Mudando a direção da vela

Há coisas maiores do que nós. Muitas.
Por exemplo, não podemos mudar o vento.
Se é tempo de vendaval, não adianta lutar sozinho no meio do furacão.
Se é tempo de brisa fraca, não é hora de velejar.

Bom, para mim, é tempo de vendaval.

Sennen Cove

Criar um novo negócio enquanto educamos duas crianças pequenas, não é exatamente uma experiência despreocupada.
É preciso persistência e amor no plantio, nos dois casos.

Eu vinha equilibrando os pratinhos precariamente, esperando uma prometida ajuda doméstica para o final deste mês.
Revezamento quatro por quatro com o marido, sem respiro para os dois, sem dormir bem à noite.

O resultado: um declínio considerável na minha capacidade de escrever para este blog, para o novo site da Nutshell, para minha candidatura à contribuinte regular da revista obvious.

Ao mesmo tempo, minha impaciência e mau humor começaram a fazer seus estragos. Um verdadeiro inferno astral, bem antes da hora...

Foi quando recebi o golpe final. O tal auxílio doméstico não tem mais previsão de aparecer na minha vida.
Doeu forte na boca do estômago. Mas crises são bem-vindas, elas trazem a oportunidade de solução.

E a solução foi navegar a favor do vento.



Já estou colhendo frutos da boa escolha em aceitar as intempéries da jornada.  Meu barco já se aprumou, o humor melhorou e já estou dormindo melhor.
O trabalho já sai mais fácil e parei de perder energia em revoltar-me com a vida e com os outros.
Foco no plantio, compaixão por mim e pelos demais navegadores.

Não posso mudar o vento. Mas posso controlar a vela.


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