Manifesto amador

Às favas com os mocinhos.
Estou cansada de boas intenções desperdiçadas, de fazer o bem não importa a quem.
Importa a quem, sim.
Toda a relação é um jogo de dois e jogar sozinho é uma roubada.
Nossa boa vontade não solicitada é a sobremesa favorita do diabo.
Nunca adivinharemos o que o outro quer e pensa. Não é o amor que constrói. É o convívio
Abaixo os peixes podres arquivados.
Anseio pelos verdadeiros encontros, aqueles que são marcados pelo diálogo, pelo crescer junto, pela esperança.
(Que bom que os tenho, em profusão.)

Pelo amor desarmado, pelo estar junto possível, forjado na dura realidade de nossa imperfeição.
Pelo erro, tropeço e pedido de perdão subsequente.
E que possamos não aceitar certos pedidos de perdão.
Pelo menos enquanto o coração estiver sangrando.

Pelas amizades maduras, os casamentos reinventados.
Por todos aqueles que nos aceitam como somos e gentilmente (ou seja, com bom humor), nos convidam a repensar jeitos.
Pela gratidão de graça, pela aceitação do próximo.
Pelo recomeço, pelo refresco, pelo otimismo.

Chega de dramas e contradanças.
Vamos em frente, juntos e com tudo.
Quem não tiver perna, sinto muito.

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