela alma sensível de minha grande amiga Lucrécia, enveredei por uma trilha de caminhos próprios corajosos, de arte e poesia.
Poderia falar muito sobre a  narrativa inspirada da vida de Nise da Silveira, uma guerreira amorosa por cuidados mais humanos com pacientes psiquiátricos. Ou do trabalho precioso da atriz-artesã Mariana Terra. Corpo multiforme. Expressão cravadora em nosso peito.
Poderia elogiar a luz sutil, o cenário preciso. Poderia fazer uma bela crítica teatral de um espetáculo diferente.
Mas não.

Prefiro falar do que assaltou minha alma, a ponto dos olhos encherem-se de lágrimas e o coração encher-se de  felicidade e espanto.
Fernando Diniz, Museu de Imagens do Inconsciente

Respeito ao legado
Acredito muito em honrar o caminho.  E o caminho de Mariana tem poesia e tragédia.  Seu pai, Rafaelle, liderou  a iniciativa "Andarilhos da Luz", onde o teatro era caminho terapêutico para pacientes do Instituto de Psiquiatria. Morreu cedo demais e o projeto sofreu o golpe.  Mariana conta a história de Nise, mas também conta a história de seu pai, homem cuja história não está no Google.
Mariana escolheu recordá-lo evocando sua causa, costurando as histórias de Nise, dela e dele. Lindo de ver e muito valente. Uma história de amor pelas pessoas. Uma história de amor de filha.

Cair, levantar.
Tanto Nise como Rafaelle enfrentaram obstáculos impensáveis para levar adiantes seus projetos.  Mariana também tem sua cota de sustos.  No entanto, não se vê pouca alegria. Senti a energia, o desejo de prosseguir, a poesia de quem pisou descalça em espinhos, mas pensou em rosas.
Um projeto ousado e ao mesmo tempo singelo.
Conheci o camarim e lá estão as fotos do pai, mensagens carinhosas e referências à Nise.
Não é uma peça comercial, alavancada na saborosa biografia de uma mulher interessante.
É um presente para nós construído sobre o passado de gigantes.
Senti-me mais forte para prosseguir em minhas próprias lutas.

Quem é louco aqui?
A certa hora, Mariana/Nise pergunta: "O que é um louco?". A plateia arrisca respostas e ela(s) nos devolvem: "não ouso definir a loucura".
No final da peça, conheço duas figuras fascinantes e engreno num papo animado. Lá pelas tantas, contam-me, casualmente, que são "loucos". Pressinto a tentação de julgar, assustar-me ou mudar meu  olhar. Resisto, inspirada pela experiência da peça. Afinal, quem é louco? Acredito que viver uma vida convencional, sem sentido próprio, sem aventura... Esta é de fato uma loucura bem grande.

Saio de coração expandido e mais alerta.  Deixemos nossos preconceitos, nossas velhas crenças. De tudo, o que vale é o amor experimentado e praticado. Amor de quem trabalha para os outros. Amor de quem dá valor a suas raízes.

Eu recomendo MUITO a todos.  Vão conhecer Mariana e seu trabalho. E é bem provável que conheçam um pouco mais de si mesmos...




Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro
Até 23 de outubro de 2011
Quinta a domingo, 19h

7.10.11

Sobre diamantes e sonhos


Novamente mergulhei em uma viagem por mim mesma. Novamente estive comAdriana Ferreira, num Workshop dos Sonhos.
É difícil explicar o que é este trabalho de autoconhecimento e sustentação da minha jornada.
Por isso, mais uma vez, prefiro contar sobre o que trago comigo.
tudojoia.blog.br

Primeiro, um novo sentimento, de mais conexão com meu feminino. De permitir-me dançar, perfumar-me, suavizar a voz, cantar para meus filhos.  Sinto-me mais desperta para esta possibilidade de delicadeza e falar baixo.
Também, muito mistério. Vontades de silêncio, novos segredos comigo mesma. Memórias de encontros.  Momentos mágicos.
E uma alegria, uma alegria inebriante.  Uma paixão renovada pela música, pela dança, pela poesia.
Um desejo de Adélia Prado, Guimarães Rosa.
Uma saudade de todos os sonhadores que partilharam sua vida comigo.
Viver mais simples requer ancoragem.  Requer um corpo inteiro. Alma costurada com ele.
Por isso sou grata por descobrir este caminho, esta prática de construir em mim mesma estrutura e coesão para navegar.
Sonhando acordada, posso ser mais eu e, ao mesmo tempo, ser mais do mundo.
Saio inundada pelo espírito fértil da primavera. Espírito de amizades redescobertas. E de novos amigos.
Trago em mim a memória de uma lua amarela em sorriso, de pés descalços na grama. Do aroma de rosas e mel.
Revelar-se é um presente, um fortalecimento necessário para retornar à rotina, ao trabalho, à dureza da falta de tempo e espaço.
Mas tenho comigo a minha forma, alongada em toda minha extensão. Sinto-me viva, íntegra e pulsante.
Já anseio pelo próximo encontro....
Para encerrar, uma música de nosso estar juntos, traduzindo este sentimento de pertencer à terra e a mim mesma.


5.10.11

Para ti, o que é o amor?


Para mim, o amor é o mais importante.
O amor por mim, duramente cultivado. Permitir-me, respeitar-me, encontrar-me.
O amor pelo outro, tão diferente de mim. O outro como ele é, sem expectativas, condições ou críticas.
O amor pela vida. A entrega ao hoje, a aceitação de nossa finitude, do presente que é estar aqui, da melhor forma que pudermos.
O amor pelos meus filhos, doendo dentro do peito, de tão forte e de tão imperfeito.
O amor é meu sangue, minha água, meu oxigênio.
Não conheço outro jeito de ser que não seja amando.
Vivo assim, despida, carregando meu coração nas mãos, fora do peito.
Ao alcance do frio, do vento e do medo.
Só me protege o amor.
No mais, estou nua sob a chuva.

Este é um post da série "6 Bilhões de Outros", inspirada neste projeto aqui.
Mais detalhes do projeto neste post.

3.10.11

Esquisita

Tenho andado meio esquisita.
Depois de ter me lançado no mundo por tantos anos, abraçado tantas pessoas... Quero estar um pouco mais só.
Quero conversar com uma pessoa de cada vez.
E nenhuma pessoa, muitas vezes.
Quero estar com estranhos, gente que mal me conhece.
Quero um tempo de quem me conhece (?) demais.
Quero dormir e acordar e andar muito devagar.
Quero fazer viagens sem pressa, sem turismo e sem muito planejamento.
pitangadoida.blogspot.com
A vida é um pulsar, aprendi com minha comadre. E me recordo de um tempo na escola, nos meus cinco anos. Eu era uma criança bem só e estranha, sentada na escada da escola. Sem muita tristeza, apenas sem jeito para as pessoas.
Mais tarde, com oito ou nove, escolhi vagar sozinha pelo recreio, catando conchas.  Assim, de repente.
Depois, nunca mais. Mergulhei de cabeça numa vida extrovertida, de energia inesgotável e alegre tagarelar.
Até agora. Agora o pulso voltou a este movimento para dentro. Ando assim, meio eremita.  Vontade de silêncios, de não dramas.  Longe de frivolidades, perto de banalidades.
Indo ao cinema sozinha. Almoçando sozinha. Contente em mim mesma, com preguiça dos outros... Um pouco.
É, ando meio esquisita. Por outro lado, minha vida está mais exquisita que nunca.
Saborosa, variada.  Repleta de cheiros, sabores, texturas novas.
Minha vida é meu  novo segredo, compartilhado comigo mesma.
Não me levem a mal, meu amor por vocês está bem abrigado. aqui no coração. E sigo aqui, peito aberto e janela escancarada.
Mas ando esquisita. Um pouco assim.