O tempo sem hora

Lá fora, os reclames anunciam: Dia dos Namorados.
Tem gente que se aborrece. Que inconveniência! A estreia da Copa coincidiu com o dia oficial de comemorar o amor.
Eu não. Há anos, aprendemos: todo o dia é igualmente bom para celebrar.
O dia oficial fica assim como um lembrete, em torno do qual frouxamente nos organizamos.
No começo, almoços e jantares fora de hora. Encontrávamos amigos nas filas imensas, nós já indo embora.
Hoje, respeitamos o nosso calendário com ainda mais ousadia e liberdade. Tem quem cuide das crianças? Está tranquilo no trabalho?
Isto é suficiente.

Na vida, nos atamos aos dias impostos, à agenda alheia.  Será que  meu coração está com vontade hoje? Ou será que acordei meio azeda, ou tem reunião importante na agenda do marido?
Desrespeitamos nosso ritmo interior para seguir o calendário da maioria.

Proponho uma singela revolução. Cada um dono de seus dias, recolhendo-se ou comemorando de acordo com o que sente o coração e o que pede o bom senso.

Emergir desta correnteza de iguais, escolhendo com carinho o momento mais propício para o presente, o beijo, o jantar.

Fomos juntos, Lucrécio e eu, desfrutar um do outro numa descompromissada quarta-feira, 11/6.  Não havia lista de espera  e pudemos caminhar tranquilamente pela rua, sem esbarrar no corre-corre de milhares de casais estressados com a luta para encontrar um espaço decente de celebrar o estar junto.

Convite simples, este que eu faço: que o relógio e a folhinha conectem-se com o seu coração, adequando os programas às pessoas e não o contrário.

Um novo ano juntos, brindando com bom humor o drible cotidiano. Inventando um espaço único para nós, fora do tempo imposto. Um tempo sem hora e sem pressa, onde cabe nós dois.

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