Em paz com quem eu sou

Estes dias mudei a foto das redes sociais, meio distraída.
O retorno inesperado de meus amigos me acordou.
Elogios carinhosos, adjetivos sobre minha beleza e meu caráter.
Fiquei assim, entre aturdida, grata e surpresa.
Imagem: Simxer
Há meses luto para voltar ao peso delicioso dos primórdios do viver mais simples. Ainda não consegui.
Também vivi algumas dores e confrontos que me atingiram com força. Não caí, mas fiquei um pouco mais murcha.
Mesmo assim segui adiante, fazendo o meu melhor possível, lutando as lutas em que acredito.
Aí mudei a foto da rede social.
E esta onda de amor, reconhecimento e incentivo me abraçou.

Um tempo depois, conversava com uma grande amiga, sobre episódios onde enfrentei uma profunda vergonha. Tentava ilustrar aprendizados com Brené Brown.
Num dos casos, eu me senti muito inadequada por um comentário de alguém em posição "superior" a mim, num curso que estou fazendo.  Antes do final do curso, fui conversar com ele, para não levar esta vergonha e dor no meu coração. Fui acolhida e esvaziei meu peito de sentimentos tóxicos.

Minha amiga elogiou minha coragem. Fiquei assim, meio sem graça. Coragem? Eu estava um farrapo humano,desmanchei-me de chorar durante a conversa. Foi difícil e constrangedor.
Pensando bem, foi coragem, tenho que reconhecer. Enfrentar um medo assim, tão despojada de serenidade.

Finalmente, o caso onde relatei para uma amiga coach o quanto me sentia esquisita fazendo coaching supervisionado. O quanto me sentia diferente de mim, pior, mais atrapalhada. Ela me disse, divertida: "Bem-vinda ao clube. Eu também me sinto assim".

Três histórias das dezenas que vivi apenas nos últimos dois meses.

Com elas aprendi uma lição, que conversa com o texto do domingo anterior:
Eu sou mais que meus erros, minhas fraquezas, meus tropeços.
Mas eu também sou meus erros, minhas fraquezas e meus tropeços.
E já aprendi bastante a lidar com eles, não os deixo remoendo dentro de mim. Tanto.

O que mais comove, no entanto, é saber-me tão amada, tão aceita e tão perdoada todos os dias por quem testemunha esta tentativa desajeitada de ser eu mesma.
Este exercício contínuo de desvestir o que não sou eu e tentar andar elegante e ereta na minha nudez gordinha e sem salto alto.

Meu coração segue banhado nesta gratidão por poder dar mais um passo no que realmente busco. O dia em que EU me amarei, me aceitarei e me perdoarei tanto quanto estes amigos todos que levo comigo.

Tarefa dura, mas valiosa, de que não desisto.

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