Colo para mãe

Uma amiga posta um texto brutalmente sincero sobre ser mãe.
Sinto-me abraçada.
Então não apenas eu penso secretamente em deixar tudo para lá e fugir, de tempos em tempos?
Não sou a única a me perguntar, nos dias mais difíceis, como seria a vida sem filhos?
Não sou só eu que flerto com o arrependimento eventual ao receber contas, sustos e a ingratidão habitual?


Ufa. Pensei que fosse.
Como a autora do texto, sinto-me compelida a reafirmar meu amor pelos meus filhos e o quanto que a maternidade me melhorou como pessoa.
Mas também preciso falar daqueles meus piores momentos, despertados justamente no exercício sem tréguas da maternidade.

Como o dia em que comecei a chorar descontroladamente porque um bebê (talvez de dois anos?) acertou meu rosto exausto com um tapa certeiro.

Ou das vezes em fui eu a dar um tapa mais rápido que o pensamento, o amor, o bom senso.

Ou dos gritos que ralaram meu peito, no auge da exasperação com o piti interminável ou a malcriação serial.

Ou do medo irracional de que meu filho seja atropelado na rua movimentada que nos separa do clube.

Posso citar ocasiões incríveis em família. Mas na realidade do dia a dia, igualmente incontáveis são os momentos de aborrecida batalha para ensinar noções de civilidade, administrar conflitos fraternos, gerenciar o cansaço e fome de todos.

No final, escolheria de novo. Eu acho.

Mas senti-me abraçada por milhões de braços femininos, cansados como eu. Perdidos como eu na minha humanidade cheia de imperfeições.

Persigo com muito amor e fé este compromisso ferrenho em me melhorar como gente e como mãe. Mas é trabalhoso. Ah, como é.