WDS por Lucrécio Brasil

Hoje tenho um convidado muito especial aqui no blog... Lucrécio é meu companheiro de aventuras há quase vinte anos. E a última delas foi irmos juntos ao World Domination Summit.
Eu  já dei minha versão sumarizada do evento e também contei um pouco do charity:water.  Hoje é dia do Lucrécio compartilhar como foi a experiência para ele.
Imagem: Simxer Fernandes
O WDS não é um evento apenas para pessoas que não querem trabalhar em organizações.  Lucrécio é muito feliz no seu emprego na Infoglobo e pretende usar as provocações do evento para estimular o seu próprio trabalho e o de sua equipe. Em suma: o WDS não é só para os sem-crachá!

Ele conta agora sobre o primeiro dia:


How to live a remarkable life in a conventional world?

A frase aí de cima é o ponto de partida do World Domination Summit. Um evento idealizado pelo escritor Chris Guillebeau (autor do livro TheArt of Non-conformity) que reuniu artistas, estudantes, empreendedores e qualquer um com a intenção de compartilhar suas histórias e aprender um pouco mais sobre como levar uma vida alinhada com seus valores e a serviço dos outros.

Para participar da discussão, eu e a Leticia viajamos onze mil quilômetros do Rio de Janeiro até Portland no Oregon. Durante dois dias, vivemos intensamente esta experiência, ouvindo palestras, painéis, cantando, participando de workshops, uma première e até dançando Bollywood style.

É um pouco desta aventura que quero contar para vocês...

Dia #1

"Don't stop believin'

Hold on to the feelin'"

Após a recepção, a primeira palestra foi com a Dr. Brené Brown, uma pesquisadora da Universidade de Houston que se dedica ao estudo da vulnerabilidade. Sua mensagem foi que, sempre que tentamos parecer “cool”, nos distanciamos, tentamos nos desconectar da situação para não sofrermos. O importante é ser “uncool”, ter uma postura aberta e engajada. Poder dizer ao final do dia “Eu contribuí mais do que critiquei”. 
Terminamos todos (1000 pessoas) cantando “Don’t Stop Believin” do Jouney.

A segunda palestra foi do Scott Harrison que contou sua história que passa por problemas familiares na infância, uma juventude como promoter de clubes em Nova York até fundar a charity:water, dedicada a trazer água potável para pessoas nos países em desenvolvimento. Com uma visão extraordinária de empreendedorismo, percebeu que uma das grandes resistências das pessoas em doar para caridade é a percepção de que o dinheiro não é destinado à causa inicial. Então montou um modelo aonde 100% do dinheiro de doação públicas vão para o objetivo principal da instituição e as despesas operacionais são custeadas por patrocinadores. Mais que isso, com o uso de GPS e redes sociais tornou possível para os doadores verem exatamente onde o dinheiro foi investido. Deixou uma impressão de que sempre é possível servir, inovar e mobilizar.

Após um breve intervalo, foi a vez de uma entrevista com Susan Cain, autora do livro “Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’tStop Talking”, algo como: "Quieto: O Poder dos Introvertidos em um Mundo Que Não Para de Falar”. Declaradamente uma introvertida, Susan deixou algumas boas reflexões:

 Após o almoço, cada participante se encaminhava para um dos 80 workshops que aconteceram durante o evento. Os workshops falavam sobre vários temas: minimalismo, como gerenciar a carreira, como começar um negócio, bate-papos com vários dos palestrantes, fotografia e até Yoga.

Olha eu aí fazendo a primeira aula de Yoga da minha vida (dica: sou o indivíduo iluminado bem à direita).
Imagem: Armosa  Studio

Meu segundo workshop foi exatamente uma conversa com a Brené Brown (a primeira palestrante). Ela voltou no tema da vulnerabilidade respondendo as perguntas da plateia. Acabamos aprofundando mais o entendimento como, por exemplo, que devemos compartilhar nossas vulnerabilidades, mas apenas com as pessoas que merecem este direito. Vulnerabilidade não é a mesma coisa que exposição (tão comum nas redes sociais). Também estabeleceu uma diferença importante entre o que é vergonha (Eu sou ruim) e culpa (Eu fiz algo ruim), e que a segunda forma é mais poderosa para motivar comportamentos e mudanças.

What’s worth doing even if you fail?
(O que vale a pena fazer mesmo que você falhe?)
Bené Brown

Feitos os workshops, voltamos para o salão para um painel com vários empreendedores com o tema “$100 Startup Forum”, conduzido pela Pamela Slim (autora do livro “Escape FromCubicle Nation”). Neste fórum conhecemos as histórias de várias pessoas que empreenderam. Ficou claro que não existe um caminho único: teve um que foi demitido, outra se demitiu e teve um que desenvolveu seu negócio bem sucedido e até hoje continua no seu emprego feliz. Todos concordaram que é preciso começar, criar uma história que gere engajamento, descobrir sua expertise (seus superpoderes) e ter metas.

Fechando o dia, a palestra de Scott Belsky, eleito em 2010 pela revista Fast Company uma das 100 pessoas mais criativas no mundo dos negócios. Seu tema não poderia ser mais importante: como fazer as idéias acontecerem. Numa abordagem super prática, passou várias dicas para aumentar as chances de ver as suas ideias acontecerem:




A new survey shows the average person tells four lies a day, or 1,460 a year and the most common is: “I’m fine.”
(Uma nova pesquisa indica que, em média, uma pessoa conta quatro mentiras em um dia, ou 1.460 por ano. A mais comum é: “Eu estou bem.”)

Para fechar o dia fomos ver a première do documentário “I'm Fine, Thanks”. Em um cinema pequeno e super simpático (Mission Theatre) onde, ao no lugar de filas de cadeiras, mesas. E um bar dentro da sala que funciona durante toda a sessão. Na tela, histórias de pessoas que pararam de responder “Eu estou bem” para tudo, avaliaram suas escolhas e decidiram agir. E também das mudanças que estas novas escolhas geraram. Não foi surpresa ver na tela depoimentos de pessoas que estavam lá no evento.

E foi isso no primeiro dia. No próximo post, o segundo e último dia.


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