Só ser

Fim de tarde.
Vento do mar embala a rede na varanda.
Eu, quietinha. sinto.
A gratidão morna escorrendo por dentro.
Um dia simples, perfeitamente simples.
Zelar, cozinhar, descansar. Ser amiga, ser mãe, ser esposa, ser eu.
O céu tingido de vermelhos e laranjas.
Imagem: Lucrécio Brasil
A vida, pulsando dentro e brincando lá fora no quintal.
Deveres cumpridos, metas traçadas. Nada mais é preciso por agora.
Só ser.
Respirar. Maravilhar-me com o milagre de estar realizando tantos sonhos.
Agradecer por mais humildade: saber-me imperfeita.
Admirar minha coragem e meu medo.
Saber que falta tanto e vale a pena caminhar.
O vento do mar varre exigências, expectativas, velhices.
Respiro fundo, olhos úmidos.
O ano começou.