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	<title>Arquivos Meu pai - Viver Mais Simples</title>
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	<description>Viver Mais Simples</description>
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		<title>Vivo em mim</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jan 2021 12:54:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Meu pai]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Oi, Pai. Hoje faz 72 anos que você nasceu. Celebraríamos num jantar em família, você entre radiante de estar com a gente e rabugento, para manter a fama&#8230; Imagino seu ponto de vista sobre tudo o que está acontecendo. Seu convite para mantermos a calma, nos mantermos unidos. Suas perguntas e seus conselhos. Com sorte, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Oi, Pai.</p>
<p>Hoje faz 72 anos que você nasceu.</p>
<p>Celebraríamos num jantar em família, você entre radiante de estar com a gente e rabugento, para manter a fama&#8230;</p>
<p>Imagino seu ponto de vista sobre tudo o que está acontecendo. Seu convite para mantermos a calma, nos mantermos unidos. Suas perguntas e seus conselhos.</p>
<p>Com sorte, seria um daqueles dias em que eu faria um cafuné na sua cabeça calva e você me daria um sorriso de lado.  Eu ou um de meus irmãos faríamos uma brincadeira implicante contigo e você sorriria entre tímido e desajeitado.</p>
<p>Suspiro.</p>
<p>Aceito a inevitabilidade da vida morte vida, que leva pessoas que eu amo e traz novos desafios de adulta.  Eu querendo descansar e a vida me beliscando.</p>
<p>A tristeza corre mansa, quente e funda aqui dentro. Não tive tempo ainda para chorar todas as lágrimas. Você, Caio. Tão perto um do outro.</p>
<p>Fiz o que tinha que fazer: estendi a mão, fui firme, segui em frente.</p>
<p>Mas também fiz o que podia fazer. Tardes enrodilhada em mim mesma, segurando o meu próprio coração. Um desejo de ser mais eremita, inédito. Uma paciência e capacidade de perdão crescentes.</p>
<p>O cansaço é também bom professor.</p>
<p>Minha teimosia é desafiada pelas ondas altas, pelos pequenos e grandes revezes, pelo atordoamento com o estado das coisas no mundo.</p>
<p>Eu poderia estar com um grande torcicolo de esticar meu pescoço para tentar entender e alcançar a complexidade da pandemia, das guerras e ódios. Meu luto me salva.</p>
<p>Retorno para dar colo a mim mesma, desligo o noticiário e telefone. Sou só eu e todos os meus mortos aqui dentro de mim.</p>
<p>Não tenho raiva de Deus nem lamento injustiças. Foi o que foi.</p>
<p>A cicatriz larga, do tamanho de meu amor por você, se chama saudade.</p>
<p>A lista de tarefas segue grande, o mundo lá fora me chama com o trabalho, a maternidade, os cuidados com os outros que precisam.</p>
<p>Mas por um instante, sou eu, menina de novo, ouvindo suas histórias, aprendendo a ser gente grande a partir de seus passos, questionando e desafiando você, me afastando e me reaproximando.</p>
<p>Por um instante, sou apenas sua filha. Todos os outros papéis empilhados no canto do escritório.</p>
<p>O ar torna-se oceano mais uma vez. Avanço lentamente, sabendo que não há outro jeito.</p>
<p>Sem urgência em chegar a algum lugar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Respiro gratidão, lágrima salgada e resignação.</p>
<p>Hoje é mais um dia sem você.</p>
<p>Hoje é  mais um dia com você.</p>
<p>Sempre sua mais velha, irreverente, leal e cheia de asas filha.</p>
<p>Asas que você me ajudou a formar com seus nãos e sims.</p>
<p>Minha saudade é para sempre. Meu luto é para sempre. Meu coração é para sempre.</p>
<p>Seu.</p>
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		<title>Faz um ano&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jul 2018 21:15:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[memórias felizes]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Meu pai]]></category>
		<category><![CDATA[vivermaissimples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faz um ano que me tornei órfã de você. Cada uma das quatro letras repleta de saudades, lembranças e muito espanto. Ainda é tão acesa a memória de sua cabeça quente sob minhas mãos. Do choro caudaloso após ser surpreendida por este contato inesperado entre a borda de sua vida e de sua  morte. Depois, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Faz um ano que me tornei órfã de você. Cada uma das quatro letras repleta de saudades, lembranças e muito espanto.</p>
<p>Ainda é tão acesa a memória de sua cabeça quente sob minhas mãos. Do choro caudaloso após ser surpreendida por este contato inesperado entre a borda de sua vida e de sua  morte.</p>
<p>Depois, a sensação de caminhar na água, por meses a fio. O ar era água. Tudo era água, dentro e fora de mim.</p>
<p>Meus dias foram uma aquarela, aos poucos ganhando novo contorno. Nitidez, nova textura. E se apropriando do novo título.</p>
<p>Órfã.</p>
<p>Não sei explicar tudo que vem com este substantivo.  Um mundo de sensações e aprendizagens entre a boca aberta no início e o &#8220;Ahn?&#8221; do final.</p>
<p>Estupefata, descubro o que todos me diziam. A saudade não passa nunca. Se depender de mim, Alberto bailará no reino do lembrados por muito tempo.</p>
<p>A Orfandade me faz atônita, mas também traz coisas belas.</p>
<p>A surpresa de ver quão vivo você mora em mim. Nas palavras, valores, memórias incontáveis. Como te perder fora, consolidou você dentro. Meu pai.</p>
<p>Volta e meia choro. Com frequência. E a lágrima é alívio e homenagem. Eu estou viva e choro a sua morte.  Mas sobretudo, estou viva. E amo esta vida ainda mais, mesmo sem você por perto.</p>
<p>Sua partida deixou as cores mais marcantes.  Deixou os encontros com os tios na Chacrinha mais significativos.  Fez-me amar a Ribeira, como nunca antes.  Porque a Ribeira agora é o solo sagrado onde você repousa e é também legado, história, esperança, futuro.</p>
<p>Tudo é diferente. E mesmo a tristeza não rouba o valioso de estar tão mais desperta para a saúde, o amor, o estar juntos. E tão indisponível para certas discussões inúteis, desgastes desnecessários,  futilidades.</p>
<p>Sua morte me faz acreditar que cada dia vale mais que antes.  Não há tempo a perder com brigas, reclamações, mágoas sem sentido.</p>
<p>Tudo urge, tudo pulsa, tudo é força de transformação.</p>
<p>Você me mostrou de forma tão concreta: meu pai doente, virou um morto sereno, então cinza e agora cajueiro.</p>
<p>Tudo ficou menos morto. Apesar de você ter morrido.</p>
<p>Eu agora saboreio os minutos com a certeza de que são preciosos. Por que cada minuto ao seu lado, revela-se um tesouro. Mesmo os mais doídos.  Tudo é você, agora infinito.</p>
<p>Faz um ano.</p>
<p>Hoje, passei o dia perambulando entre as recordações e cuidando de sua neta doente.  Passado e futuro entrelaçados, e o meu choro intermitente sendo a ponte entre as gerações.</p>
<p>Você está morto e eu, órfã.</p>
<p>Abracei outros órfãos desde então. Viúvas também.  E fui mais solidária do que antes, porque agora aprendi coisas novas que apenas sua morte poderia me ensinar.</p>
<p>Esta estreia é vitalícia. Serei doravante órfã.  Não poderia  imaginar que haveria uma parte doce.  Que haveria motivos por que agradecer.</p>
<p>Gosto-me mais assim.</p>
<p>Mas seu eu pudesse, ah, seu eu pudesse.</p>
<p>Como gostaria de mais uma conversa entre nós&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre a arte de viver</title>
		<link>https://www.vivermaissimples.com/sobre-arte-de-viver/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Mar 2018 10:40:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2018]]></category>
		<category><![CDATA[equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Meu pai]]></category>
		<category><![CDATA[viver mais simples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estar vivo é ser uma nova realidade a cada novo dia. O que motiva a caminhada? Quais as alegrias? E os espinhos? Viver é muito perigoso, diziam Guimarães Rosa e meu pai.  Porque é impreciso, diziam Fernando Pessoa e Caetano. Imprecisão e perigo me assombram de tempos em tempos. Mais agora, que amadureço enquanto aprendo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estar vivo é ser uma nova realidade a cada novo dia.</p>
<p>O que motiva a caminhada? Quais as alegrias? E os espinhos?</p>
<p>Viver é muito perigoso, diziam Guimarães Rosa e meu pai.  Porque é impreciso, diziam Fernando Pessoa e Caetano.</p>
<p>Imprecisão e perigo me assombram de tempos em tempos. Mais agora, que amadureço enquanto aprendo a ser órfã.</p>
<p>Compreendo que a arte de viver é a arte de gerenciar energia.</p>
<p>Nos relacionamentos.  Nos pensamentos.  Nas tarefas. Onde vou por meu foco?  Quem vai me rodear e por quanto tempo estaremos juntos?  O que me inspira? O que me drena?</p>
<p>Tudo isso no contexto de um corpo que evolui e envelhece. A interação entre este corpo e o mundo constrói o que é minha vida.</p>
<p>2017 foi um ano de novidades.</p>
<p>O amor que arrebatou o coração e despertou novas vontades, reorganizando o uso do tempo.</p>
<p>A morte que leva consigo certezas e garantias ilusórias, mas ainda assim estruturantes.</p>
<p>Amanheço 2018 mais sóbria. O amor mais de bom tamanho, o luto mais conhecido e suportável.</p>
<p>O ano que passou foi um turbilhão. Bem no final, levantei a cabeça do rodopio célere e tive fôlego para plantar algumas sementes que agora espero brotar, cultivando paciência e fé.</p>
<p>Andei distraída, ausente de muitos lugares, inclusive destas páginas aqui.</p>
<p>Lentamente, retomo o ritmo, resgato a disciplina. Um passo por vez, um texto por semana.</p>
<p>O foco torna-se sustentar a caminhada.  Equilibrar os pratos da maternidade, com atenção e diligência.  Cuidar do amor mais maduro, construindo pontes para atravessar os abismos de cada um.  Arar a terra para que os trabalhos vicejem, num ano de deserto reaprendendo a florir.</p>
<p>Para lidar com tudo isso, reconecto-me. Comigo e meus pulsos de alegria e recolhimento.  Nas trocas com queridos e na aprendizagem do silêncio e solitude.  Monitorando o estado da alma e do corpo, cuidando do que se faz urgente.</p>
<p>Lentamente, reencontro minha voz e uma sanidade alicerçada em cicatriz e  um certo otimismo.  Vigiando os excessos, os desvarios, o que me tira do eixo.</p>
<p>A arte de viver é escrita com letras miúdas, sussurros sutis.  Uso tudo que construí e até alguns arrependimentos.</p>
<p>A vida segue perigosa e imprecisa, abraço-me comigo, sustentando a coragem e afeto na palma de minhas mãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Meus sentimentos</title>
		<link>https://www.vivermaissimples.com/meus-sentimentos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2017 17:53:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Meu pai]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recebo com gratidão E cautela Tantos sentimentos Quais são meus? Quais não são? &#160; Dentro de mim Tateio o buraco Onde se entranha minha dor Só minha &#160; Limpo a ferida Passo remédios Deixo aberta Para respirar &#160; Meus sentimentos aquietam-se Na placidez depois do pranto &#160; Tranquila, observo O fundo deste lago Chamado Amor [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Recebo com gratidão</p>
<p>E cautela</p>
<p>Tantos sentimentos</p>
<p>Quais são meus?</p>
<p>Quais não são?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dentro de mim</p>
<p>Tateio o buraco</p>
<p>Onde se entranha minha dor</p>
<p>Só minha</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Limpo a ferida</p>
<p>Passo remédios</p>
<p>Deixo aberta</p>
<p>Para respirar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meus sentimentos aquietam-se</p>
<p>Na placidez depois do pranto</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tranquila, observo</p>
<p>O fundo deste lago</p>
<p>Chamado Amor</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mergulho bem devagar</p>
<p>E fico ali</p>
<p>Sentindo</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meus sentimentos</p>
<p>Decantados</p>
<p>São chão de areia macia</p>
<p>Para eu caminhar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>18/7/17. 13 dias</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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