Um canteiro na maresia

Um dia, uma cliente me contou sobre como fez brotar plantas na sua varanda, varrida pela maresia.
É difícil sustentar vida sob ventos inclementes.
Ela conseguiu, o que não me surpreende, tendo conhecido seu jeito de ser fecundo e generoso.
Achei muito bonita esta imagem.
Pois não é o que fazemos na vida, todo o tempo?
Plantar sementes em terrenos inóspitos, firmar mudas em meio a tempestades.
Proteger nossa fragilidade das torrentes da vida.
Somos todos jardineiros.
Minha cliente iluminou meu coração com a esperança que podemos atravessar a aridez salgada dos dias ruins e frutificar.

Temos em nós criatividade e resiliência. Nossas lágrimas não secarão nossa alma.
Quiçá a regarão.
Não há dia sem desgraça, nossa ou alheia.
Não me importa.
Agora aprendi: é possível.
Minha querida cliente me ensinou.
Com fé, energia e perseverança, nosso jardim há de bruxulear verdejante, por cima da dor, do medo e da tristeza.
Vamos todos juntos, cultivar este canteiro sagrado.
O canteiro de nosso espírito, sempre fustigado, mas capaz de resistir.

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