A beleza da tíbia

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São tempos de muitas nuvens. Para a travessia ser menos penosa, recebo o conselho da Mestra: cultive sua vida interior.

Cultivo. No desenferrujar das palavras; na reativação de atividades físicas; nas longas pausas e banhos de mar ainda mais longos. E, às quartas, na Eutonia.

Eutonia que nem sei bem definir, mas sinto como um espaço de conhecer meu corpo, suas delicadezas e forças, guiada pela fala poética e precisa de Thereza Feitosa. Consciência Corporal, relaxamento e inspiração para os dias de chuva. Tudo isso junto.

Hoje, como sempre, exploramos. Primeiro, articulações: dedos, ombros, quadris, cotovelos, joelhos… Descubro deliciada o quanto sou flexível, arredondada e conectada internamente.

O passeio se amplia e chegamos na tíbia.  Aprendo que ossos tem vazios. Escuto meu  suave tamborilar na superfícies da perna.  Reconheço este osso peculiar… Sustenta as bailarinas, com a mesma doçura e resistência que meu sobrepeso.

Até isto aprendo a amar. Nos macios de meus tecidos, revelam-se nuances, coragem, adaptabilidade a este mundo tão duro. Meus tecidos sábios amortecem pancadas enquanto protegem vísceras, ossos, músculos.

Mergulho no bálsamo de estar presente e, ao mesmo tempo, mirar nada em especial.  Por isso digo que a Eutonia é meu Yoga e minha meditação.

Saio serena, alegre e grata por tantas riquezas reveladas entre cada pedaço de meu corpo. Guiada pela voz aveludada de Thereza, reconheço-me, amplio-me.

Eu sou meu corpo. Contemplar tanta abundância e possibilidade evoca a resiliência necessária para me resguardar e me expandir aqui fora também.

A intuição vai me guiando. Cuidado com o que é pontudo, sem pressa, com precisão.  Como a vida pede.

Enamoro-me de minha tíbia.  Raíz elegante para caminhar longe. Nem preciso acelerar o passo.

É suficiente degustar a dança de tecidos, ossos e músculos interligados, valsando com elegância a valsa do bem viver.

A tíbia tem indescrítivel beleza. É dura e porosa. É reta e voluptuosa. Faz par com a fíbula e, juntas, sustentam milhas e milhas de aventuras.

Meu corpo segue entrelaçado firmemente com minha alma. Sinto calor, pulso, esperança.

É bom estar viva.

 

 

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