Coração Canário

Copa no Brasil, flechas por todos os lados.
O que é mais patriótico: torcer ou não torcer?

Eu, do alto de minha ignorância futebolística, escolho torcer.
Nada de exageros, é verdade.
A camisa não é oficial nem disputei ingressos.
Nas oitavas, fiquei em casa mesmo, em petit comité familiar.
CD “Marcelo de Souza & Conjunto Retratos – Coração Verde e Amarelo

Mas escolho torcer.
Concordo com a grita face aos exageros e descalabros.
O dinheiro despejado e desperdiçado em estádios destinados a poucos jogos.
Os rios sem fundo que poderiam estar na  Educação, na Saúde.
A antipática e arrogante ganância da Fifa.
Até mesmo as piadas sobre a paupérrima abertura da Copa, aquém, muito aquém dos belíssimos espetáculos que realizamos de norte a sul deste país.
Não assinarei embaixo do que é injusto, corrupto e pequeno.

Mas ainda assim,  escolho torcer.
Torço com gratidão pelo que a Copa em casa propiciou: um debate e uma movimentação incomum na nossa inércia cotidiana, nossa preguiça em meio a tanta corrupção e falta de decoro.
Torço por respeitar o estilo de jogar do brasileiro, com fé, criatividade e imperfeição, atributos tão preciosos na construção do mundo em que acredito.
Torço por ter um marido amante de um bom futebol, um filho que só é feliz com uma bola nos pés, o pai apaixonado por uma boa jogada.
Torço por ter sido uma menina que chorou sem bem entender na final de 82, depois de ter pintado a rua e o coração com as cores da bandeira.
Torço para me conectar com meus milhões de irmãos brasileiros, persistindo a cada dia, mesmo em meio às dificuldades sociais, econômicas e políticas.
Torço na esperança que todos estes estrangeiros conheçam mais nosso país e nossa cultura, amando-a e respeitando-a (quem sabe inspirando alguns brasileiros a amá-la e respeitá-la também?), para além de estereótipos.
Torço, sem remorso nem ufanismo.
Assim, de olhos bem abertos, torci emocionada a cada penâlti do jogo contra o Chile.
Assim, torcerei contra a Colômbia e quem mais vier, se tudo der certo.

Há muito caminho para fazer desta pátria o que ela merece e pode ser.
Prossigamos nesta luta verde-amarela, dentro e fora dos campos.
Buscando o gol redentor, em cada passo deste caminho.

Para frente, Brasil.





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