De olhos bem abertos, por Marcella Linhares

Hoje o blog recebe uma visitante especial: Marcella Linhares é Odisseyer em busca de sua expressão no mundo. Sua arte é a escrita, portanto convidei-a para compartilhar seu amor pelas palavras aqui, conosco.
Acolham com carinho a querida Marcella, na busca por seu caminho próprio. Quem gostar, mande comentários, para incentivá-la na  jornada!
Com vocês, Marcella:





Um dia Maria resolveu abrir os olhos para valer. Tanta coisa antes passara despercebida por ela. Um mundo inteirinho de acontecimentos que suas retinas distraídas não registravam. Tanta gente passara por ela sem deixar uma marca, sem causar uma impressão. A vida passara correndo por ela até então.
Aprendia a estar mais atenta ao momento. Apreendê-lo e transformá-lo em grande. As pessoas que faziam parte da vida dela de maneira invisível ganhavam brilho inédito. A moça que arrumava a casa, e que já se acostumara a ser imperceptível, passava então a pertencer a ela também. Mais do que serviçal, era tão cheia de nuances e detalhes. Como não percebera antes? Sofreria, como se perdesse alguém da família, se ela pedisse demissão.
Demolia, pouco a pouco, um muro invisível que existia entre ela e o resto do mundo. Ninguém mais passava despercebido para ela. Deixava-se então acumular de pessoas em sua vida. Sentia apreço por cada uma delas. Cada sorriso desconhecido despertava nela uma alegria inaudita.
Dava trabalho ser assim e custaria muita emoção, mas ela não poderia voltar atrás. Finalmente descobrira que a cegueira tem cura.  





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