Travessia


Medo. Cansaço. Doença. Tédio. Tempos de vacas magras.

Todos nós já estivemos mergulhados nestes momentos. Algumas vezes, uma fina névoa atrapalhando o caminhar. Outras,  breu puro mesmo, sem pista do que vem por aí.
Houve um tempo em que eu pensava: não ter mais medo. Não estar mais cansada. Não ser escrava das miudezas da rotina. Preto ou branco. Sim ou não.  Tudo ou nada.
Até descobrir que nunca me veria livre para sempre. Voltariam um dia.
Então aprendi a atravessar. Pacientemente. Diligentemente.
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É inútil  perseguir a eliminação completa e miraculosa do que nos agonia.
A vida é feita destas ondas de sentimentos bons e ruins, ás vezes engolfando a gente num abraço bruto.
Então, é preciso atravessar.
Atravessar requer algum preparo.  Juntar víveres, energia. Preparar o espírito. Ser resiliente.
Mas ali, mais na frente, está ela. A borda. O porto de chegada.
Uma crise no casamento? Atravessemos.
Doença  na família? Atravessemos.
Momento duro no trabalho? Atravessemos.
Bolso vazio? Atravessemos.
E a cada passo, braçada ou bater de remos, estamos mais perto do outro lado.
Não precisamos atravessar sozinhos, podemos pedir ajuda. Podemos parar para recobrar o fôlego, se estiver díficil.
Logo ali adiante, há um farol dissipando a neblina.
Atravessemos.
E a vida seguirá, embebida da riqueza da jornada. Vitoriosa por mais uma etapa vencida neste caminho nosso de cada dia...


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