Fazer tempo

Ando por aí e ouço queixas de como a vida está complicada, corrida.
De fato, é muito para darmos conta, cada vez mais. Por ar, mar ou terra, estamos imersos em palavras, imagens e sons.
Como não sucumbir a esta correnteza? Como escapar da inércia? Como ser donos de nossa estrada, cultivando passos com sentido e significado?
Não são perguntas fáceis, mas tampouco impossíveis.

Um bom primeiro passo é fazer tempo.


Para começar, não é preciso muito.
Garimpar o bastante para ler o livro, fazer as unhas ou a corrida, ligar para o amigo. Um cochilo  reparador após o almoço, mesmo que na cadeira do escritório. Uma história para os filhos, um pouco de meditação.

Para os mais aventureiros, um passinho mais largo: uma aula de dança ou vinhos; um dia para sair com o marido/esposa.

Com o hábito, haverá espaço  para cursos, viagens e o prêmio supremo: fazer nada.

Cada um tem sua medida e sua necessidade. Mas todos precisamos de pausa.
No fluxo initerrupto de uma rotina sem paradas, perdermo-nos.

Acostumamo-nos a dizer sim quando precisamos dizer não. Aceitamos convites que nos roubam de nós mesmos.  Procrastinamos. Fazemos o que é menos importante primeiro.

A pausa nos serve de muitas maneiras:
- Dá uma chance para desligarmos o automático e refletirmos antes de agir.
- Repousa nossa cabeça, atordoada por tantos pensamentos.
- Acalma o coração acelerado, oportunidade de reconexão com o respirar.

Na pausa, nascem ideias inéditas, planos improváveis.  Estes, podem ser a chave para o viver mais simples que vislumbramos.

No começo de tudo, bastou-me uma semana para enxergar o que já estava ali há tanto tempo. Vinha maturando dentro de mim e só precisava de espaço para virar plano e ação.

"Mas eu não tenho tempo". Ninguém tem e todos temos. As mesmas 24 horas são salomonicamente distribuídas. Todos os dias.

Portanto o que nos falta não é tempo, mas escolha. Escolher o que fazer com este tempo fugidio.
Todas as técnicas de produtividade que conheço partem de um mesmo lugar:

1) O que quero realizar? (agora, hoje, esta semana, nesta vida)
2) O que é mais importante e o que é mais urgente?

Se fazemos o que é importante sempre, temos menos emergências: não fica tanto para a última hora.

Se eu fosse então resumir o que há de mais essencial em fazer tempo, seria assim:

1) Não precisa ser muito tempo. Uma hora ou mais por dia já pode fazer milagres.
2) Sem pausa, não prosperamos. Precisamos descansar, acalmar, abrir espaço para o novo.
3) Gestão de tempo é escolha. O que é mais importante? O que é de fato necessário (não deixe para amanhã o que pode deixar para lá...).

Fazer tempo é o primeiro passo de um viver mais simples. Façamos tempo, com gosto e calma.
Façamos tempo para um caminho que seja próprio, uma estrada que trilhemos com gosto...
E vocês, como fazem tempo?

Para quem quiser se aprofundar:
Kanban
Haiku Productivity
GTD
ZTD
Efetividade.net
Wise Action
7 hábitos por Pequeno Guru
7 hábitos por Papo de Homem
Steven Pavlina

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