Antes que seja tarde



Eu em geral acredito na frase "nunca é tarde", no  sentido de sempre é possível tentar algo novo.
Mas há um limite para isso e este limite é a morte.
Dei-me conta ao perder Márcio Cavour, uma referência na minha vida.
Escrevi um texto para tio Márcio em novembro e me pareceu uma bela homenagem de compartilhar.
No velório, muitos me abraçavam, comovidos com minhas palavras.
Eu respondia: "o melhor é que ele pode ler".
E é verdade.
Já escrevi outro texto e muitos virão, mas nenhum tem o sabor do primeiro.
Poder dizer para uma pessoa o quanto ela importa, é incomparável.
Tenho refletido então sobre tantas e tantas pessoas que amo, admiro e me enchem de gratidão.
Decidi  não economizar palavras.
Não quero esperar outras mortes, que virão.
Quero aproveitar em vida, para homenagear tantas pessoas que hoje me transformam, me ensinam, me alimentam.

Assim, hoje quero agradecer:

À Lucrécio, companheiro de uma estrada muitas vezes turbulenta e imprevisível. Sua serenidade acalma o oceano impetuoso que mora em mim.
À meu pai, Alberto, que me ensinou a guardar para o inverno e a honrar meus valores e minha ancestralidade.
À minha mãe, Patricia, que me ensinou a amar coisas belas como as palavras, a música e diferentes culturas.
À minha boadrasta Marília, que me ensinou a cuidar de quem precisa e amar aventuras.
À meus avós Celso, Gisela e Regina, que me ensinaram a crer em Deus, especialmente quando é mais difícil.
À meus filhos Leonardo e Olivia, que me ensinaram o amor incondicional que posso sentir e me convidam a ser uma pessoa melhor, para ser um melhor exemplo para eles.
À meus irmãos Bernardo, Mariana e Caio, que me ensinaram a respeitar e admirar os mais novos.
À minha parceira, amiga e comadre Érica, que me mostra o que eu ainda não vejo e preciso aprender.
À minha mestre Zeneide que provoca o melhor de mim, com amor e compaixão.
À Adriana e Eliane Mattos, que me mostram o caminho da minha própria cura, para poder ajudar os outros em sua própria.
À meu amigo Luciano, companheiro na profundidade das sombras e na vulnerabilidade que fortalece.
À Eliana Miranzi, com seu olhar amoroso que me incentiva a escrever e escrever e escrever.
À meus clientes, que me ensinam o tanto que já tenho e o quanto é custoso, porém valioso, prosseguir.

A lista é maior, muito maior. Mas a vida é longa e pretendo seguir agradecendo por estes esteios imprescindíveis no meu viver mais simples.

Gratidão é um grande conforto para a alma.
A quem você gostaria de agradecer hoje?