O limite da fé

Nem todos os dias acordo com a mesma coragem.
Esta semana por exemplo, recebi um calhamaço de contas inesperadas.
Fraquejei.
Uma saudade de salário fixo passou voando na janela.
Respirei fundo e repeti para mim: meu trabalho é único e especial.  Eu o forjei amorosamente por anos, paguei preços altos. Ele vai crescer e frutificar. É questão de tempo e empenho.
Sou  bastante amiga do tempo e do empenho.
Olho na janela e a saudade já faz curva na esquina. Não é hora de desistir.

Entrego e confio.
Não é fácil.  Mas é preciso.

O preço de voltar atrás é muito, muito alto. Ainda há alternativas a explorar, caminhos a percorrer.
Além de um joelho ruim e ideias demais esperando por sair do papel, a minha vida está muito boa.
Lily Moon

Sim, é preciso cuidar das despesas. Já estou fazendo.
É preciso abrir novas frentes, cultivar projetos. Também, tudo em curso.
Organizo-me, priorizo, descanso, respiro. Amo o que eu faço e o faço com muito amor.
No mais, é com o sócio de cima.
O mais precioso eu tenho. Um companheiro na vida e no amor. Uma família feliz, com direito a crianças cantando na chuva.
Tenho os melhores amigos do mundo, com quem partilho as pedras mais difíceis.
Tenho um trabalho maravilhoso, onde vejo pessoas se transformarem no que nasceram para ser.
Presencio milagres de todos os tipos e tamanhos, diariamente.

Tenho contas também.
Mas tenho o dinheiro suficiente para pagá-las.
Olhando para dentro, ainda um pouco inquieta, vejo o horizonte que tracei para mim.
É amplo, luminoso e vale muito a pena.  Cada centímetro da estrada.
Resgato fragmentos de coragem, guardo-os quentinhos no fundo do peito e prossigo.

Sonho, um pouco apertada, com dias de mais frouxidão.
Mas não cheguei nem perto do  limite da minha fé.
Avante.

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