O meu lado negro

Antes mesmo do mundo ser tão edulcorado ou politicamente correto, já buscávamos ser bons meninos.
O diferente, o imperfeito e o azedo sempre foram incompreendidos.
Eu  sei bem, filha mais velha buscando aprovação que sempre fui.
Tenho refletido muito sobre meu lado negro.  Aliás, tenho vivido alguns surtos agudos de imperfeição.
É desconfortável, mas estranhamente libertador.

Já falei de um piti histórico há alguns meses atrás, contra um grupo incauto de adolescentes barulhentos.
Também já disparei farpas contra meu pai. o marido, um ou outro irmão. E volta e meia me pego tramando alguma pequena maldade (As grandes, não tenho coragem).
Bom, não é mais segredo.
Sim, admito que pratico os sete pecados capitais. A gula com mais frequência, é bem verdade.
Sim, confesso meus crimes e confesso também o alívio de tê-los perpetrado.
Sim, desejo ser um ser melhor, almejo a santidade. Mas falho, miseravelmente e a todo instante.
Por melhores que sejam minhas intenções, minha carne é fraca.Como não seria, se é carne?
Dia sim, dia não, contradigo as frases inspiradoras que eu mesma posto no facebook.
Redimo-me (ou tento) expondo a minha crua verdade: é nisso que acredito, mas nem sempre consigo.
Fracasso, perda, erro, arrependimento.
Todos fazem parte do meu vocabulário, lado a lado com o inexorável medo.
Assim sou.
Ufa.


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