Soerguer-se

Caminhava.
A cada passo, tantas vozes que preciso calar.
O medo. A ansiedade. A angústia. A comparação. O arrependimento.
Prestei mais atenção. Até ouvir. Ouvi minha voz mais profunda, mais autêntica irromper em jato de luz do meu dentro mais dentro.
Soerguer-me.
James Nares

Minha voz, minha energia, eu todinha suspensa sobre a pista do Aterro.
Alavancada por todos os gestos de coragem, todas as renúncias, todos os fracassos e desperdícios. Suspensa pela firme corda de minha própria resiliência.
Virei do avesso minha vida, várias vezes. E ainda estou de pé.
Criei e matei projetos. Formei parcerias. Desfiz parcerias.
Testei, experimentei. Construí.
Tudo valeu a pena.
Agora estou aqui, impulsionada pelos riscos que tomei, pelas noites sem dormir.
Minhas asas batem fortes, já testadas no mais alto otimismo e na mais lodaçal tristeza.
Partilho minha fé na centelha de cada homem e cada mulher.
Eu mesma, duvidei tantas vezes. Mas sobretudo acreditei.
Persisti neste caminho incerto de fazer as coisas do meu jeito.
Não há gabarito, apenas horizonte.
Amplo horizonte onde sou eu e, sendo eu, espalho sementes de amor e possibilidade.
Por um instante, meus pés mal tocam o chão. O ímpeto irrompe de dentro de mim, vontade corporificada em voo, salto, plantio, arado, navegar.
Estou suspensa, acima das ruínas do que já fui. Apenas vislumbro o que serei..
A cada minuto, meu próximo eu nasce em mim e me faz dar o próximo passo.