Nossa história nos liberta

Reconheço que tenho e tive uma vida boa.
Nunca me faltou nada, ao contrário:  muito me sobrou.
Mas já são quatro anos de viver mais simples, a reserva dos tempos de executiva começa a rarear.
No atual andar da carruagem, durará mais um ano no máximo.
É portanto tempo de refletir sobre o estilo de vida que levo e as escolhas que faço com meu dinheiro.
Percebi que apesar da tão propalada simplificação, ainda carrego padrões nada frugais.
Mimos como comer fora, viajar, comprar presentes sem pestanejar. Viver num bairro nobre de minha cidade. Gastar sem pesquisar preços.
Confortos e descuidos além do básico.

Já fiz mil planos para reduzir custos e mudar hábitos. Frequentei cursos, li livros. Mas ainda gasto muito mais do que ganho (apesar do tanto caminhado)

Sim, o novo trabalho prospera e tenho certeza de que será mais do que suficiente. Mas ainda não o é, longe disso. Além do mais, há todo um investimento em aprender as ferramentas novas que agora me são necessárias.

Meu mais recente esforço para transformar minha relação com o dinheiro tem sido entender a história da prosperidade em minha família.
Entender os legados, as histórias, as crenças entranhadas na minha genética e conversas ao pé da mesa.
Tenho me aprofundado em minha história ancestral por vários caminhos.

Esta história é linda, repleta de obstáculos e reviravoltas, comovente e de superação.
Percebo-me responsável por honrar o legado de meus antepassados e ao mesmo tempo construir o meu próprio.

Investigadora de minha própria biografia, tenho realizado imensas descobertas.
Saber nossa história é  uma libertação.

Como nossos avós e pais viviam?
Quais foram (são) seus medos, suas tristezas?
O que omitiram de nós para não macular a pureza de nossa infância?
De onde vêm o credo familiar, os ditados, as maldições e bendições?

A cada capítulo revisitado, mais luz sobre mim mesma.
Sou uma das filhas mais prósperas de gerações e gerações. Mas escolhi recomeçar, é preciso e urgente.
Para isso, preciso me descascar de inutilidades.
Debaixo de tantos adereços, redescubro o valor da dignidade, do amor pelos filhos, da resiliência, da inventividade.
Ao antever o gradual desaparecimento de meu "colchão de segurança", permito-me ver a vida como ela é.

É preciso ganhar mais do que se gasta.
O mais importante é o essencial.
Podemos viver com muito menos.
E praticar tudo isso está longe de ser um exercício para preguiçosos.

Saber minha história me dá coragem, responsabilidade e bastante culpa também.
Mas culpa, diferente da vergonha, é algo sobre o que temos muita ingerência.

Repisando a trilha de meus avós e pais, descubro meu início profissional. Relembro o prazer do primeiro salário, da primeira viagem. Da rotina dos primeiros apartamentos em que morei.  Sem luxos, mas com muita alegria e satisfação.

Desvestindo-me dos excessos, redescubro esta pessoa que havia esquecido.
Antevejo mudanças e me seguro firme no leme.  Das estrelas, meus ancestrais me observam, amorosos e confiantes.



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