Passado, presente e futuro. Como usar?

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“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente” Poema Mãos Dadas, por Carlos Drummond de Andrade

Aprendo com o Google o que quer dizer #tbt, comovida pelas fotos em celebração ao dia dos avós.

“Tbt significa throwback thursday, que pode ser traduzido do inglês para quinta-feira do retorno ou regresso. É uma hashtag utilizada pelos usuários de redes sociais para marcar fotos que se referem ao passado, que deem saudades, simbolizada por #tbt.”

Eu, sempre mais poética, traduziria #tbt simplesmente como um recorte nostálgico, um fragmento de saudade, um pedacinho de passado e todo o conforto que ele traz. Na rapidez deste mundo tantas vezes descartável, resgatar fotos antigas, digitalizadas de nossos álbuns empoeirados, é quase um ato de resistência.

No mesmo dia, aprendo a improvisar um vídeo de 20 segundos para divulgar minha aula na Escola da Rebeldia. Quase termino um relacionamento por conta da frustração de não saber encaixar o celular no tripé recém-comprado. O Youtube salvou o relacionamento e aprendi mais uma lição.

Agora vivo assim, Na corda bamba entre o momento #tbt e o futuro digital onde serei mais pixel do que célula (??!!?).

Agarro-me ao presente. Agarro-me nas obras de Martha Niklau que conheci num passeio inesperado ao Paço Imperial. Mais do que isto, agarro-me à narrativa de Martha explicando sua arte, costurando passado, presente e futuro.

Ainda pela manhã, eu desabafava com a sócia sobre minha sensação de estar obsoleta. Sei bem sobre sentimentos, ideias organizando-se e acolher chamas que ardem sem serem compreendidas. Mas penei para encaixar o celular no tripé.

Preciso aprender a editar vídeos, a fazer lives, a incluir links no Instagram… Vou aprendendo aos poucos, colando das ferramentas de busca e dos youtubers adolescentes. Avanço lentamente, sentindo-me bem mais velha do que sou.

Pausa.

Ponho os pés no chão, ouço a campainha do BRT lá embaixo, o vrrruum contínuo do metrô e do trânsito. Degusto o tec-tec dos dedos no teclado. Sinto-me viva, um pouco mais jovem e esperançosa.

Dentro de minha barriga, nadam os peixes. Martha me provocava mais cedo: às vezes somos peixe, outras isca ou anzol. Falava de como nos enredamos nas redes (metafóricas e não). Apontava um caminho: as frestas, as brechas que interpretei, entre outras coisas, como portais entre o digital e o real, entre o passado e o futuro. Esta brecha que agora é o presente. Sinto-me peixe.

Por um momento, desprendi-me dos anzóis e sou um peixe livre, nadando entre minhas palavras. Palavras fluindo apesar do receio de ser demasiadamente analógica para este tempo volátil.

Por um momento, sou peixe e respiro o presente enquanto prateio no ar.

Já é noite lá fora. Aqui dentro, tremeluzem saudades, oxigênio e as incertezas de mil amanhãs.

Agarro-me à arte, ao sentir e a fé. Espero poder navegar entre tantas eras, sem perder muito pé.

E se me afogar, virarei peixe.

PS: Para me ajudar a me entender neste novo mundo digital, convidei a Carol Wosiack. Ela vai facilitar a próxima Roda de Conversa com o tema Transformação Digital, aqui na Cinelândia.

Inscrições: leticia@leticiacarneiro.com

design: Caio Carneiro

 

 

 

 

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