Do avesso

Cá estou eu, último dia do WDS.
Tenho tanto a dizer, mas vou começar ao contrário.
Eu me chamo Antônio

Hoje aconteceu algo inesperado, algo que ainda estou digerindo, com muita tristeza.
Pela primeira vez. desde 2012. eu volto para casa sem meu ticket para o próximo evento.
Por estas coincidências que tanto nos ensinam, esqueci meu celular no AirBnB onde estou hospedada.
E pela primeira vez, estava hospedada mais distante do evento.
Meu coração me dizia: volte para casa, resgate o celular, garante seu ingresso.
Eu não  ouvi.
Acontece que o WDS do ano que vem será para apenas 1000 pessoas (ao contrário das 3000 dos últimos dois anos).
Isso significa que a procura será maior e a chance de eu conseguir, bem menor.
Já tenho planos B e C, mas há uma chance real de eu não estar no WDS 2016.
Muitos dirão que isto não é um grave problema.
Realmente, há coisas mais importantes na vida, sei disso.
Acontece que o WDS tem sido um refúgio para mim nos últimos anos. Um lugar onde recarrego minhas energias, refaço votos de fidelidade a viver minha missão, meu chamado, meu propósito.
O WDS significa muito para mim.
E pode ser que eu perca o próximo.
Mas nada acontece por acaso.
Pode ser que eu precise focar em outras formas de me reconectar comigo mesma. Que eu precise fazer meu próprio evento. Que este seja um convite para tentar alto novo.
Não sei. Ainda não sei.
Para lidar com minha tristeza, escrevi uma carta para Chris Guillebeau, líder e criador do WDS. Expressei minha tristeza, mas sobretudo minha gratidão.
Pois este foi o melhor WDS de todos os tempos, desde o meu primeiro, em 2012.
E isso, eu tenho aqui, bem vivo no meu coração (e em breve vou compartilhar).
Quem me conhece sabe o que é para mim não ter a certeza de estar aqui no próximo ano.
Mas foi uma boa lição. Devo ouvir mais meu coração.
De tudo isso, reafirmei três coisas que já intuía sobre mim:
#1 Que quando sofro um golpe, minha reação espontânea é pensar como reagir, como atravessar.
#2 Que a gratidão é um lindo antídoto que guardo bem forte pulsando no peito.
#3 Que é preciso um tempo para processar uma perda. E eu pretendo me dar este tempo.

Enquanto isso, cultivo a esperança de que em outubro eu consiga o meu ingresso. E estou gestando como compartilhar com vocês mais sobre a experiência deste ano. A mais profunda e espiritual.
Inesquecível.

Esperar é difícil. Incerteza é difícil.
Mas as lições aprendidas nestes dias iluminarão meu caminho.