Mulheres, guerreiras, santas, mães, Letícias... por Marcelo Madarász

Conheci Marcelo nestes improváveis encontros da vida. Estávamos num Congresso em Blumenau e foi amor à primeira vista.  Sua intensidade, olhar aguçado e curiosidade infinitas imediatamente nos conectaram.
Através de seu super-poder de garimpeiro de ideias, conheci novos conteúdos e experiências inesquecíveis... E nos despedimos assim, em 2011.
Eis que reencontro Marcelo este ano, agora no Rio.  O vínculo estava lá, como se fosse ontem.  Emocionada com o reencontro, convidei-o a destilar sentimento e aprendizado num texto próprio. Encontrar sua voz em meio a tantas referências e insights borbulhantes. Ser ventríloquo de si mesmo.
Ele aceitou o desafio e este post é o resultado.
Recebam-no com amor.


Manoel Carlos possuía suas Helenas. Chico também já as cantou e sobre elas nos encantou, não só Helenas, mas também Marias, Clarices, Anas e tantas outras... Não sou Maneco, não sou Chico e não possuo ninguém, mas não é sobre isso que quero falar- estas ausências físicas podem ficar para outro momento. Apesar da ausência física, elas ocupam mentes e corações e, às vezes, me tomam como verdadeiros aforismos ou epifanias...

Poderia falar mais sobre Deises, já que para mim ela é o maior porto seguro- esta espécie de ponto de referência neste mundo. Poderia falar de Margaridas e Lúcias, já que aprendi com mestres a honrar o passado. Nelbeas, de nome incomum e caráter afim, Cristinas, minha irmã e meu braço direito na trajetória do trabalho, Monicas, seja a que partiu (minha primeira grande perda), seja minha irmã espiritual e luz, que acaba de trazer ao mundo Clara.

Poderia falar de Claras, a filha da Monica, Leilas, Kellys, Karinas, enfim, são tantas estas santas, guerreiras, mulheres, luzes, mas hoje, ainda sob emoção da despedida de Lívia, que não conheci, mas poderia e lamento não ter tido a oportunidade, nesta véspera de dia das mães, pensando na minha mãe, que está em casa esta hora, pensando na mãe de Lívia, que também deve estar em sua casa, e nas Leticias da minha vida, resolvi escrever para elas.

Isso que escrevo é uma resposta à Leticia Carneiro da Silva e um presente para ela, uma delicadeza para quem, desde que conheci em Santa Catarina (éramos ambos palestrantes num congresso) só me presenteou com sua presença, seu carinho, Érica e agora, mais recentemente, Tatiana Lemos, de quem certamente eu também adoraria escrever pensando em tudo que vivemos (nestes dois intensos dias), e também em tudo que viajamos juntos e que ainda viveremos.

Letícia pede para que eu deixe de ser ventríloquo dos meus mestres e produza algo meu. Algo que ela adoraria ler em seu blog. Como diria Terezinha Rios, Letícia é uma mulher da maior qualidade. Quando penso nela, em Terezinha, em Maria Diva, em Del Mar, só tenho a agradecer por ser presenteado com estas luzes que delicadamente diminuem momentos de escuridão... Só tenho muito a agradecer... Lilians, Ketanas, Eunices,Clarices, Terezinhas... Guerreiras... Letícias...

A segunda Letícia sobre a qual quero falar é Letícia Madarász. Não será aqui o meu objetivo escrever sobre os dramas familiares, as tragédias, as odisseias, mas Letícia é minha irmã, tem vinte e poucos anos e eu não a conheço. Como estamos em 2013, algo impensável há alguns anos, mas nos falamos virtualmente e nunca tivemos a coragem, ousadia, ou seja, lá o que for necessário para rompermos a barreira do virtual e nos conhecermos realmente. Letícia, eu e Cristina (ou Denise) somos filhos do mesmo pai, a quem não vejo há muitos anos- mas esta é outra história...

A terceira Letícia é uma bailarina... Não é só o Chico que tem a sua. A minha é Letícia Moreira, outra mulher de muita qualidade, cercada de pessoas idem e sempre com uma frase engraçada, um humor ácido, inteligente, mas apesar de ser guerreira de Iansã, sempre uma sensibilidade disfarçada e um carinho e delicadezas pouco óbvios, fora isso, um sorriso e caras e bocas. Uma bailarina na vida... Temos muitas coisas em comum e quem sabe um dia eu fale delas, num dia mais “tons de cinza”.. Risos... Letícia aprendeu a amar Caio Fernando comigo e eles tem também algumas semelhanças. Caio querido, se estivesse entre nós seria a primeira pessoa a quem eu enviaria este texto após as quatro Letícias, mas o Caio não está mais aqui. Como disse Frei Betto, Caio buscou a luz e, agora, mergulha na aurora. Procurou a fonte e, agora, embebeda-se de amor. Teve fome e sede de plenitude e, agora, Deus o acaricia terna e eternamente. Não vou escrever mais sobre Caio, mas o que Frei Betto escreveu sobre ele, é absolutamente possível de ser estendido à Lívia Rodrigues, guerreira que foi homenageada hoje em seu sétimo dia de passagem. Um anjo precoce, irmã de minha quarta Letícia.

Letícia Rodrigues é guerreira e tem asas (acho que essa tatoo foi feita num de seus momentos reacionários). Letícia é mulher camaleão e por trás daquela cara às vezes brava, da garra de tomar a frente e decidir as coisas, de enfrentar os problemas, há uma doçura e verdade que só podem ser percebidas, sabidas, sentidas, gostadas e desfrutadas por quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. Letícia é engraçada, é forte e agora mais que nunca precisará desta força para fortalecer seus pais e as pessoas próximas- mas isso não chega a ser um desafio inédito para esta guerreira. Ela sabe fazer isso e tenho certeza que sairá sempre mais fortalecida...

Eu poderia escrever muito mais sobre essas mulheres espetaculares e suas sagas, sobre essas mães, que depois do relato detalhado da Mônica sobre o parir, passei a admirar mais ainda, mas quero encerrar apenas com a minha profunda gratidão e lembrança de algo que pesquisei: o nome Letícia, em latim, significa alegria. Felicidade. Mostra força de vontade pouco comum, embora, por vezes, não consiga ver bem à sua volta. Acho que descobri porque estou elegendo falar de Letícias no meio de tantos outros nomes. É passada a hora de romper com alguns sofrimentos e permitir que a alegria volte. Talvez aquela, roubada quando outro nome partiu. Mas esta também é outra história...

Letícias, muito obrigado.

Grande abraço

Marcelo Madarász

11 de maio de 2013


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