É preciso uma aldeia para criar uma criança

Nesta última sexta-feira, foi a Formatura de minha caçula, na Educação Infantil.
Neste tempo de balanços, foi emocionante repassar  estes últimos quatro anos.
Escrevi um texto que transcrevo editado, onde resumi as emoções e a gratidão por esta jornada.
Desejo que seja um convite a mais e mais pessoas queridas se juntarem a esta aldeia preciosa onde criamos nossas crianças:

"É preciso uma aldeia para educar uma criança, dizem os sábios na África.
É  verdade.
Educar um filho é uma tarefa gigante.
Medo gigante. Incerteza gigante. Mas, sobretudo, Amor gigante.
Estrada que escolhemos, sem saber o que nos esperava:
Alergia alimentar, demandas  crescentes no trabalho, um novo filho, separação,  morte.  Desafios de vários nomes e tamanhos.
Como teria sido trilhar por entre tantas pedras sem nossa comunidade?
Como poderíamos atravessar as turbulências de ser mãe e pai sem o auxílio precioso de todos que nos acompanharam?
Ainda bem, nunca saberemos.
Soubemos cultivar com amor nossa aldeia.
Apoiados na ciência da pedagogia libertadora e criativa.
Amparados no carinho e dedicação sem fim do corpo de diretoras, professores, auxiliares, funcionários.
Interligados numa rede de pais e mães amigos que consolam quem se machucou longe do olhar atento da mamãe.   Dão colo emprestado, quando o trânsito não colabora. Riem junto das trapalhadas inevitáveis.
Emocionando-se juntos com cada novo passo, cada florescimento.
Confortados pela  boa sombra da sabedoria de nossos pais, avós, tios e mestres.
Cercados de música, movimento e criatividade, sempre pulsantes nos eventos de fim de ano.
Rodopiando mundos, através da vassoura da Bruxa Onilda.
Embalados pelos gritos de alegria no pátio, ao som de um berimbau.
Pintando o sete e tantas outras letras e números.
Navegando num Yellow Submarine.
Cozinhando, dançando, desenhando com nossos artistas mirins na arte de viver.
Que linda jornada fizemos, durante estes anos todos.
Como agradecer o suficiente tudo que nos foi ofertado aqui?
Impossível.
Foi tanto e sempre, não haveria tempo. É preciso uma vida inteira.
Que bom, temos uma vida inteira.
Abrigamos nossa taba durante anos neste chão.
Em fevereiro do ano que vem,  será tempo de  migrarmos nossa tribo.
Mas nossos espíritos... Nossos espíritos estarão  entrelaçados para sempre nesta teia de gratidão, amizade e vida compartilhada.
Como diz o Pequeno Príncipe: “Você é responsável por aquilo que cativa”.
Estaremos sempre juntos nas memórias tão felizes. E também na vida presente das festas, dos encontros, das formaturas de novos Florescentes, irmãos caçulas e primos de nossos jovens heróis formandos.
Jamais estaremos longe, pois fizemos morada no coração um dos outros.
Hoje somos uma aldeia. 
E é preciso uma aldeia para educar uma criança."