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	<title>Arquivos Resiliência - Viver Mais Simples</title>
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	<description>Viver Mais Simples</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Oct 2020 15:25:03 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Uma BMW em Saquarema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2020 15:25:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[aprendizado]]></category>
		<category><![CDATA[Autenticidade]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[autodesenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
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		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta semana foi&#8230; Densa. Desafios em quase todas as frentes da vida. Golpes atordoantes. No ego. Na esperança. Na estabilidade.  Na inocência. O corpo dói. O coração dói. Sento na beira do mar revolto, a boca cheia de sal e aquele gosto de água do mar arranhando a garganta, após vencer a batalha de voltar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta semana foi&#8230; Densa.</p>
<p>Desafios em quase todas as frentes da vida.</p>
<p>Golpes atordoantes. No ego. Na esperança. Na estabilidade.  Na inocência.</p>
<p>O corpo dói. O coração dói.</p>
<p>Sento na beira do mar revolto, a boca cheia de sal e aquele gosto de água do mar arranhando a garganta, após vencer a batalha de voltar á tona e sair do redemoinho.</p>
<p>Nenhum osso quebrado. A consciência de haver escolhido sabiamente a hora de deixar-me ir até a areia, sem lutar contra a força do oceano.</p>
<p>Saber também que cada parte minha está íntegra, apesar dos machucados e do sobressalto.</p>
<p>Houve muita torcida para eu não me afogar. E, claro,  algumas mãos me puxando para o fundo. Somadas todas as forças, foi com meus próprios braços e pernas que entrei no mar de ressaca. E com meus próprios braços e pernas saí. Viva.</p>
<p>Hora de seguir na estrada.</p>
<p>O terapeuta me avisa: é preciso saber ser BMW em Saquarema.</p>
<p>Saber reduzir a marcha e aproveitar a vista, quando não será possível correr até o máximo da velocidade e potência disponíveis.</p>
<p>Não, agora é hora de olhar o mar á distância, com respeito. A 40km por hora, passeio pela orla, ainda bastante selvagem.</p>
<p>As roupas ainda molhadas, o gosto amargo na boca e os ralados ardendo. Mas já vem uma brisa e o céu está tão lindo.</p>
<p>O carro vazio, sem passageiros, sem bagagem, sem missão a cumprir.</p>
<p>Apenas seguir em frente, sem pressa de chegar.</p>
<p>Assim reaprendo meu tamanho e descubro novas formas de ser.</p>
<p>Assim, economizo meu oxigênio para a próxima onda. Pois lugar de sereia é dentro da água.</p>
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		<title>Vida em Marte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 May 2020 11:57:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caio]]></category>
		<category><![CDATA[David Bowie]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Marte]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[transformação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os dedos buscam escrever. O coração acordou mais manso e mesmo assim, triste. O oráculo diário sussurra: devagar e doce. Recordo sobressaltada que ontem foi quatro meses de sua partida. Meio sem querer, esbarro na música do Bowie que fala da vida cotidiana mas se chama Life on Mars. Descobri por acaso também. E Bowie [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os dedos buscam escrever.</p>
<p>O coração acordou mais manso e mesmo assim, triste.</p>
<p>O oráculo diário sussurra: devagar e doce.</p>
<p>Recordo sobressaltada que ontem foi quatro meses de sua partida. Meio sem querer, esbarro na música do Bowie que fala da vida cotidiana mas se chama Life on Mars. Descobri por acaso também.</p>
<p>E Bowie me lembra você. E me faz chorar toda vez. Parece que ele entende perfeitamente este momento doido que estou vivendo.</p>
<p>Lá fora, o mundo está de cabeça para baixo. Você não ia gostar de ver.</p>
<p>Eu nem sempre olho. Às vezes, é difícil demais. Mesmo para sua irmã otimista incurável.</p>
<p>Decido então olhar para dentro. E aqui dentro, com Bowie ao fundo, mora você, mora meu sonho de acordar o <em><strong><a href="http://voe.etc.br">Voe</a></strong></em>, mora meu amor infinito pelo Léo e a Olívia. Mora minha vontade de reinventar a vida aproveitando que está tudo fora do lugar mesmo.</p>
<p>Devagar e doce, as lágrimas rolam uma a uma. Nunca me importei em chorar. Que bom, porque este é um ano de muitas lágrimas.</p>
<p>Lá de longe, o cérebro me avisa que há trabalho por fazer. Devagar e doce. Devagar e cedo. Devagar, cedo.</p>
<p>Havia outros planos, mas talvez seja melhor não seguir os planos. Devagar e doce.</p>
<p>Decido tocar na ferida e <em><strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iYYRH4apXDo">ouvir a outra do Bowie que me lembra você</a></strong></em>. O fundo musical intergalático é uma homenagem aos astronautas que voaram para fora da Terra esta semana.  Talvez você esteja melhor aí no <em>outerspace</em> mesmo.</p>
<p>Mas não me queixo. Aqui há muita coisa boa para agradecer, a vida é tão de verdade do meu escritório nos fundos da casa.</p>
<p>Eu não preciso mais seguir as regras de sempre. Você sabe bem como eu gosto de inventar as minhas próprias regras. Então fico aqui, sem compromissos demais. Devagar e doce.</p>
<p>Tiro fotos de mim mesma, brincando de artista. O olho com fundo laranja mistura Marte, esperança, tristeza e a importância de estar desperta.<br />
Porque tudo está em movimento e o coração, às vezes, pesa. Mas não se despedaça.</p>
<p>Quem diria que você partir iria fortalecer meu coração ainda mais?</p>
<p>Meu amor por quem está aqui e a saudade-cicatriz do amor por quem já foi  são os únicos exercícios que tenho disciplina para encarar.</p>
<p>Suspiro fundo, o Bowie é bom mesmo.  Não é desespero, não é ansiedade. Não sei nem se é tristeza.</p>
<p>É mais uma suave melancolia, uma nostalgia do que está fora do alcance, uma curiosidade mansa sobre o que virá.</p>
<p>Esta semana foi de revoluções aqui dentro e lá fora. <em><strong><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Death_of_George_Floyd"> Incêndios, revolta, mesas viradas</a></strong></em> sob o olhar implacável de Marte.</p>
<p>Marte, de novo, desta vez no viés da astrologia.</p>
<p>Subitamente, tudo se costura num fio de sentido: Bowie, Marte, você, meu pirata espacial Dr. Tranquilo, as lutas lá fora, as lutas aqui dentro. Devagar e doce.</p>
<p>&#8220;Ground Control&#8221;, o Bowie chama. &#8220;Can you hear me?&#8221;. Você pode me ouvir daí?</p>
<p>Diz que vai ficar tudo bem, tá?</p>
<p>&#8220;Cause there is nothing I can do&#8221;.</p>
<p>Por enquanto.</p>
<p>Devagar e doce, confio. Há de melhorar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cada um no seu ritmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2020 15:49:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[coronavirus]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[quarentena]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[travessia]]></category>
		<category><![CDATA[viver mais simples]]></category>
		<category><![CDATA[Voe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma nova semana em quarentena. Uma de muitas que virão, aparentemente. O coração está pesado com as notícias e desgovernos. Com a impotência de ver pobres e idosos e profissionais da saúde na linha de frente desta guerra. Triste de ver o desconsolo no olhar dos filhos. E do marido. O preço são noites insones [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova semana em quarentena. Uma de muitas que virão, aparentemente.</p>
<p>O coração está pesado com as notícias e desgovernos. Com a impotência de ver pobres e idosos e profissionais da saúde na linha de frente desta guerra. Triste de ver o desconsolo no olhar dos filhos. E do marido.</p>
<p>O preço são noites insones e muita dor de cabeça.</p>
<p>Mas foi bom reencontrar o meu ritmo.</p>
<p>A pandemia foi o tapa na cara. Na minha cara.</p>
<p>Labuta demais. Gastos demais. Automático demais.</p>
<p>Foi um freio de arrumação. Daqueles que chacoalha a coluna vertebral que chega a doer.</p>
<p>A dor de perder meu irmão era atropelada pelo trabalho sem fim, viagens sem fim, tarefas sem fim.</p>
<p>Eu não prestava atenção em relações importantes. E desperdiçava tempo em relações estéreis.</p>
<p>Eu estendia meu braço para o lado errado.</p>
<p>Os dias passavam e eu não estava atenta o suficiente aos meus filhos. E eles, não estavam passando tempo suficiente comigo.</p>
<p>Quando algo apertava com o marido, uma viagem conveniente dava um <em>reset</em> e as diferenças iam para baixo do tapete.</p>
<p>Agora, o tempo é outro.</p>
<p>Mais lento: dois meses e eu vivi intensamente cada dia. Conversas significativas, estudo, autoconhecimento, muito amor.</p>
<p>Mais rápido: as horas escoam entre estudo, trabalho, cozinha, insônia.</p>
<p>Não dou conta de tudo: há algumas amizades precisando de rega. O corpo implora por alguma atividade, mas a preguiça ainda impera.  Há planos ainda na prateleira.</p>
<p>Há ainda planos na prateleira: no (des)conforto da gosma de meu casulo, vejo as asas se formando. Novos sonhos, de melhor tamanho.</p>
<p>E sei que para muitos a situação é outra. Mas estou aprendendo a não pedir desculpas por ser eu mesma. Este texto não é uma contação de vantagens. É um registro.</p>
<p>Para eu não esquecer.</p>
<p>Não esquecer de que a vida segue lá fora, injusta e bela. Quase nada posso fazer sobre quase tudo.</p>
<p>Mas o pouco que posso, faz muito sentido. E este sentido é o farol da minha travessia.</p>
<p>Sinto muito pelas vidas ceifadas. Pelos trabalhos perdidos. Pelas pedras pontudas enfrentadas por quem não tem meus privilégios.</p>
<p>Contudo, agradeço por ter redescoberto meu próprio ritmo. Da solidão do meu escritório improvisado, me dou colo e me dou asas.</p>
<p>E tudo há de passar, mais uma vez.</p>
<p>E quando passar, voaremos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Imagem: verbete do livro Desdicionário do projeto homônimo de Daniela Belmiro.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Uma vela na escuridão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2020 20:30:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[propósito]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[clarissa pinkola estes]]></category>
		<category><![CDATA[Corpo Inteiro]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[missão]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres que correm com os lobos]]></category>
		<category><![CDATA[Regina Rapacci]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[separação]]></category>
		<category><![CDATA[viver mais simples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há algum tempo já me dei conta: 2020 é o início de uma nova etapa no Viver Mais Simples. Lá atrás, era sobre simplificar, viver com propósito, respirar. Foi amadurecendo e se ampliando.  Cinco anos. Oito. E agora, dez anos. Completos em dezembro passado. No começo eu escrevia sobre meu dia a dia. Em seguida, sobre o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo já me dei conta: 2020 é o início de uma nova etapa no <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/oito-passos-para-viver-mais-simples/">Viver Mais Simples</a></strong></em>.</p>
<p>Lá atrás, era sobre simplificar, viver com propósito, respirar.</p>
<p>Foi amadurecendo e se ampliando.  <a href="http://www.vivermaissimples.com/cinco-anos-de-viver-mais-simples/"><em><strong>Cinco a</strong><strong>nos</strong></em></a>. <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/oito-anos-de-viver-mais-simples/">Oito</a></strong></em>.</p>
<p>E agora, dez anos. Completos em dezembro passado.</p>
<p>No começo eu escrevia sobre <a href="http://www.vivermaissimples.com/obrigada-2010/"><em><strong>meu dia a</strong></em><em><strong> dia</strong></em>.</a> Em seguida, sobre <a href="http://www.vivermaissimples.com/o-melhor-do-viver-mais-simples-2015/"><em><strong>o novo trabalho e a jornada de autoconhecimento</strong></em></a>. Mais recentemente, para digerir a <a href="http://www.vivermaissimples.com/faz-um-ano/"><strong><em>perda de meu pai</em></strong></a>, <a href="http://www.vivermaissimples.com/balanco-2016-a-colheita/"><em><strong>o fim de meu casamento</strong></em></a>, a <a href="http://www.vivermaissimples.com/cada-dia-ao-seu-lado/"><em><strong>perda de meu irmão</strong></em></a>.</p>
<p>E agora, para dar sentido a tudo isso que acontece e atordoa, mas também expande, aprofunda e amadurece.</p>
<p>Para recuperar o fôlego, fui buscar uma das primeiras práticas do Viver Mais Simples. O <a href="http://www.vivermaissimples.com/por-que-nao/"><em><strong>Por que não</strong></em>?</a></p>
<p>Assim encontrei <a href="https://www.reginarapacci.com/"><strong><em>Regina Rapacci</em></strong></a> e seu belo projeto <em><strong><a href="https://youtu.be/DlnX3BKwxyg">Janelas de Conversa</a></strong></em>. E durante algumas horas e em companhia de mulheres valentes, mergulhamos no conto Barba Azul, do livro <a href="https://www.amazon.com.br/Mulheres-que-Correm-com-Lobos/dp/8532529445"><em><strong>Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés</strong></em></a>.</p>
<p>Esta história já esteve comigo outras vezes. <a href="http://www.vivermaissimples.com/barba-azul/"><em><strong>Num grupo de Estudo</strong></em></a>s, onde aprendi muito sobre as vozes de dentro e fora que tentam vencer nossa intuição. No <em><strong><a href="http://quaseoito.com.br/produto/barba-azul/">livro da Eliza Morenno, editado pela Quase Oito e ilustrado pela Lina, </a></strong></em>cuja beleza pude honrar no prefácio.</p>
<p>E agora.</p>
<p>Cada vez que lemos um conto (e certas histórias são fundamentais para mapear nossas ferramentas mais poderosas), nosso olhar e coração se acendem com algo.</p>
<p>Desta vez, com duas passagens:</p>
<p>&#8220;Estava escuro, logo acenderam um vela&#8221; e  a parte onde a protagonista aguarda &#8220;os irmãos&#8221; que venceriam Barba Azul.</p>
<p>Fiquei com estes dois recortes, de tudo (e é muito, quem conhece a história, sabe).</p>
<p>Saí do encontro cansada e emocionada. Sim, são tempos escuros. Apenas tateamos, desajeitadamente.</p>
<p>Mas a força de uma vela é muita. E a força de cada vela somada, transformadora.</p>
<p>Lembrei-me de uma de minhas clientes maravilhosas, Mônica Caram. Ela faz velas. A que ilustra este texto foi um presente dela.</p>
<p>A beleza e calma que emanam de uma vela tem a potência de mil sóis e a suavidade de um vaga-lume.</p>
<p>Meu propósito vem se renovando ao longo dos anos. No começo, &#8220;Ajudar as pessoas a frutificarem, sendo felizes&#8221;. Depois, &#8220;Despertar com palavras o florescer do outro&#8221;. Mais recentemente, <strong><em><a href="http://voe.etc.br/#oque">ajudar cada um a espraiar suas asas</a>. </em> </strong>E agora, também e ainda em lapidação &#8220;Cuidar para que o mundo tenha mais luz&#8221;. Ao compartilhar a  luz de minha própria vela.  Ao contribuir para cada um encontrar e cuidar se sua própria vela. A centelha que todos temos. Para que brilhemos e iluminemos o mundo. E cumpramo-nos como seres humanos.</p>
<p>Lá no encontro da Regina, me comovi de verdade com a potência desta luz emanada quando nos reunimos e confiamos (que é fiar juntas).</p>
<p>Mas é preciso coragem. E aí invoco &#8220;os irmãos&#8221;. Nossa persistência. Nossa disciplina. Nossa força.  Eles virão, se acreditarmos. Eles virão, se os chamarmos.</p>
<p>Vela em punho, invoquemos dentro de nós. E fora de nós. Cada irmão.</p>
<p>E nestes tempos de incerteza, perdas e sofrimento, eu te ofereço minha vela. Na esperança que este fogo possa te ajudar a acender a sua.</p>
<p>E então serão muitas.</p>
<p>E triunfaremos sobre este tempo de sombras.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Saúde é a maior liberdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2020 12:39:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[coronavirus]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[humildade]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A experiência de passar dias sem sair de casa, nem sequer abrir a porta, abriu janelas inéditas por aqui. Por um lado, as possibilidades e necessidades que emergem desta contenção de espaço e ampliação de tempo. Do outro, a angústia de não fazer atividades familiares e triviais como ir ao supermercado toda vez que acaba [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A experiência de passar dias sem sair de casa, nem sequer abrir a porta, abriu janelas inéditas por aqui.<br />
Por um lado, as possibilidades e necessidades que emergem desta contenção de espaço e ampliação de tempo.<br />
Do outro, a angústia de não fazer atividades familiares e triviais como ir ao supermercado toda vez que acaba a farinha; marcar um café com amigos, visitar a madrasta 60+.<br />
Gestos e práticas automáticas (e portanto invisíveis) se revelam preciosas. Nunca tinha me preocupado com o impacto de apertar o botão do elevador e depois roer as unhas&#8230;<br />
A vida do outro também nos comove. O filho ilhado sem os amigos; o marido saudoso da roda de samba; a filha caseira que perde a janela de vida lá fora oferecida pela escola e o basquete.<br />
A luta inglória pela tal da rotina: nem sempre consigo acordar bem no horário de fazer o café da manhã. Quase nunca durmo cedo o suficiente. E com frequência o sono é agitado.<br />
As conversas profundas acontecem mais amiúde: é preciso negociar e renegociar diferenças com mais urgência, por estarmos mais espremidos por dentro e por fora. Sair para espairecer não é opção&#8230;<br />
Mas este parênteses da pandemia se insere numa vida maior. Perdi meu irmão caçula. Há negócios de família requerendo discussão. Há sonhos querendo nascer e trabalho precisando ser feito.<br />
E conciliar a vida dentro da vida traz também seus desafios, dores e aprendizados.<br />
Primeiro, a gratidão.  Precisava do recolhimento para processar a magnitude da saudade que sentia desde janeiro. Não há superação possível, nem cura duradoura. Mas poder deixar minha dor passear com mais amplitude me devolveu ar aos pulmões.<br />
Depois o reconhecimento das bençãos que eu não andava cultivando muito bem: conversas longas com amigos.  Ler um livro. Cozinhar. Jogar cartas e conversar com a família.<br />
Tudo que poderia ser feito antes da pandemia. E não era.<br />
Enfim, estar on-line comigo 24 horas.  Os refúgios habituais estão relativamente suspensos: o trabalho mais limitado, as tarefas mais concentradas.   Dialogo sem parar com meus medos, minhas angústias, meu luto, minha ansiedade, minha raiva. Tomo tempo para digerir, registrar e até voltar a escrever neste empoeirado blog.<br />
Não vejo na pandemia um bálsamo. Contudo, tampouco me ressinto desta inesperada mensagem da natureza sobre nossa vulnerabilidade e insignificância.<br />
Entre atônita e resignada, busco ficar no presente e compreender o tamanho desta transformação dentro e fora.<br />
O que verdadeiramente dói é o descaso de uma parte da população. A falta de entendimento de muitos sobre o preço de não enfrentarmos o isolamento social. Especialmente nós, que podemos nos dar este verdadeiro luxo de não sermos obrigados a nos expor.<br />
Nós que não somos funcionários da farmácia e de mercado. Que não estamos na linha de frente dos hospitais. Que não somos a infraestrutura que mantém a cidade limpa, com entregas em dia e comida na mesa.<br />
Nós, que temos o privilégio de uma casa, uma renda e a opção de não estar lá fora.<br />
Nós precisamos fazer nossa parte, que é a mais fácil. Mais fácil porque a solidão e o tédio são baratos versus a doença e a morte.<br />
E nem sempre será a nossa doença e nossa morte. Será quase sempre a do outro: mais idos@, mais frágil ou simplesmente, mais azarado do que nós.<br />
Hoje somos pássaros engaiolados. Ansiosos e irritados.<br />
Mas estamos vivos e quando este tempo passar, poderemos novamente voar.<br />
Não podemos roubar dos outros esta possibilidade. É um fardo muito pesado, disseminar o vírus invisível por aí.<br />
Sim, eu chorei outro dia ao dirigir de janelas fechadas por uma orla belíssima do Rio de Janeiro. A saudade de um banho de mar e um vento fresco doeram fundo.<br />
Anseio por ir e vir, tomar o metrô, conversar com o moço do Uber até.<br />
Esta é uma liberdade importante, sem dúvida.<br />
Mas a maior liberdade é a saúde.<br />
Sem ela, não há dinheiro, poder, sonho ou boa intenção que sustente.<br />
E quanto mais tempo, mais de nós ficarmos em casa, mais cedo poderemos desfrutar de nossa liberdade.<br />
Fiquemos em casa, portanto.<br />
Fiquemos por nós e pelo outros.<br />
Pelos pacientes de doenças que precisam de um leito agora indisponível. Pelas mães e pais que gostariam de se despedir de seus filhos mortos. Por médic@s e enfermeir@s que se sentem impotentes diante da falta de recursos e do excesso de doentes.<br />
Fiquemos em casa por humildade e reverência a esta Natureza maior do que nós. Este coletivo, maior do que nós.<br />
A saúde é a maior liberdade. E tod@s tem direito à liberdade.</p>
<p>#Fique em casa.</p>
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		<title>A beleza da tíbia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Feb 2019 14:35:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[eutonia]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[thereza feitosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>São tempos de muitas nuvens. Para a travessia ser menos penosa, recebo o conselho da Mestra: cultive sua vida interior. Cultivo. No desenferrujar das palavras; na reativação de atividades físicas; nas longas pausas e banhos de mar ainda mais longos. E, às quartas, na Eutonia. Eutonia que nem sei bem definir, mas sinto como um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>São tempos de muitas nuvens. Para a travessia ser menos penosa, recebo o conselho da Mestra: <strong>cultive sua vida interior.</strong></p>
<p>Cultivo. No desenferrujar das palavras; na reativação de atividades físicas; nas longas pausas e banhos de mar ainda mais longos. E, às quartas, na <em><strong><a href="https://www.eutonia.org.br/">Eutonia.</a></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="https://www.eutonia.org.br/">Eutonia </a></strong></em>que nem sei bem definir, mas sinto como um espaço de conhecer meu corpo, suas delicadezas e forças, guiada pela fala poética e precisa de <em><strong>Thereza Feitosa.</strong> </em>Consciência Corporal, relaxamento e inspiração para os dias de chuva. Tudo isso junto.</p>
<p>Hoje, como sempre, exploramos. Primeiro, articulações: dedos, ombros, quadris, cotovelos, joelhos&#8230; Descubro deliciada o quanto sou flexível, arredondada e conectada internamente.</p>
<p>O passeio se amplia e chegamos na tíbia.  Aprendo que ossos tem vazios. Escuto meu  suave tamborilar na superfícies da perna.  Reconheço este osso peculiar&#8230; Sustenta as bailarinas, com a mesma doçura e resistência que meu sobrepeso.</p>
<p>Até isto aprendo a amar. Nos macios de meus tecidos, revelam-se nuances, coragem, adaptabilidade a este mundo tão duro. Meus tecidos sábios amortecem pancadas enquanto protegem vísceras, ossos, músculos.</p>
<p>Mergulho no bálsamo de estar presente e, ao mesmo tempo, mirar nada em especial.  Por isso digo que a Eutonia é meu Yoga e minha meditação.</p>
<p>Saio serena, alegre e grata por tantas riquezas reveladas entre cada pedaço de meu corpo. Guiada pela voz aveludada de Thereza, reconheço-me, amplio-me.</p>
<p>Eu sou meu corpo. Contemplar tanta abundância e possibilidade evoca a resiliência necessária para me resguardar e me expandir aqui fora também.</p>
<p>A intuição vai me guiando. Cuidado com o que é pontudo, sem pressa, com precisão.  Como a vida pede.</p>
<p>Enamoro-me de minha tíbia.  Raíz elegante para caminhar longe. Nem preciso acelerar o passo.</p>
<p>É suficiente degustar a dança de tecidos, ossos e músculos interligados, valsando com elegância a valsa do bem viver.</p>
<p>A tíbia tem indescrítivel beleza. É dura e porosa. É reta e voluptuosa. Faz par com a fíbula e, juntas, sustentam milhas e milhas de aventuras.</p>
<p>Meu corpo segue entrelaçado firmemente com minha alma. Sinto calor, pulso, esperança.</p>
<p>É bom estar viva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Encontrando fôlego</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Feb 2019 01:28:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Barragem-tempestade-incêndio-helicóptero Uma onda tão perto da outra, quase fico sem respirar. Acolho a dor de feridas, desta vez tão próximas: Estive em Brumadinho há pouco mais de seis meses. A funcionária de uma amiga morreu, soterrada por sua própria casa, na Rocinha. Meu filho é um jovem atleta. Ricardo Boechat era uma voz familiar no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Barragem-tempestade-incêndio-helicóptero</p>
<p>Uma onda tão perto da outra, quase fico sem respirar.</p>
<p>Acolho a dor de feridas, desta vez tão próximas:</p>
<p>Estive em <strong><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/02/inhotim-reabre-em-brumadinho-com-missao-de-reerguer-cidade.shtml">Brumadinho </a></strong>há pouco mais de seis meses.</p>
<p>A funcionária de uma amiga morreu, soterrada por sua própria casa, na <strong><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/07/rocinha-foi-regiao-mais-atingida-pela-chuva-no-rio-video-mostra-morador-levado-por-correnteza.ghtml">Rocinha</a></strong>.</p>
<p>Meu filho é um <strong><a href="https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,incendio-no-ninho-do-urubu-ct-do-flamengo,70002713388">jovem atleta</a></strong>.</p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Boechat"><strong>Ricardo Boechat</strong></a> era uma voz familiar no meu cotidiano.</p>
<p>A Cidade. O Estado. O País. Tão longe dos meus sonhos.</p>
<p>Busco coragem no fundo de meus pulmões. E respiro.</p>
<p>Respiro no encontro com outros seres humanos amorosos na resistência.</p>
<p>Respiro ao dar minha modesta ajuda ao morador em situação de rua.</p>
<p>Respiro ao comprar fraldas para o pai de gêmeos.</p>
<p>Respiro ao apoiar projetos de quem se desdobra para embelezar o mundo e o coração dos homens.</p>
<p>Respiro ao dar mais um passo no inventário de meu pai.</p>
<p>Respiro no demorado mergulho no mar.</p>
<p>Respiro ao cozinhar para o irmão em tratamento.</p>
<p>Respiro ao chorar no ombro que me acolhe.</p>
<p>Respiro e ajudo a respirar.</p>
<p>Teimosamente respiro. Minha teimosia vem de longe. Vem da paciência de meu avô, que comprou sua fazenda aos setenta anos. Vem a obstinação de meu pai. Vem da esperança corporificada em meus fihos.  Persistência cujo nome é Celso, Alberto, Leonardo, Olivia.</p>
<p>Respiro.</p>
<p>Aprendo a respirar debaixo de água, fogo, lama e fumaça.</p>
<p>E assim, cuidando de me próprio fôlego&#8230;</p>
<p>Ofereço-te minha mão.</p>
<p>Se você sente desalento, medo ou outro tipo de sentimento relacionado, <strong><a href="leticia@leticiacarneiro.com">conte para mim</a></strong>. Estou pensando em maneiras de contribuir para nossa resiliência coletiva.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Fazer-me feliz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jul 2018 22:36:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Você não pode fazer uma pessoa feliz. Você pode fazer uma pessoa sorrir, se sentir bem ou rir. Mas se uma pessoa é ou não feliz está completa e profundamente fora de seu controle&#8221;. Will Smith Esbarrei num vídeo do Will Smith sobre felicidade e relacionamento. Foi o suficiente para abrir todo um baú de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Você não pode fazer uma pessoa feliz. Você pode fazer uma pessoa sorrir, se sentir bem ou rir. Mas se uma pessoa é ou não feliz está completa e profundamente fora de seu controle&#8221;.</p>
<p>Will Smith</p>
<p>Esbarrei num <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dMZ2aNnJdx8">vídeo do Will Smith sobre felicidade e relacionamento.</a> Foi o suficiente para abrir todo um baú de reflexões sobre como eu me relaciono com os outros.</p>
<p>Minha natureza é inquieta, nos melhores dias. Nos piores, sou uma incansável insatisfeita&#8230;</p>
<p>Muitas vezes, minha reação automática à insatisfação é &#8220;tentar consertar&#8221;.  Tentar me consertar, tentar consertar a situação e tentar consertar o outro.</p>
<p>Aqui sentadinha na mesa de trabalho, escrevendo para vocês, é bem claro que sair consertando as coisas tem limite. E consertar pessoas é impossível.</p>
<p>Mas sendo honesta, quando eu busco consertar, ainda estou no lucro.</p>
<p>O mais grave cenário é aquele em que eu espero. Espero que você mude. Espero que você me atenda e me compreenda.  Espero que você (namorado, amig@, sócia, filh@, etc) cocrie ativamente minha felicidade comigo.</p>
<p>Só que isto é uma bobagem.</p>
<p>Concordo totalmente quando Will Smith fala que &#8220;minha felicidade é minha responsabilidade&#8221;.  E por mais que seja duro saber-me a responsável em última instância por minha própria satisfação, é libertador também.</p>
<p>Eu me liberto ao saber que nenhuma pessoa, fato ou trabalho será capaz de me tornar infeliz para sempre.  A morte do meu pai me trouxe tristeza, o fim de meu casamento também. Algumas brigas e fracassos.  Mas ainda assim, fui capaz e sou capaz de ser feliz.</p>
<p>E eu liberto o outro. Pode fazer o que quiser, até me magoar. Em última instância, isso não é capaz de me fazer infeliz. É claro que posso sofrer, me ressentir. Vai doer. Mas ninguém tem este poder absoluto sobre mim.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ryQj4BIfimE">Viktor Frankl</a> já explica que cabe a nós decidir, em nosso livre arbítrio, ser quem queremos ser, independendente das condições externas. Nas palavras dele, &#8220;Se não pudermos mudar a situação, ainda resta-nos a liberdade de mudar nossa atitude frente a esta mesma situação&#8221;.</p>
<p>Esta é a proposta que me faço a cada dia.  Olhar de olhos bem abertos para as relações e situações ao meu redor. A partir daí, escolher qual o próximo passo que faz sentido com a pessoa que quero ser e a vida que quero levar.</p>
<p>Exercício tantas vezes duro, lição onde volta e meia levo zero.  No entanto, não desisto. Vale a pena persistir neste objetivo:</p>
<p>Fazer-me feliz. Com pedra, espinho, chuva e trovoada&#8230;</p>
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		<title>Sobre limões</title>
		<link>https://www.vivermaissimples.com/sobre-limoes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jun 2018 21:45:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[viver mais simples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta Páscoa sofri um assalto a mão armada, onde levaram o carro, entre outras coisas.  Uma experiência intensa e assustadora. Não foi, nem está sendo fácil.  Mas me chamou a atenção receber comentários sobre a tranquilidade e atitude emocional com que lidei com tudo.  Foi tudo muito automático para mim e o reconhecimento foi bem-vindo. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta Páscoa sofri um assalto a mão armada, onde levaram o carro, entre outras coisas.  Uma experiência intensa e assustadora.</p>
<p>Não foi, nem está sendo fácil.  Mas me chamou a atenção receber comentários sobre a tranquilidade e atitude emocional com que lidei com tudo.  Foi tudo muito automático para mim e o reconhecimento foi bem-vindo.</p>
<p>Mais recentemente, tive uma grande decepção profissional. Um projeto onde investi muito tempo e recursos teve um desfecho abrupto, com diversos prejuízos.  Mas de uma forma estranha, senti uma nova energia e estou espanando a poeira com elegância.</p>
<p>Afinal, o que fazer quando a vida nos dá limões?</p>
<p><strong>Limões podem nos despertar para o açúcar da vida. Mas isso é uma escolha</strong>:</p>
<p>Minha reação instintiva no assalto foi me proteger usando da gratidão.  Poderia ter sido muito pior. Eu e meus dois acompanhantes saímos vivos e sem ter sofrido nenhuma agressão verbal ou física dos assaltantes.  Encontramos uma pessoa disposta a nos dar carona.  Chegamos relativamente rápido em casa. Abalados, mas ilesos.</p>
<p>A prática da gratidão é algo incentivado pela Psicologia Positiva.  Percebi o caráter curativo e calmante de agradecer por algo quando as coisas não vão bem há alguns anos.  Hoje, quando não vem de forma involuntária, eu procuro por onde agradecer.  Aprendi com uma ex-cliente a <a href="http://www.vivermaissimples.com/fazer-uma-gratidao/">fazer uma gratidão </a>mesmo frente ao que é indesejado.</p>
<p><strong>Limões podem nos acordar de um sono profundo (e indesejado)</strong></p>
<p>A perda do meu pai me deixou num estado de relativa paralisia. Simplesmente me desconectei do trabalho. Como costumo dizer, é como se eu caminhasse na água, com toda a resistência que ela oferece.</p>
<p>Este trabalho dos últimos tempos foi uma chacoalhada violenta.  No entanto, é inegável que estou mais pronta para retomar um certo ritmo em produzir e criar.  Respeitando o luto ainda recente, mas com mais vigor e musculatura que antes.</p>
<p><strong>Limões são lições de humildade</strong></p>
<p>Nos dois casos relatados, tive que aceitar minha impotência. Esta prática é um antídoto para minha constante (e por vezes fatigante) inquietude.  Há vezes em que não há nada a se fazer.  Esta dura certeza de certa forma me convida a me acalmar em outras situações, bem menos extremas.  E fluir com o desenrolar dos fatos.  Seguir trilhas mais naturais, de menor esforço. Alternar subir montanhas com o boiar o rio profundo da vida.</p>
<p><strong>Limões são gatilhos de resiliência e criatividade</strong></p>
<p>O desgaste emocional do projeto mal-sucedido veio junto com uma vontade/necessidade de me reequilibrar.  Quase intuitivamente, vislumbrei práticas para me reenergizar e retomar a caminhada: novos encontros, novas ideias e um resgate de práticas de ancoragem: minhas terapias, cuidados comigo, uma boa mistura de recolhimento e encontros com amigos queridos. Um banho de arte e música.  A aridez da jornada me convidou a buscar bálsamos para prosseguir.</p>
<p>Nietszche dizia e eu repito: &#8220;O que não me mata, me fortalece&#8221;.  Ainda assim, é preciso respeitar o luto dos dias onde sofremos revezes, violência, decepções.</p>
<p>Neste suave diálogo entre agradecer as lições aprendidas e cuidar das feridas, resgato minha sanidade somática, meu centro, minha voz.</p>
<p>A língua volta e meia estala com a acidez do limão.  Acolho.</p>
<p>Outras frutas amadurecem no meu pomar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Bordado</title>
		<link>https://www.vivermaissimples.com/bordado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Dec 2016 22:38:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Resiliência]]></category>
		<category><![CDATA[Ser mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quantos pedaços a costurar. Um olho. Uma perna. Um osso. Um coração. O suave das vísceras. O áspero dos joelhos. Sentir. Agulha e linha. Cerzir. Partes a remendar. Partes por construir. Começo. E nunca termino. Mas a cada ponto, suspiro. A cada ponto, um alívio. A cada ponto, reconheço-me. Redescubro-me. Cubro-me também. A cada ponto, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://www.vivermaissimples.com/bordado/">Bordado</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.vivermaissimples.com">Viver Mais Simples</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quantos pedaços a costurar.</p>
<p>Um olho.</p>
<p>Uma perna.</p>
<p>Um osso.</p>
<p>Um coração.</p>
<p>O suave das vísceras.</p>
<p>O áspero dos joelhos.</p>
<p>Sentir.</p>
<p>Agulha e linha.</p>
<p>Cerzir.</p>
<p>Partes a remendar.</p>
<p>Partes por construir.</p>
<p>Começo.</p>
<p>E nunca termino.</p>
<p>Mas a cada ponto, suspiro.</p>
<p>A cada ponto, um alívio.</p>
<p>A cada ponto, reconheço-me.</p>
<p>Redescubro-me.</p>
<p>Cubro-me também.</p>
<p>A cada ponto, desponto.</p>
<p>Mais eu mesma.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://www.vivermaissimples.com/bordado/">Bordado</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.vivermaissimples.com">Viver Mais Simples</a>.</p>
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