Fazer fronteira

Uns gostam de brincar dentro de casa. Mergulhar em livros, meditar no silêncio, viajar nos filmes.
Aconchegados no sofá da sala, refletem sobre o mundo e pensam bons pensamentos.

Eu não.  Sou sedenta por aventuras. Adoro o quintal, o horizonte, o lá fora e o bem longe.
Adoro gente. Nova, velha, doida varrida.
Adoro conversar, abraçar, rir, dar gritinhos de alegria.
Sou assim.
Mas estou aprendendo outras coisas:
Fazer fronteira, para não me embolar no outro e com o outro.


Para não vazar de tanta abundância. Não perder o tom e curtir uma ressaca daquelas, de ter ido além do limite.
Falar mais do que devo. Dar mais do que posso.
Estou aprendendo.
Estar dentro e fora. Entrar e sair. Abrir a porta e fechar.
Meu dentro é vasto, talvez mais vasto do que os campos que anseio por explorar.
Nesta valsa, redescubro quem sou e o que dou conta de ser.
Minha fronteira é amiga dos viajantes e dos turistas visitantes. Mas esta é minha terra e é preciso cuidá-la...
Bem-vindo ao meu continente...
 Por favor, explore com cuidado.

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