Na madrugada fria

Nas madrugadas insones de minha vida, mergulho em minhas tristezas.
Quando as coisas não são simples. 
Apesar de toda a gratidão por cada passo, tenho medo, tenho dúvidas, vejo sombras.
Nas madrugadas insones, ouço cada gota ácida cair no meu dentro ansioso.
Rumino, devaneio, agonio-me.
Ë bonito aqui no escuro e frio da noite. Com sorte, verei os primeiros raios de sol, promessa de horas menos lúgubres.
Mas agora sinto a garganta embargada, o ar engasgado no meio do caminho.
Nas madrugadas insones, sou pessimista, assustada, imperfeita.
Imperfeita sou sempre, mas nas madrugadas insones, minha imperfeição é uma névoa de temores.
Lembra os vultos que os olhos míopes temiam no escuro do quarto.
Nas madrugadas insones, sou novamente uma menina pequena, procurando monstros embaixo da cama.
Tudo aperta, tudo dói, tudo é muito.
Na madrugada insone da minha alma.
Respiro o sereno, gota a gota resgatando a minha razão e discernimento.
Conheço muito bem estas estrelas. Agora me mantém acordada, mais tarde as faço dormir.
E com elas, dormem meus medos, minhas dúvidas e sombras.

Para despertar num outro dia, outra madrugada passando lenta no  meu coração.

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