Duas gratidões

Em meio à decepção com as notícias lá fora, volto-me para dentro.
Cada pessoa tem seu desafio de existir. Nascemos e crescemos, muitas vezes de um jeito meio torto.
Com sorte, usaremos bem a vida, para nos conhecer e nos melhorar.
O meu desafio, já falei antes: é a falta de limites.
Abraço o mundo, abro frentes, digo SIM, entusiasmada.
E, mais vezes do que gostaria, acabo cansada, assoberbada, sem dar conta de mim.
Tenho aprendido a abrir e fechar meu leque, num pulso mais orgânico.
É sempre custoso, mas vale a pena.
Estou nestas fases de recolhimento.
Despedi-me da coordenação da Casa Sou.l e venho enxugando projetos. Um a um disciplinadamente. Digo vários nãos a tudo o que não é essencialmente parte do meu propósito.
Busco fazer uma ou duas tarefas críticas por dia, estou trabalhando seis horas diárias, somente á tarde e durante a semana.
Enfim, estou abrindo espaço para cuidar de mim, das crianças, da vida lá fora e aqui dentro.
Tudo muito bem. Só que fica um vazio danado...
A adrenalina de estar sempre atrasada, sempre devendo, sempre com mais coisas por fazer... Ah, esta cachaçadrenalina.
De repente, deparo-me só com meus espaços.
Minha caixa de entrada mais vazia. Meu facebook mais parado.
Poderia ser o paraíso, mas assusta meu jeito fazedor de ser.
E isso por só me provocaria medo.
Eu tinha pedido: "um pouco de tempo, para eu terminar meu site, para eu fechar relatórios pendentes...".
E como sempre, fui ouvida.
Fui ouvida até demais e projetos importantes também pararam. Respostas não chegavam.  Pausa.
Silêncio.
Comecei a ficar temerosa. De verdade.
E aí pedi novamente: "tudo isso que não está acontecendo está ótimo de não acontecer. Mas estes dois projetos, ah, estes dois projetos não.".
Entre ontem e hoje, estes dois projetos caminharam.
Meu coração alegrou-se e disse, bem baixinho e humilde: Amém.



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