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	<title>Arquivos humildade - Viver Mais Simples</title>
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	<description>Viver Mais Simples</description>
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		<title>Uma BMW em Saquarema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2020 15:25:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[aprendizado]]></category>
		<category><![CDATA[Autenticidade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autodesenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta semana foi&#8230; Densa. Desafios em quase todas as frentes da vida. Golpes atordoantes. No ego. Na esperança. Na estabilidade.  Na inocência. O corpo dói. O coração dói. Sento na beira do mar revolto, a boca cheia de sal e aquele gosto de água do mar arranhando a garganta, após vencer a batalha de voltar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana foi&#8230; Densa.</p>
<p>Desafios em quase todas as frentes da vida.</p>
<p>Golpes atordoantes. No ego. Na esperança. Na estabilidade.  Na inocência.</p>
<p>O corpo dói. O coração dói.</p>
<p>Sento na beira do mar revolto, a boca cheia de sal e aquele gosto de água do mar arranhando a garganta, após vencer a batalha de voltar á tona e sair do redemoinho.</p>
<p>Nenhum osso quebrado. A consciência de haver escolhido sabiamente a hora de deixar-me ir até a areia, sem lutar contra a força do oceano.</p>
<p>Saber também que cada parte minha está íntegra, apesar dos machucados e do sobressalto.</p>
<p>Houve muita torcida para eu não me afogar. E, claro,  algumas mãos me puxando para o fundo. Somadas todas as forças, foi com meus próprios braços e pernas que entrei no mar de ressaca. E com meus próprios braços e pernas saí. Viva.</p>
<p>Hora de seguir na estrada.</p>
<p>O terapeuta me avisa: é preciso saber ser BMW em Saquarema.</p>
<p>Saber reduzir a marcha e aproveitar a vista, quando não será possível correr até o máximo da velocidade e potência disponíveis.</p>
<p>Não, agora é hora de olhar o mar á distância, com respeito. A 40km por hora, passeio pela orla, ainda bastante selvagem.</p>
<p>As roupas ainda molhadas, o gosto amargo na boca e os ralados ardendo. Mas já vem uma brisa e o céu está tão lindo.</p>
<p>O carro vazio, sem passageiros, sem bagagem, sem missão a cumprir.</p>
<p>Apenas seguir em frente, sem pressa de chegar.</p>
<p>Assim reaprendo meu tamanho e descubro novas formas de ser.</p>
<p>Assim, economizo meu oxigênio para a próxima onda. Pois lugar de sereia é dentro da água.</p>
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		<title>Saúde é a maior liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2020 12:39:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[coronavirus]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[humildade]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A experiência de passar dias sem sair de casa, nem sequer abrir a porta, abriu janelas inéditas por aqui. Por um lado, as possibilidades e necessidades que emergem desta contenção de espaço e ampliação de tempo. Do outro, a angústia de não fazer atividades familiares e triviais como ir ao supermercado toda vez que acaba [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A experiência de passar dias sem sair de casa, nem sequer abrir a porta, abriu janelas inéditas por aqui.<br />
Por um lado, as possibilidades e necessidades que emergem desta contenção de espaço e ampliação de tempo.<br />
Do outro, a angústia de não fazer atividades familiares e triviais como ir ao supermercado toda vez que acaba a farinha; marcar um café com amigos, visitar a madrasta 60+.<br />
Gestos e práticas automáticas (e portanto invisíveis) se revelam preciosas. Nunca tinha me preocupado com o impacto de apertar o botão do elevador e depois roer as unhas&#8230;<br />
A vida do outro também nos comove. O filho ilhado sem os amigos; o marido saudoso da roda de samba; a filha caseira que perde a janela de vida lá fora oferecida pela escola e o basquete.<br />
A luta inglória pela tal da rotina: nem sempre consigo acordar bem no horário de fazer o café da manhã. Quase nunca durmo cedo o suficiente. E com frequência o sono é agitado.<br />
As conversas profundas acontecem mais amiúde: é preciso negociar e renegociar diferenças com mais urgência, por estarmos mais espremidos por dentro e por fora. Sair para espairecer não é opção&#8230;<br />
Mas este parênteses da pandemia se insere numa vida maior. Perdi meu irmão caçula. Há negócios de família requerendo discussão. Há sonhos querendo nascer e trabalho precisando ser feito.<br />
E conciliar a vida dentro da vida traz também seus desafios, dores e aprendizados.<br />
Primeiro, a gratidão.  Precisava do recolhimento para processar a magnitude da saudade que sentia desde janeiro. Não há superação possível, nem cura duradoura. Mas poder deixar minha dor passear com mais amplitude me devolveu ar aos pulmões.<br />
Depois o reconhecimento das bençãos que eu não andava cultivando muito bem: conversas longas com amigos.  Ler um livro. Cozinhar. Jogar cartas e conversar com a família.<br />
Tudo que poderia ser feito antes da pandemia. E não era.<br />
Enfim, estar on-line comigo 24 horas.  Os refúgios habituais estão relativamente suspensos: o trabalho mais limitado, as tarefas mais concentradas.   Dialogo sem parar com meus medos, minhas angústias, meu luto, minha ansiedade, minha raiva. Tomo tempo para digerir, registrar e até voltar a escrever neste empoeirado blog.<br />
Não vejo na pandemia um bálsamo. Contudo, tampouco me ressinto desta inesperada mensagem da natureza sobre nossa vulnerabilidade e insignificância.<br />
Entre atônita e resignada, busco ficar no presente e compreender o tamanho desta transformação dentro e fora.<br />
O que verdadeiramente dói é o descaso de uma parte da população. A falta de entendimento de muitos sobre o preço de não enfrentarmos o isolamento social. Especialmente nós, que podemos nos dar este verdadeiro luxo de não sermos obrigados a nos expor.<br />
Nós que não somos funcionários da farmácia e de mercado. Que não estamos na linha de frente dos hospitais. Que não somos a infraestrutura que mantém a cidade limpa, com entregas em dia e comida na mesa.<br />
Nós, que temos o privilégio de uma casa, uma renda e a opção de não estar lá fora.<br />
Nós precisamos fazer nossa parte, que é a mais fácil. Mais fácil porque a solidão e o tédio são baratos versus a doença e a morte.<br />
E nem sempre será a nossa doença e nossa morte. Será quase sempre a do outro: mais idos@, mais frágil ou simplesmente, mais azarado do que nós.<br />
Hoje somos pássaros engaiolados. Ansiosos e irritados.<br />
Mas estamos vivos e quando este tempo passar, poderemos novamente voar.<br />
Não podemos roubar dos outros esta possibilidade. É um fardo muito pesado, disseminar o vírus invisível por aí.<br />
Sim, eu chorei outro dia ao dirigir de janelas fechadas por uma orla belíssima do Rio de Janeiro. A saudade de um banho de mar e um vento fresco doeram fundo.<br />
Anseio por ir e vir, tomar o metrô, conversar com o moço do Uber até.<br />
Esta é uma liberdade importante, sem dúvida.<br />
Mas a maior liberdade é a saúde.<br />
Sem ela, não há dinheiro, poder, sonho ou boa intenção que sustente.<br />
E quanto mais tempo, mais de nós ficarmos em casa, mais cedo poderemos desfrutar de nossa liberdade.<br />
Fiquemos em casa, portanto.<br />
Fiquemos por nós e pelo outros.<br />
Pelos pacientes de doenças que precisam de um leito agora indisponível. Pelas mães e pais que gostariam de se despedir de seus filhos mortos. Por médic@s e enfermeir@s que se sentem impotentes diante da falta de recursos e do excesso de doentes.<br />
Fiquemos em casa por humildade e reverência a esta Natureza maior do que nós. Este coletivo, maior do que nós.<br />
A saúde é a maior liberdade. E tod@s tem direito à liberdade.</p>
<p>#Fique em casa.</p>
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