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Organizadora de Ideias. Coach. Empreendedora. Escritora. Ex-executiva de multinacionais, por onde navegou 15 anos. Há quatro, cultiva o Viver Mais Simples.

11.8.13

Dentro da pele

Uma pessoa muito amada me telefona.  Está profundamente sentida com uma sequência de conversas que tivemos, onde minhas falas distraídas magoaram muito.
Ainda atarantada em descobrir minha falta de cuidado, ouço a frase cheia de sabedoria: "é difícil ser feliz no trabalho, na família, com a vida, ter tudo azeitado. Estou tentando o meu melhor".
Pura verdade, sei bem. Só havia esquecido que o que julgo bom nem sempre serve para o outro.
Proferi  minhas malfadadas intromissões usando a minha própria régua. Sem exercer a compaixão pelo que de fato acontecia do outro lado. Sem considerar um ponto de vista distinto do meu. Sem vestir a pele alheia.

O resto da conversa nos levou  a um outro lugar, mais amigo. Pude espiar um pouco debaixo daquela outra pele, tão querida por mim.
Ao olhar com o coração aberto aquelas dores não minhas, senti fundo o sentimento que havia faltado. Orgulho das conquistas do outro. Humildade ao perceber sua grandeza em me contar tão sinceramente de seu desapontamento.
http://ninetythreesecrets.com/2011/march/hands-touching-hands.html

Depois, veio a ressaca. Foi duro dar-me conta de que -mesmo com tanto trabalho de autoconhecimento- eu ainda tropeçava deste jeito.
Ergui meu chicote bem alto e já ia começar.
Aí, parei.
Vesti a minha própria pele.

Percebi que de fato errei,  mas é possível reparar.  Relembrei o contexto, a energia do momento. Reconheci que as condições não eram ideais para aquele convívio, naquelas horas e lugar.
Respirei fundo, larguei a chibata.

Ainda dói em mim, saber-me tão imperfeita.  Um pouco claudicante, invoco o"eu-observador", o eu que não julga, que acolhe e aprende. Perdoa a mim e ao outro.
A ferida ainda está fresca na pele, então é difícil. Mas, teimosamente, conclamo meu eu-observador para permitir que eu não só me apazigue, mas também fique mais atenta ao que passa sob a pele vizinha.

No final, foi tudo muito bom, muito útil. Mas muito do que nos serve dá trabalho e deixa escoriações.
Ainda um pouco ressentida comigo, tateio este universo tão delicado de peles. A minha e a sua.
A minha pele protetora, sob a qual posso tecer escolhas boas para mim. Escolhas cientes de minhas próprias vulnerabilidades.

E a sua pele, meus amigos, meus irmãos, meus amores.  Uma pele tão preciosa e suscetível à dor quanto a minha própria.

Uma pele que sigo buscando respeitar, entender, acolher.

Agradeço a benfeitoria inesperada deste alguém precioso para mim.  Ainda reverbera uma decepção comigo, mas há de passar.
Cuido de nossas peles com cuidado e paciência.
Em meio a algumas cicatrizes, vale muito a pena tatear este caminho do entendimento.



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