2018: o ano de atravessar

 Em autoconhecimento, coragem, equilíbrio, gratidão, planejamento, sonho de bom tamanho, vontades frouxas

Em 2019, o Viver Mais Simples completa dez anos.  Apesar do silêncio desde setembro, sinto a voz cada vez vindo de mais fundo. Dei-me um pouco  mais de tempo para os tradicionais posts de início de ano. Hoje, navegando pelas fotos de 2018, soube que era a hora de contar para vocês como foi meu ano e partilhar meus sonhos de bom tamanho para 2019.

2018 foi muito intenso. Uma jornada de beleza e redemoinhos, com momentos onde o fôlego pareceu insuficiente. Mas não foi.  Conquistei feitos preciosos e atravessei as tempestades com muita elegância.

O tema do ano era “O ano de reconhecer-me“. Mal sabia eu que o título original, “o ano de atravessar”, teria sido mais preciso.

2018 foi o ano mais escasso, financeiramente, desde o início do Viver Mais Simples. Perdi-me no primeiro semestre com um grande projeto que tornou-se bastante penoso.  Decidi, junto com Érica, que era tempo de transformar o Odisseia numa parceria mais fluida.  Ainda me recuperando do luto de meu pai, descobri que meu irmão caçula sofre de câncer metatástico. Mergulhei nas tarefas áridas de inventariante e síndica do condomínio de praia.  Vivi altos e baixos na vida pessoal.  Enfim, um ano de sobriedade e pragmatismo.

Por outro lado, foi um tempo de outras riquezas, daquelas mais raras:  minhas relações de amizade floresceram, com momentos de muita intimidade e emoção.  Trabalhei em águas mais profundas do que nunca, tanto na organização de ideias como no projeto Escafandro, meu trabalho mais autoral desde o Voe.  Fui Mãe com M maiúsculo, vivendo momentos de muita parceria com meus filhos e o pai deles.  Usufruí da disciplina e conhecimento advindos das reformas e projetos burocráticos que empreendi com muito sucesso.  Guardei um tempo valioso para meu crescimento espiritual, emocional e intelectual, incluindo os novos saberes na Comunicação Não Violenta e Aprendizagem para adultos.

Emerjo desta odisseia com muita certeza de que preciso ser mais focada e precisa neste ano. Contudo, também aprendi que é possível viver momentos gloriosos mesmo nos tempos mais sombrios. Esta fé anima minha coragem e minha esperança: vale muito a pena ser quem eu  sou.

O Brasil, o Rio e o mundo não estão na sua fase mais bonita de se ver. Novos governos que não priorizam Direitos Humanos ou Ambientais; uma economia ainda recolhida; violência e pobreza espalhadas pelas ruas.  Vejo tudo com muita atenção e autoempatia. Ainda é tempo de travessia e há muito o que fazer.

Não sou mais tão inocente no meu entusiasmo. Ele agora vem de um outro lugar. De quem não tem mais pai ou marido. De quem ainda precisa batalhar pela sustentabilidade do Viver Mais Simples. Mas meus músculos estão prontos e sinto mais amor e gratidão do que nunca. Vamos em frente!

Mas antes, vamos olhar o retrovisor…

As vontades-frouxas foram sóbrias e quase todas alcançadas, mostrando o valor de meu trabalho com intenções:

Autonomia com  Responsabilidade para os filhos: Léo  exerceu sua liberdade de ir e vir, transitando entre a escola, o clube e passeios com os amigos. Vibrei vendo sua performance como atleta de basquete do Fluminense. Mas sobretudo foi o ano em que ele deu uma virada na escola, apoiada num bom plano feito a seis mãos comigo e o pai dele. Destaco também sua redação sobre a violência contra as mulheres, um momento de muito orgulho para mim.

Olivia também floresceu, frequentando a casa de amigas e, aos poucos, vencendo seu medo de ficar só. Enfrentou também uma turma mais avançada na Ginástica Rítmica e foi muito corajosa em persistir.  Amadureceu suas emoções e foi uma filha alegre, criativa e parceira. Cozinhamos muito juntas e tivemos um ano de mais conversa e menos brigas.

Trabalhar com sentido:  aqui, experimentei as duas pontas.  Ser guiada pelo medo da escassez e ser capaz de navegar com desenvoltura em águas profundas.

O medo da escassez me levou a envolver-me num projeto grande e complicado no primeiro semestre. No final, perdi foco e comprometi minha capacidade de implementar meus próprios planos. O projeto acabou cancelado, mas dele trago aprendizados valiosos sobre câncer e seu tratamento; uma parceria mais madura com o amigo de longa data Gian, que logo rendeu um lindo workshop; um convívio íntimo com uma velha amiga da família; estar de novo em São Paulo e trabalhar com uma nova cliente muito especial.

Outro marco do ano foi a decisão de “fechar” o negócio Odisseia. Érica e eu seguimos na parceria, mas sem dedicar esforços a marketing, divulgação, etc. De forma contraintuitiva, a decisão nos trouxe novos trabalhos e uma participação inesquecível na “Hora do Blush” de Isabella Saes. Este novo modelo de parceria dialoga com nossos projetos diferenciados de vida e trabalho, numa harmonia orgânica que tem nos feito muito felizes e realizadas.

Foi um ano de criar novos vínculos na Affero, conhecendo uma rede incrível de facilitadores e realizando dois workshops.  Também foi o ano de inaugurar meu trabalho na Escola de Rebeldia, com o workshop de autoconhecimento e inteligência Escafandro. Talvez o  meu trabalho mais autêntico desde o Voe. Com a diferença de um tamanho bem mais manejável!  Também fiz outros projetos mais pontuais com parceiros e clientes queridos.

Não poderia deixar de citar clientes muito especiais de organização de ideias: alguns novos, outros nem tanto… Michel, Paula, Breno, Renato, Léo, Alba, Isadora, Saam, Pat e Clara. Sinto-me muito grata por tudo o que construímos.

Viver do “dinheiro novo”: este foi, sem dúvida, o ponto vulnerável do ano. Por uma série de motivos, foi um dos anos menos rentáveis desde que saí do mundo corporativo.  As reservas seguraram o tranco, mas esta é uma prioridade para 2019. Eu imaginava que trabalhar em projetos de outras pessoas seria uma boa saída. Aprendi que é importante sustentar a visibilidade e frequência de minhas iniciativas próprias, mesmo me abrindo para parcerias. Também refleti sobre a boa medida de trabalho voluntário e a serviço de outros projetos. Este é um ano que pede disciplina, foco e ritmo e sei que não será de uma hora para outra, mas vamos avante.

Caminhar no amor

Aqui, também um aprendizado sobre diferenças, individualidade e crescimento.  Ainda em processo, mas um convite para um maior equilíbrio entre os meus projetos pessoais e os projetos em parceria.  Mesmo entre alguma turbulência, foi um tempo de lindas viagens, muita arte e muita superação.  São dois anos de uma aventura muito bem-vinda.

O mais belo da trajetória foi acompanhar a transição profissional de meu amor: seu curso de Iluminação Cênica, seus primeiros trabalhos, incluindo Incômodos, no Castelo do Flamento e King, na Cidade das Artes.  Ser testemunha de tanta coragem e determinação foi um grande presente.

Cuidar das raízes

Aqui, um dos marcos do meu ano: usar do inventário de meu pai para pavimentar as relações com os tios, meus irmãos e minha madrasta. Aprender a ser órfã, sendo gente grande que frequenta cartório e resolve tarefas espinhosas.  E fazer com alegria, curtindo a casa dos avós que já partiram, sentindo-me em comunhão com meu pai. Tem sido duro (e ainda tem chão até fecharmos toda a burocracia), mas foi um dos pontos altos do ano, de uma forma inesperada.

Ancoragem:

Como sempre, um dos pilares do Viver Mais Simples. E este ano foi um pouco diferente do planejado, mas não faltou: Três Workshops dos Sonhos com Adriana Ferreira, um workshop das Intenções com Zeneide Jacob Mendes; Formação em 6ds na Affero; Curso de Comunicação Reparativa com Sérgio Harari e um Workshop com Joan Garriga sobre Constelações Familiares.

No campo espiritual, foi o ano difícil de me despedir de Abadiânia após a descoberta da perversidade ali existente. Despedida dura, todavia com gratidão pelas bençãos recebidas, mesmo enlutada pela forma como um local sagrado foi violado.  Sigo na busca, com outras parcerias e outros locais.

Foi um ano de muita arte  e viagens também.  Fui ver shows de Paralamas, Frejat e o meu favorito, Ofertório com Caetano e filhos.  Viajei várias vezes para São Paulo, mas também a Uberaba para a vernissage de minha amiga Suze Villas-Boas… E o ponto alto, uma viagem deliciosa por Minas, incluindo o Santuário do Caraça e Inhotim. Tudo guiado pelo professor de Arte Flávio Gil.

Foi um ano em que li muito pouco, mas o que li valeu a pena:   Amor que faz bem, de Joan Garriga e Comunicação Não-Violenta de Marshall Rosemberg.

E um tipo novo de ancoragem que foi fazer pequenas reformas na casa de praia e no apartamento do Rio, resultando em uma energia boa de vida doméstica azeitada.

O cuidado com o corpo começou a ser pauta no final de ano: comecei a Eutonia e, mesmo que um tanto errática, segui com a homeopatia, terapias e acupuntura.

As artes coralinas foram representadas pela culinária… Mas peguei mais firme em  2019…

Finalmente, uma vontade frouxa não formulada mas que foi um dos pontos altos de 2018: a amizade.

Tive quatro encontros maravilhosos com as amigas “da Maré”, um grupo criado por Érica e cheio de mulheres interessantes e interessadas, que se encontram a cada estação. O mais emocionante foi o “Sarau da Saudade” em julho, mês de aniversário de um ano da morte meu pai. Fizemos um jantar lá em casa e cada uma leu um texto ou falou de uma memória do pai que já partiu. Inesquecível.

2018 foi assim: agridoce, claro/escuro.  Um ano de contrastes que me ensinou muito e me fez crescer. Por isto sou grata.

 

Para fechar, 2018 “in a nutshell” para eu me lembrar para sempre de tanta aventura, beleza e travessia…

Janeiro:  Temporada na Praia de Carapebus e peça A Alma Imoral

Fevereiro: 45 anos com Conga, na Casa da Tata; Carnaval na Praia; Ateliê no Escuro

Março: Abadiânia; Itaperuna; Jantar com Breno; Semana Santa Praia; Assalto

Abril: Encontro Maré, Affero Forquilhinha; Viagem SP; Workshop dos Sonhos Matutu

Maio: Viagem SP com crianças; Jornada Odisseia; Odisseia Orientação Vocacional; Workshop Affero Eneva; 1a Comunhão Alê

Junho: Show Ofertório; Viagem SP com crianças; Liv Mundi; Peça Blood, Blood, Blood; Começa curso CNV; Show Tributo Queen; Aniversário Tetê

Julho: Sarau da Saudade; Estreia da Olivia na Kihu; Hora do Blush com Érica; Capitalismo Consciente com Maurício; Show Paralamas e Frejat; Show Arranco de Varsóvia; Fotos by Rogério Belório; Viagem Minas

Agosto: PlaynPlug; Transformação Digital com Carol; Workshop Kimberly Clark; Festa Aniversário Bernardo; Trabalho História com amigos do Léo

Setembro: Lançamento Barba Azul, com minha contracapa; Festa Olivia; Fórum Reiventar; Rifa Carijó e Artistas da Mata; Show Moça Prosa; Musical Elza; Workshop IMC (Coca);  Incêndio Museu Nacional

Outubro: Reuniões com irmãos e tios para falar de inventário; Constelação com Anna Isabel;  Viagem para Uberaba (Sonhos e Suze), Campos do Jordão e Penedo; PréVestibular Social em Magé

Novembro: Peça Malala; Abadiânia; Workshop Coca-Cola; Workshop Joan Garriga; Workshop Sonhos Tiradentes; Check Up; Festival GastroGalactico

Dezembro: Festa de Halloween para Yoda; Encontros de Natal; Mapa com Chris; Centro com Sérgio; Workshop Marketing Coca; Workshop Aquatop; Workshop Globosat; Workshop Lego com Olivia; King (Lennom); Reformas casa e casa de praia; Workshop Intenções; Semana com sobrinhos;  Caio com câncer

 

 

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