Das pequenas alegrias

Em busca de grandiosa felicidade, muitas vezes nos decepcionamos com a vida comum.
Não deveríamos.
Na lindeza das pequenas coisas, reside um calor-conforto sem igual:
Cozinhar um almoço em família.
Ver o filho tomar gol(s) mas manter-se calmo.
Ouvir a mensagem amorosa da madrinha.
O pio de pássaro em pleno feriado, mesmo no coração da metrópole.
A não-buzina, apenas o ronronar próximo da via movimentada.
O barulhinho da filha fazendo artes tranquilas no outro quarto.
Miudezas cotidianas.
Les estrelles .Elisabeth Zartl
Imagino em que haja um tempo onde a mansidão dos singelos momentos seja ainda mais importante do que grandiloquências.
Intuo que envelhecer possa ser assim.
Um dia, caminharei bem lenta, as juntas enferrujadas e o coração ainda sonhador.
Serei daquelas velhinhas que param o trânsito, não por sua estonteante beleza mas por sua atordoante morosidade.
Pretendo então, distrair-me com pedacinhos de vida, no meu andar bem lentinho.
Aos impacientes, responderei com um largo sorriso e um piscar de olhos maroto.
"Sabe, eu já fui assim apressada.  Mas ouvindo o espaço entre nadas, percebi que ali morava a poesia, mas só quando eu prestei atenção".

Falo então para eu hoje, ainda no tempo da pressa, que não devo esperar. Já é tempo de respirar, praticar passinhos pequenos, namorar as banalidades-poema que me cercam.

Assim, alma-borboleta,  celebro pequenitudes.