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Empreendedora. Consultora em Organização de Ideias. Escritora. Profissional com 15 anos de experiência em grandes corporações.

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31.5.12

Telegrama para mim mesma (ou nós?)

Querida Leticia
Que boa é a vida. Que longa a jornada. Mas vale a pena, cada passo e tropeço.
O dia foi longo. A noite promete descanso profundo e sem sonhos.
Acordada, amanhã, sonharei mais. Mais fundo, mais forte e sempre.
Que o sonho, alimentando nossa vida, nutre o caminho.
Caminho de pedras, minhas pedras queridas.

Beijo grande,

Leticia

29.5.12

Quem sou eu?


Recentemente estive num Congresso de RH pela primeira vez. Foi em Blumenau e foi uma experiência maravilhosa.
Aprendi muito e conheci pessoas admiráveis, buscando um caminho com sentido e de verdade, como eu busco o meu, todos os dias.
Senti-me parte de uma irmandade maior e meu coração encheu-se de alegria.
Um dos privilégios que tive foi ver o Rogério Cher falar sobre "Pessoas saudáveis-Organizações Sustentáveis". 
Uma das histórias que ele contou mexeu  demais comigo, a ponto de eu me desmanchar em lágrimas no meio do plenário...
Foi a história de uma entrevista com um candidato, onde Rogério simplesmente perguntou:
 "Quem é Você?"
Ele estava verdadeiramente interessado em saber quem era a pessoa por trás do currículo e do crachá. E pegou o candidato de surpresa: "Esta é uma pergunta muito difícil...".

Chorei porque me lembro bem de quando eu também não sabia quem eu era e vivia uma vida atropelada por mim mesma.
Chorei porque  hoje eu  sei mais quem eu  sou. E reconheço que estou sempre em mudança  e posso ser um pouco diferente amanhã.
Chorei de profunda gratidão.
E hoje usei esta reflexão para contar quem eu sou, enviando minha candidatura a uma bolsa de um evento sobre Justiça organizado pelo Instituto Amana-Key de Oscar Motomura. O Amana-Key é um grande centro de desenvolvimento humano, onde pretendo aprender um pouco mais sobre mim e sobre os outros.
Sem mais delongas, o texto na íntegra:

"Meu nome é Leticia. Carneiro da Silva, para começos mais formais.
Minhas raízes fundas estão ancoradas na história de meus avós Celso, Gisela e Regina.
Sou filha mais velha de Alberto e Patricia.
Amor da vida do Lucrécio há 20 anos.
Mãe em construção do Léo e da Olivia.
Ex-executiva de planejamento estratégico da Souza Cruz e da Johnson e Johnson.
Reinventando o meu caminho desde 2009, criando uma viver mais simples e uma vida com mais sentido.
Desde 2010 experimentando novas possibilidades de atuar no mundo com a Nutshell Estratégia.
Organizadora de ideias: lapidando a vocação de ajudar pessoas e negócios a frutificar, através de:
Evidenciar dilemas.
Fazer boas perguntas.
Iluminar boas respostas.
Co-criar caminhos para uma vida com mais sentido e realização.
Justiça para mim é uma forma de partilhar os presentes do mundo entre todos, de forma colaborativa e onde todos possam ganhar. Justiça é distribuir de onde há mais para onde há menos. Justiça é premiar o esforço, os valores, o entusiasmo, o sonho de bom tamanho.
Minha motivação (para o evento): aprender mais para poder fazer um mundo mais justo. Receber sabedoria.  Compartilhar calor humano e vontade de mudança para melhor.
Sou uma aprendiz no ofício de ajudar pessoas a encontrarem seu melhor lugar no mundo. Ávida por bons mestres e parceiros de jornada.
Conheça um pouco mais de meus valores e crenças: vivermaissimples.com e nutshellestrategia.com.br"

E você? Quem é você?

24.5.12

Simplesmente livre

Hoje sinto-me simplesmente livre.
O título podia ser "Sem lenço e sem documento", mas seria insuficiente para expressar esta emocionante amplitude de possibilidades somada a uma aguda vulnerabilidade.

Moonlit Ride by SaintMaria666
Hoje encerrei um contrato que me fez sofrer muito no último ano: demiti uma pessoa não fazia mais sentido na minha vida e libertei nós duas.
Este mês também cheguei no "breakeven" da Nutshell. Em português, isto quer dizer que o que ganhei igualou (e superou um pouquinho) o que investi até agora.  Mesmo com alguns erros exuberantes...

Tudo tem um preço e o meu preço é estar com a conta virtualmente zerada.
Virtualmente porque sigo com uma reserva dos tempos executivos, mas evito ao máximo recorrer a ela.
Recorri até às reservas do meu filho, para segurar o fluxo de caixa...
Mas estou feliz, serena e confiante.  Há pagamentos importantes por vir e já, já quito a dívida com o filhote.

Este "zerar" tem muito significado para mim.
Eu não recomecei minha jornada profissional do nada, já que acredito que tudo me serve.  Por acreditar nisso, sou muito grata por meu caminhar até agora: a vida executiva, os erros e acertos da estrada.
Mas de alguma forma, agora é como um novo tempo, sem alguns pesos importantes.
Agora a conta é do que entra e sai a partir de hoje.

Minha vida doméstica inicia uma inédita liberdade onde,  pela primeira vez em mais de dez anos,  não tenho empregada doméstica de carteira assinada. Assumi um estilo "europeu" e estou tentando viver só com minha diarista eventual. É trabalhoso, mas até agora está compensando.

Sinto-me leve.  A tentação é de palavras como triunfante, exultante, etc.
Mas não é  nada disso.
É uma felicidade de bom tamanho, uma gratidão mesmo por ter chegado até este momento onde simplesmente não devo nada.

Sinto-me liberta de um peso massacrante.
Minha conta bancária enxuta me relembra humildemente do tanto tenho que trilhar.  Mas caminho sem levar pesos nos meus pés.
O que eu criar, virá limpo, puro, sem máculas, para minhas mãos.

Mês de maio, mês de libertação.

Sinto-me inundada por novos caminhos.  De alma leve e com muita vontade de continuar.


22.5.12

Amor, Meu Grande Amor

Hoje meu filho mais velho faz sete anos.
Lembro-me, emocionada, de meu aniversário como mãe.
Invoco este amor profundo, doído, que me deixa vulnerável como se suspensa sobre o abismo.
O afundar-me maravilhoso em amor sem medida, incondicional,  amor que mal cabe no peito da gente, mas cabe.
Lucrécio Brasil
Sentir este amor, viver este amor... Evoca em mim outros muitos amores que trago em mim.

Amor redescoberto. Amor escondido em nosso dentro, reflorescendo após tempestade, pacto antigo reinventado.
Amores adormecidos em silente espera. Por um melhor momento, nutridos na esperança de fazer sentido novamente, de proximidade, de entendimento.
Amores de gratidão cultivada por anos de convívio e construção.
Amor por nós, pela imperfeição temida, pelo possível de cada um.
Amor pela estrada, pela caminhada. Pela coragem e pelo medo. Por nós, nus, no vento.

Cada amor tem seu  tempo, seu expressar no mundo.  Alguns mais possíveis, outros difíceis e doloridos. 
Amor que dá sentido à jornada, que dá sabor ao caminho.

Amor é simples. Amor é o que move neste mar revolto.

"Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida"
Carlos Drummond de Andrade 

15.5.12

A pedra nossa de cada dia

"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra."

Carlos Drummond de Andrade

Assim vivemos nossas vidas.  Escalando pedra após pedra.
Humanos que somos, nos apegamos ao suor da subida, à dor, ao esforço.
Façamos diferente hoje.
Tunda Vala, Angola | David Ligeiro













Celebremos as pedras que ficaram para trás.  O descanso merecido ao vencermos mais um obstáculo.  A comemoração de mais um passo avançado, nesta tortuosa estrada de nosso caminhar.
Meu convite é o hoje.  Fiquemos um pouquinho aqui, degustando este sabor de ter conseguido mais um pouco.  De termos alcançado um novo lugar, com as cicatrizes e aprendizados da batalha.
Vamos dançar sozinhos em incontido júbilo. Ou vamos respirar profundo e aliviados, com um sorriso discreto.
Vamos convidar os vizinhos para um copo d'água comemorativo. Ou vamos sair pelas ruas cantando em voz alta como é delicioso deixar mais uma pedra para trás.
Aquela pedra.
Aquele dilema familiar. Aquele encontro temido. Aquele trabalho terrível.  Aquela conversa difícil.
Aquela pedra foi tanto sofrimento, mas agora é boa lembrança.
Conseguimos.  Conseguimos, mais uma vez.
Apesar do pessimismo, do cansaço, de quase termos perdido a coragem. Apesar do choro sentido ou dos olhos secos.
Agora passou.
Fiquemos aqui, à sombra desta pedra amiga.
Ouçamos seus bons conselhos, por que a próxima pedra se avizinha.
E estaremos prontos. Mas por agora vamos ficar por aqui, aproveitando este silêncio.
A paz da pedra que foi.

10.5.12

Um conto de fadas diferente


Semana de dia das mães, bom momento para homenagens.
Já falei de meus avós e de meus pais. Hoje quero contar um pouco do meu conto de fadas. Minha história de mocinha e boadrasta, um caso raro de encontro num mundo de novas configurações familiares.
Histórias de madrasta geralmente são dramáticas. Seja Branca de Neve ou Cinderela, seja na vida real, há mais histórias de terror do que “felizes para sempre”.
A minha história é diferente.
Começou há quase trinta anos, quando Marília casou-se com meu  pai.
Foi um começo desconfiado, de medir forças e rebeldia (de minha parte...).
Eu nunca fui muito mansinha e ela teve que impor limites.  Um regime de ferro, para domar três crianças adaptando-se a viver numa nova cidade, com uma nova dona da casa.
Com o tempo, fomos nos entendendo.
Primeiro, nasceu o Caio, meu irmão caçula e presente inesperado.
Depois, fui crescendo e aprendendo a apreciar as muitas virtudes desta mulher guerreira e amante de uma boa aventura.
Marília me abriu as portas para o mundo das viagens, incentivando meu pai a nos mandar para a Disney. Eu fui a primeira, com meus onze anos.  Até hoje amo viajar e AMO a Disney. 
Obrigada, Marília.
Foram muitas as lições que aprendi  com ela (e sigo aprendendo), mas com a minha maternidade, a relação tornou-se ainda mais especial:
Quando tive minha filha caçula, sugeriram que meu marido dormisse com meu filho, enquanto eu estivesse no hospital. Assim Léo se ressentiria menos com a perda do reinado absoluto...
Acolhemos a ideia e minha madrasta foi fiel acompanhante, acordando a qualquer suspiro, dando bronca nas enfermeiras, uma leoa cuidando dos meus interesses.
Hoje ela é um apoio inestimável, nos lanches de domingo onde cuida do jantar das crianças, nos recebendo a toda hora... Dando uma folguinha para um programa rápido com o marido, ou mesmo uma pequena viagem.
Todas as semanas trocamos um pouco, nesta história de mulheres que se ajudam e caminham de mãos dadas.
Tive chance de retribuir modestamente um pouco de tudo isso, quando tive a honra de discursar em nome da família dela, na cerimônia de despedida de sua irmã mais velha.
Foi um momento  bonito e difícil, onde pude homenagear Marília e a família Guimarães, que me adotaram tão fundo no coração.
Nossas histórias estarão para sempre entrelaçadas e eu cada vez mais grata por tudo:
As caretas que ela fazia em família. Os presentes para a casa, as indefectíveis “lembrancinhas” em cada retorno de viagem... O Papai Noel do Natal, a casa enfeitada a cada ocasião especial... A preocupação com a família, o amor incondicional pelo meu pai. A dedicação profissional, a vontade inesgotável de ajudar.  O bom humor, a generosidade e a paciência...
Obrigada, minha boadrasta querida. É um presente ter você em minha vida.
E não fique  brava com esta declaração de amor pública, que sei que você é modesta... Mas precisava contar para o mundo o como sou grata a você!

8.5.12

Sobre centauros


Ajudar quem precisa é um trabalho nobre, mas traz um quê de sofrimento.  Afinal, é preciso mergulhar um pouco na dor do outro, para apontar possibilidades de realização.
Quase todos os dias conheço novas histórias de quem está na luta por encontrar seu caminho. Pessoas cansadas de ter um trabalho que paga as contas, mas não alegra o coração.
Todos os dias eu tento o meu melhor para contribuir nesta busca por ser herói da própria jornada.  Construir uma carreira alinhada com o sonho de cada um.
Mas são poucos, muito raros mesmo, os dias  em que  conheço alguém que conseguiu. Alguém que venceu o medo, enfrentou as pedras da escalada. Alguém trabalhando no que realmente gosta, mesmo sendo pouco convencional e muito árduo.
Hoje foi um dia desses.
jardimdeom.blogspot.com

Estava no meu voo para São Paulo, ainda ruminando não ter fechado a turma da Jornada Odisseia.  Foi quando vi um rapaz muuito alto e pensei. Tomara que ele não sente aqui, somos dois grandalhões...
Claro que ele sentou ao meu lado. E não me apertou.
Lá pelas tantas, eu consegui derrubar coca-cola nele.  Foi o começo de uma conversa que me emocionou muito e virou este texto.
João Paulo é jogador de pólo profissional.  Ama cavalos, que conheceu com seu pai, ex-jogador.
Apesar da história paterna, não recebeu grande incentivo para se profissionalizar. Histórias tristes de esportistas mais antigos assustavam seu pai.
Tentou um trabalho mais “normal”. Graduou-se em Economia, foi trabalhar em banco.  Mas não suportou.  Pensava em seus cavalos, no sítio, em tudo... Menos o dia a dia do escritório.
Buscou conciliar agenda de competições com vida de 9 às 17h, mas haja férias...
Então, assumiu sua vocação e foi.
Foi buscar seu sonho de estar com os cavalos e competir. Experimentar novos desafios, viajar, se superar.
Sua família não incentivou tanto no começo.  Mas ele não se acovardou: vendeu  seu carro e bancou a primeira grande viagem para competir.
Ainda hoje é duro. O pólo é um esporte pouco reconhecido no Brasil, considerado de elite... Profissionais são sub-valorizados, falta patrocínio.
Mas quando falávamos de cavalos, seus olhos brilhavam e eu quase ouvia o suave respirar de um animal dentro do seu coração.
Contou-me de uma vez que doou um cavalo para um menino tetraplégico, para trazer um pouco de magia para a criança.
Contou-me que já realizou muitos sonhos de bom tamanho, com uma modéstia impressionante para um jovem de 35 anos.
Não se chateou com a calça manchada de coca-cola... “Vou sujar mesmo”.
Simples assim.
Saí com meu coração leve: “Obrigada por sua história”. Precisava ouvir isso. Precisava renovar minha fé, recordar o que me faz prosseguir no caminho de organizar ideias a serviço de uma relação mais feliz com o trabalho.
Obrigada, João Paulo.  Muitas vitórias e muitos bons momentos. Que você nunca tenha que abandonar sua vida de centauro.

3.5.12

Cair, levantar


Quem não teve um  sonho frustrado? Um projeto querido que não avançou?
Quem não esperou por uma resposta que nunca veio. Uma carta (ou e-mail ou telefonema) que nunca aconteceu?
Aconteceu comigo esta semana.  Estou passando pela tristeza de ver um  desejo não se realizar.
Planejamos uma Jornada Odisseia em São Paulo.  Trabalho por que ansiei duplamente:  a cidade mora no meu coração e este workshop é minha (co)criação profissional predileta.
Mas não vai acontecer...  Não tivemos inscritos, nem os convidados especiais puderam participar...
É duro.
No entanto, mais duro é se deixar afundar no sentimento de perda, culpando a si mesmo ou ao outro.   
Ainda mais duro é não aprender com a experiência. Pois aí, sim. Não sobra nada.
Ainda estou curtindo um certo luto, é claro. Também sinto um pouco de vergonha, um certo constrangimento.
Porém não pretendo esquentar lugar no chão, que eu gosto é de caminhar:

     Para não perder a viagem
Eu já tinha previsto usar alguns dias para rever amigos, plantar novas sementes do meu trabalho.
Apesar de ter deixado para última hora,  rapidamente minha agenda se encheu de cafés e almoços com pessoas queridas. Culminando com uma festa de aniversário de minha incrível amiga Raquel...  Um tributo a amizades amorosamente cultivadas em meus sete anos paulistanos...
         
          Aprender, aprender
O que eu poderia ter feito diferente? O que pode ser feito no futuro?
Já identifiquei algumas hipóteses e muitos próximos passos:
Creio que meu  novo trabalho ainda não foi suficientemente semeado em São Paulo.  Não encontro tanto as pessoas de  lá, minha história ainda está sendo recontada.
Por isso pode ser que a estratégia seja outra. Talvez continuar com as visitas para apresentar o que é organização de ideias para construir um corpo de trabalho e, a partir daí, conhecer interessados na Jornada Odisseia.
Para isso, há bastante a ser feito: fechar o site, organizar a agenda de visitas... Cocriar estratégias com meus  parceiros Érica e Gian. Ouvir meus mentores formais e informais.
E também sugestões de vocês, meus amados leitores!
          
          Fazer do limão, uma limonada
Tempo é recurso escasso para mim. Agora tenho uma avenida aberta no sábado, onde poderei adiantar os textos do site, caminhar com  alguns projetos.
Pretendo usá-la bem e com gratidão, que o acaso há de ser respeitado.
         
         Reconhecer os louros da jornada
Na mesma semana em que cancelo o evento, recebo novos contatos de pessoas interessadas no projeto Odisseia. Pessoas que receberam elogios de workshops  passados.  Profissionais em busca de conhecer o que fazemos e como fazemos.
Convite para iniciar novas frentes: no Ensino Médio, na Universidade.
Uma nova cliente para organização de ideias... Uma antiga cliente, retornando  para um novo trabalho.
Projetos em andamento, desafiadores e sensacionais.

A vida é boa. Doída, às vezes. Afinal, quem disse que é fácil ser herói?
Sigo na luta. O caminho é longo e cheio de sombras. Mas vou alegre e otimista, porque este é o meu caminho. Escolhido, cultivado, amado.
Levanto. Que há muito chão a percorrer e mal posso esperar.