Fruta Madura

Algo se avizinha.
Serenaram as tempestades do crescer.
Contemplo estas águas com gratidão. E perdoo. Perdoo as pedras, as incompletudes.
Perdoo os excessos e as faltas.
Deixo estas águas correrem mansas dentro de mim.

Mila Marquis
É tempo de cultivar um novo eu. Forjado na dura lida das guerras. Crescido de uma flor do oceano, antes tão pequena.
Eu  agora mais macio, com mais continente. Suave, com borda.
Sou grande e sei o quanto custou-me.
Mas desprendo-me do preço e fico com a gratidão da caminhada.

Sou grande, mas não preciso ser imensa.
Caibo na palma de minhas mãos.
Agora é tempo de escolhas.
Deixar mágoas, aquietar meu lado réptil.
Serviram-me. Não preciso mais, não devo mais viver deste tempo passado.

Agora é um novo tempo.
Tempo de alçar longas asas, tecidas com amor e poesia ao longo dos anos.
É tempo de dizer o sim e o não que curam.
É tempo de pulsar sonho.