Um aniversário mais simples

3 de janeiro.
Sempre um dia de movimentos.
Às vezes, para fora. Ano passado estava assim, organizando causas e festas.
Este ano, não.
Estou mais recolhida, aprendendo a consistir.  É tempo de resumir-me.
Elegi a simplicidade como tema dos 41 anos:

Um café da manhã em casa, com tapioca e água de coco, cortesia do marido amado.
Uma passagem na terapeuta corporal favorita, para alinhar as energias e cuidar do corpo.
Um almoço no bistrô querido e um pouco secreto, com a melhor amiga e parceira de tantas aventuras.
Um parabéns caseiro com as crianças e muita luz para iluminar.
Um beijo no irmão.
Um jantar em casa dos pais.
Um cineminha para fechar.

Enquanto isso, borbulhavam mensagens de amor no smartphone, no e-mail e na rede social.
Senti-me querida.
Mesmo quietinha e mais introspectiva, pude sentir as ondas de carinho...
Este é um novo exercício. Praticar o amor à dois passos. Para eu ter respiro e pausa.
Misturo-me com o outro, mais do que deveria.
Esta sobriedade, este silêncio são necessários.
Não me falta alegria sempre. Às vezes. falta.
Por isso é preciso guardar-me um pouco, saber-me minha antes de ser do outro.

Assim foi meu aniversário.  Um pouco escondida, mas presente.
Recebendo, mais do que entregando.
Grata.

Amanheci um pouco assombrada pelo peso dos anos e a inclemência do tempo.
Anoiteci levinha. Um dia de cada vez. Alguns passos serão largos, outros assim miudinhos.

Todos me levam para a frente.

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