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	<title>Arquivos Caio - Viver Mais Simples</title>
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	<description>Viver Mais Simples</description>
	<lastBuildDate>Fri, 29 Jan 2021 14:58:19 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Entre dois amores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2021 13:46:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[gratidão]]></category>
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		<category><![CDATA[memórias felizes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A amiga sábia me lembra: este dia de hoje, entre dois amores. Coincidência ou não, dia em que amanheço banhada de emoção por terminar o livro de Gilberto Dimenstein narrando seu percurso de câncer e morte. E portanto vida. Percurso que tracei junto a meu pai, Alberto, aniversariante do dia 28. E meu irmão Caio, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A amiga sábia me lembra: este dia de hoje, entre dois amores.<br />
Coincidência ou não, dia em que amanheço banhada de emoção por terminar o <strong><em>livro de Gilberto Dimenstein narrando seu percurso de câncer e morte</em></strong>. E portanto vida.</p>
<p>Percurso que tracei junto a meu pai, Alberto, aniversariante do dia 28. E meu irmão Caio, cujo primeiro aniversário de morte será amanhã, 30 de janeiro.</p>
<p>Na maioria dos dias, estas duas saudades me acompanham silenciosas, velando carinhosamente o meu avanço diário sobre as tarefas e desafios.</p>
<p>Mas neste último mês, percebo-me envolta numa nuvem de tristeza, que me faz andar vagarosa e que me urge recolhimento e autocompaixão.</p>
<p>Sigo lidando com a vida como ela é, tomando providências, firme e prática como boa capricorniana. Mas o preço aparece logo: não tenho a mesma energia incansável, a vitalidade surpreendente. Para cada dia ou semana de trabalho, um longo período de recolhimento e pausa.</p>
<p>Sigo ambiciosa. Conciliando duas Formações intensas, uma em <em><a href="https://www.sbdg.org.br/site/programas/programa-de-formacao-em-desenvolvimento-dos-grupos/">Dinâmica de Grupos</a></em> e outra em, vejam só,<strong><em> Tanatologia e Cuidados Paliativos</em></strong>.</p>
<p>Parece loucura, mas navegar neste ambiente onde a vida (e a morte) são vistas sem pudores e com profundidade é curativo para mim.</p>
<p>Sinto-me impaciente com quase todas as coisas e pessoas. Contenho-me usando o treino de polidez que recebi ao longo dos anos. Mas não estranhem se estou mais calada ou distante.<br />
A carne anda viva e qualquer toque, por mais sutil, ressoa como ferida.</p>
<p>Surpreendo-me com a força e fragilidade que emergem da mesma fonte.</p>
<p>Por um lado, sinto-me mais pronta, menos ingênua. Do outro, sinto a energia escoar entre as pernas, sinto o coração machucado atemorizar-se diante das novas dores.</p>
<p>Não tenho nem palavras para descrever o vazio deixado pela partida de meu pai e meu irmão. É como se o mundo tivesse menos pessoas que me conheçam e me perdoem por tudo o que sabem da minha imperfeição.</p>
<p>A saudade se mistura como uma solidão imensa. São muitos os confortos que mitigam estes sentimentos: a espiritualidade, os abraços, os estudos, as amizades e amores vivos.</p>
<p>Ainda assim. Hoje todos os ossos e nervos doem. Latejam as conversas perdidas, os sorrisos, os olhares.</p>
<p>Hoje tudo o que eu sei sucumbe a tudo o que eu sinto. Nada a fazer. Respeitar as lágrimas, abraçar-me.<br />
Saber que amanhã é outro dia e depois mais outro.</p>
<p>Alguns, serão bons. Outros, não.</p>
<p>Escrevo para mim mesma, para que, ao ouvir-me, saiba que estou acompanhada por mim. E que me compreendo e aceito minha inconformidade com a Morte, em perfeita convivência com a inexorável certeza de que a Morte é inexorável.</p>
<p>Sou mãe de mim mesma. Irmã de mim mesma. E assim, aconchegada, ecoam dentro do meu corpo tudo que é meu pai e meu irmão.</p>
<p>Estamos separados por um véu. Hoje mais espesso. Amanhã, não sabemos.</p>
<p>Hoje é um dia entre amores.<br />
Viver este dia de olhos abertos, meu presente para nós três.</p>
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		<title>Dez Anos de Empreender</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2020 23:09:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Caio]]></category>
		<category><![CDATA[empreender]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[kanban]]></category>
		<category><![CDATA[organização de ideias]]></category>
		<category><![CDATA[viver mais simples]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há dez anos eu abria minha própria empresa.  Muita coisa aconteceu na minha vida e na minha carreira desde então. Esta é uma jornada de apreciação desta grande aventura que caminha paralela ao Viver Mais Simples. A jornada de construir o meu trabalho autoral, com coragem e a colaboração de muita gente boa. Este é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<hr />
<p><a href="http://www.vivermaissimples.com/nasceu-a-nutshell/"><em><strong>Há dez anos eu abria mi</strong></em><em><strong>nha própria empresa</strong></em>.</a>  Muita coisa aconteceu na minha vida e na minha carreira desde então. Esta é uma jornada de apreciação desta grande aventura que caminha paralela ao <em><strong>Viver Mais Simples</strong></em>. A jornada de construir o meu trabalho autoral, com coragem e a colaboração de muita gente boa. Este é um texto sobre gratidão, ousadia, alegria e avançar com medo e tudo. Sobre inovar, errar, refazer e prosseguir.  Tudo misturado.</p>
<p><strong>Os primeiros anos. Os primeiros erros&#8230;</strong></p>
<p>A Nutshell Estratégia Consultoria nasceu no dia 26 de maio de 2010, por conta de um projeto que nunca veio a acontecer. Antecipando a necessidade de uma nota fiscal, abri meu CNPJ com o Lucrécio ( meu então marido), como sócio.  Uma conhecida dos tempos de pesquisa havia me pedido uma proposta e nunca me respondeu, tamanha a falta de noção do escopo e valores propostos por mim&#8230;</p>
<p>Este não foi o único erro do começo: meu primeiro projeto acabou sendo uma uma permuta com a Carpa Design da querida amiga Tati Menegatti.  Eles fizeram a minha primeira marca: uma árvore representando o meu propósito da época &#8220;ajudar os outros a frutificar, sendo felizes&#8221;.   Ainda me achando executiva, encomendei 300 pen drives em madeira e 100 relógios com post its, pensando em promover minha marca. Eu não tinha nenhum outro cliente, nem site, nem muita clareza do que faria a seguir.  As onze caixas e um saldo negativo desnecessário foram minha primeira lição como empreendedora.</p>
<p>Com o tempo, distribuí os pen drives e relógios. E atingi o esperado &#8220;<em>breakeven</em>&#8221; da Nutshell. Ou seja, finalmente começou a entrar mais do que sair. Mas foram alguns meses que poderiam ter sido evitados, caso eu soubesse um pouco mais sobre empreender e eventualmente aprendesse a <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/para-nao-esquecer/">começar menor para ir aumentando no ritmo dos sucessos</a></em></strong>. Com muitas recaídas, claro, que sempre fui de me empolgar&#8230;</p>
<p><strong>As primeiras parcerias</strong></p>
<p>Os primeiros anos foram de muito aprendizado por tentativa e erro:  alguns poucos clientes de <a href="http://www.vivermaissimples.com/o-que-e-organizacao-de-ideias/"><b><i>Organização de Ideias</i></b></a> e os primeiros workshops em parceria.   Eu estava um pouco mais informada, após ter feito um curso de Empreendedorismo no nascente Rio Criativo. Lá reencontrei Guilherme Velho, que viria a ser fundamental na minha trajetória. E as amigas Samara e Thaís Teixeira, com quem teria <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/sentir-se-dentro-da-pele/">muitas outras aventuras</a></em></strong>.  Em maio de 2011,<em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/sonhando-junto/"> fundava o Odisseia</a></strong></em> com a comadre e amiga Érica Cavour. Uma terapeuta e uma organizadora de ideias a serviço da satisfação pessoal e profissional. Estreamos com uma palestra histórica no saudoso Bees Office, do amigo <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/um-um-muitos/">Cadú de Castro Alves</a></em></strong>, que eu tinha conhecido ao pesquisar sobre o mercado então incipiente de espaços de Coworking.  Foram 40 participantes, registrados pela então cliente Simxer. Tivemos a presença de minha mãe Patricia e do pai de Érica, o saudoso tio Márcio. Várias das pessoas ali fariam história como amigos e clientes (o que muitas vezes acontece comigo). Após a palestra, formamos a primeira turma Odisseia (faríamos muita outras até o fim do projeto, em 2018).  No final de 2011, nasce o Onionvation com <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/escolha-a-sua-crise/">Gian Taralli</a></strong></em>, colega dos tempos de Johnson &amp; Johnson: aqui a proposta era &#8220;descascar a cebola&#8221;, ou seja, retirar camadas de conformismo e máscaras que interrompiam o fluxo de criatividade. O Onionvation foi o primeiro de muitos projetos junto com Gian, numa dobradinha que sempre combinou autoconhecimento e gestão de mudança.</p>
<p>No final de 2012, foi a vez de me juntar a <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/com-acucar-com-afeto/">Beth Veiga</a></em></strong>, colega dos tempos de Souza Cruz, para fazer um plano de negócio de um espaço de eventos multiuso. O projeto era ambicioso demais e uma consultoria com o Daniel Pereira revelou a fragilidade e risco que corríamos. Com base em conceitos de <strong><em><a href="https://www.amazon.com.br/startup-enxuta-Eric-Ries-ebook/dp/B07Z46K4KQ/ref=asc_df_B07Z46K4KQ/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379749483976&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=17705673711611540472&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=1001655&amp;hvtargid=pla-848473797984&amp;psc=1">Start Up</a> Enxuta</em></strong> e de <strong><em><a href="https://www.sebraepr.com.br/como-estruturar-seu-modelo-de-negocio/">Business Canvas</a></em></strong>, Beth e eu radicalizamos: decidimos lançar um negócio com custo mínimo, quase que totalmente variável. Assim nasceu o Comida para Viagem, delivery artesanal com muito charme e sabor. Chegamos a expandir para eventos até eu decidir focar na Organização de Ideias e Workshops. Beth fez muitos coffee breaks deliciosos para eventos do Odisseia, anos depois.  Outras parcerias importantes foram nas Oficinas e Cafés Viver Mais Simples com parceiros ilustres como <a href="http://www.vivermaissimples.com/nos-e-o-outro/"><em><strong>Lucrécia Corbella</strong></em></a>, <a href="http://www.vivermaissimples.com/olhar-diferente/"><em><strong>Simxer</strong></em></a>, <a href="http://www.vivermaissimples.com/viver-mais-simples-ao-vivo/"><em><strong>Álvaro Esteves</strong></em></a>, Samara Martins, Ana Vine&#8230;. Nos workshops  Play &amp; Plug com a amiga dos tempos de trainee Marcia Penna.  Nas Rodas de Conversa com Maurício Luz e Carol Wosiack. E mais recentemente, numa parceria com Adriana Pires e Clarissa Biolchini.<span id="more-7092"></span></p>
<p><strong>Um endereço próprio</strong></p>
<p>Em 2014, eu estava atendendo empreendedores do <strong><em><a href="http://riocriativo.com/incubadora/">Rio Criativo</a></em></strong>. De aluna havia me tornado consultora de startups. Ás vezes, eu atendia em cafés ou espaços públicos. Até o dia em que fiz uma pergunta mais funda e uma das minhas clientes começou a chorar muito em pleno café do Museu da República. Um vizinho ao lado tentou ajudar e o constrangimento foi geral. Ali decidi que precisava de um espaço para oferecer mais privacidade a meus clientes.</p>
<p>Indicada por minha tia Gigi, esbarrei na Millerbaum, de Roberta Miller. E subloquei um charmoso escritório na 13 de Maio. Até que a proprietária ameaçou um aumento e eu pedi um apoio ao meu pai. Ele me surpreendeu, patrocinando a sala comercial que é o endereço oficial da empresa hoje. Este gesto  foi muito especial para mim. Afinal eu sabia o quanto custava para o engenheiro da Petrobrás apostar num sonho tão diferente do seu. Uma prova de confiança que me nutre até hoje, anos depois de sua morte.</p>
<p><strong>Mudança de sócio</strong></p>
<p>Em 2014, eu já havia começado uma nova aventura com meu irmão Caio Carneiro. A Argo surgiu do encontro de nossa paixão comum por empreendedorismo, estratégia e identidade. Ele, designer. Eu, coach, agora mais experiente depois de fazer 18 meses de formação no EcoSocial. A nova sociedade frutificou em dois anos de trabalho com o SEBRAETEC e pessoas físicas. Fizemos posicionamentos pessoais e identidade visual para negócios diversos, da cachaça Sete Engenhos á construção civil.  Foi uma época de muita efervescência e muitas notas fiscais emitidas. Eu e Caio nos encontrávamos toda semana e foi uma forma muito feliz de celebrar nosso amor de irmãos. A Argo durou até que os trabalhos do SEBRAETEC escasseassem e mais uma vez eu ouvisse o meu chamado principal, que era Desenvolvimento Humano. A Argo foi então encerrada, mas a parceria com Caio seguiu de outras formas e ele continuou como meu sócio por alguns anos ainda.</p>
<p><strong>A volta ao mundo corporativo</strong></p>
<p>Desde o Rio Criativo, eu vinha ensaiando um retorno ao mundo das grandes organizações. Nesta época, o Odisseia estava bem fortalecido e tínhamos vários clientes executivos, em busca de clareza sobre sua trajetória profissional e próximos passos. Michel Gomberg tinha sido cliente de Érica e decidiu fazer o Workshop Odisseia. Seguimos juntos com um trabalho de coaching e ele nos convidou para experimentar o modelo Odisseia na Coca-Cola, em 2013. Foi o início de uma parceria muito rica que rendeu cerca de vinte workshops. Foi um trabalho na Coca-Cola que também selou o final do Odisseia, no fim de 2018. Mas a colaboração com Michel não parou. No Congresso Mundial de Psicologia Positiva em Melbourne, apresentamos um poster inspirado num workshop sobre Gratidão que havíamos feito anos antes. No início deste ano, eu e Michel estreamos uma parceria na mesma Coca-Cola, só que em Bogotá. Há anos Michel deixou a vida de executivo, fez seu mestrado em Psicologia Positiva na Austrália e é um coach e consultor de muito talento.</p>
<p>Já fiz muitos workshops corporativos desde então, e, além de Organização e (Re)Orientação de Carreira, hoje trabalho fortemente com as famosas <em><strong><a href="https://joshbersin.com/2019/10/lets-stop-talking-about-soft-skills-theyre-power-skills/">Power Skills</a></strong></em>, as competências atitudinais e comportamentais que tornam as relações interpessoais mais ricas e o trabalho mais proveitoso.  Foram muitas outras aventuras em parcerias diversas, ora com Érica, ora com Gian, ora com Michel. E também solo, que com o tempo fui encontrando um ritmo e um jeito de lidar com a avalanche de emoções e desafios de uma grande organização, mesmo quando estou sozinha.</p>
<p><strong>O Voe&#8230;</strong></p>
<p>Eu já tinha experimentado projetos mais pessoais na curta e intensa experiência do <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/plantamos-a-semente/">Coletivo Baobá</a></strong></em>, uma ação social que fiz durante quatro meses junto á Comunidade do Vidigal. O <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/afinal-o-que-e-o-voe/">Voe </a></em></strong>foi um novo movimento neste sentido. O sonho de fazer um coletivo voltado para o florescer da autenticidade. Aqui, meu propósito era &#8220;Despertar com palavras o florescer do outro&#8221;, já refinado após os meses de estudo do coaching antroposófico.  O Voe foi um experimento ousado. Começou com miniworkshops em vários lugares e desaguou num evento de um dia, um verdadeiro festival. Com 20 impulsionadores, a maioria vindo do Rio em caravana para se hospedar numa casa alugada, o Voe foi o meu projeto mais transformador. Na época, não dei conta da intensidade envolvida e do modelo não sustentável. Ainda fiz um experimento na Laje, com o Inove-se, mas finalmente pus o Voe em modo &#8220;soneca&#8221;&#8230;</p>
<p><strong>Educação: uma nova experiência</strong></p>
<p>Eu já atuava como facilitadora há tempos pelo Odisseia, Onionvation e outros experimentos quando, um pouco antes do Voe, conheci Patricia Cotton. Ela tornou-se minha cliente, impulsionadora Voe e amiga. Um dia me indicou para aplicar uma de suas aulas na Affero Lab, negócio especialista em Educação Corporativa. De lá para cá, a parceria com a Affero se consolidou e me trouxe novos saberes sobre Andragogia e Facilitação, além de um gosto renovado por estudos.  A Affero também foi responsável por um convite que mudou minha trajetória&#8230; Eles me propuseram montar um programa sobre Inclusão e Diversidade, ancorados na minha experiência pessoal de estudante de Comunicação Não Violenta com o mestre <em><strong><a href="https://comunicacaoreparativa.com.br/sergio-harari/">Sergio Harari </a></strong></em>e na experiência pessoal de ser esposa de um homem negro. O convite abriu uma janela inesperada e despertou uma verdadeira paixão. Assim se delineavam com mais clareza os atuais quatro pilares de meu trabalho:</p>
<h4>Organização de Ideias +  (Re)Orientação Profissional +  Inteligência Emocional  + Inclusão e Diversidade</h4>
<p>Em 2018, fui convidada pelo Gustavo Caldas Britto para montar o Escafandro, um curso sobre Resiliência e Inteligência Emocional para a <em><strong><a href="https://www.linkedin.com/company/escoladerebeldia">Escola de Rebeldia</a></strong></em>, da Reserva.  Aqui se consolidou minha paixão por trabalhar temas como Vulnerabilidade, Coragem, Empatia e tantos outras habilidades necessárias para humanizar as relações.</p>
<p><strong>Revoluções por minuto</strong></p>
<p>A trajetória do meu empreender não teve nada de linear ou de previsível.  No começo, eu navegava mais tranquila com a reserva dos tempos de empresa. Mais logo comecei a alternar ondas de insegurança com euforia. A decisão de não ter carteira assinada levou tempo para se assentar em mim. Ainda hoje bate um medo, de vez em quando. Mas nada se comparou a conciliar meu trabalho sempre em movimento com uma série de perdas pessoais. Em 2016, eu finalizava a Argo e também meu casamento de mais de vinte anos com meu primeiro sócio. Ainda me recuperando das fortes emoções do Voe, vivendo o início da recessão que só se agravou, eu precisei me reinventar como CPF e CNPJ. <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/prateando/">Em 2017, meu pai morreu</a></strong></em>. Eram tempos difíceis, de pouco trabalho. Na vida pessoal, eu me reencontrava com o amor, construindo um novo relacionamento com meu atual marido, Lennom.</p>
<p>No final de 2018, as coisas começavam a caminhar, mais projetos com a Affero, outras possibilidades se desenhando. Foi quando descobri que meu irmão Caio, meu sócio e parceiro de Argo e Voe, tinha câncer.</p>
<p>Os últimos dois anos foram os mais sóbrios de minha trajetória. Um foco quase que exclusivo no mundo corporativo, uma longa viagem de autoconhecimento á Austrália, incluindo o Congresso de Psicologia Positiva e a decisão de me recasar. A retomada de estudos na <strong><em><a href="http://www.sbdg.org.br/web/">Sociedade Brasileira de Dinâmicas de Grupo (SBDG)</a></em></strong>. Muito trabalho, uma casa nova e a espera cotidiana por notícias de melhoras do Caio. Mas a melhora nunca veio e em janeiro tomei a decisão mais difícil em todos estes anos de empresa. Mudar de sócio novamente.</p>
<p><strong>Vida Morte Vida</strong></p>
<p>A piora gradativa do Caio coincidiu com o surgimento de uma nova figura jurídica: a Sociedade Unipessoal. Uma forma de eu manter meu CNPJ sem nenhum sócio.  Foi um processo difícil e necessário. Caio foi gentil, como sempre. Disse-me que eu estava simplificando a vida dele. Assinamos a dissolução da sociedade em 15 de janeiro. Nasceu Leticia Carneiro Desenvolvimento Humano. No dia 30, <em><strong><a href="http://www.vivermaissimples.com/cada-dia-ao-seu-lado/">me despedi do meu irmão</a></strong></em>.</p>
<p>O mês era março de 2020. Vinha de projetos, propostas e muitas viagens, incluindo quatro workshops lindos sobre vulnerabilidade em Bogotá, para o time da Coca-Cola liderado pelo querido Rafael Prandini.  Sinto-me ansiosa, exausta e triste. O trabalho é um corrimão para a dor indizível de perder meu irmão caçula.</p>
<p>E então, paramos. O Covid-19 subitamente cancelou projetos, interrompeu o trabalho no escritório da Cinelândia. <strong><em><a href="http://www.vivermaissimples.com/sobre-o-que-me-faz-feliz-e-tambem-saudade/">Parei de viajar e respirei.</a></em></strong></p>
<p>Dois meses depois, mudei oficialmente meu escritório para o quarto de empregada. Daqui trabalho em poucos e potentes projetos de forte cunho social. Quatorze planos de vida para pessoas atingidas pelo desastre em Mariana. Mediação e costura na construção de uma política de Enfrentamento ao Assédio e Discriminação para uma Fundação.  Dois workshops para humanizar o processo de demissão de 20% do quadro de uma grande agência de publicidade. Clientes em busca de um caminho profissional em tempos incertos.</p>
<p>Trabalho menos, sem sair de casa, usando novos recursos. A formação da SBDG segue em suspenso, após alguns encontros on-line. Para minha surpresa, tenho o melhor fluxo de caixa dos últimos anos (e as menores despesas também). Claro que nem tudo são rosas. O desafio de uma nova rotina afeta o sono e a sanidade. Ás vezes, preciso desmarcar sessões para poder me cuidar. Mas o tempo em casa me ajudou a cuidar das feridas da saudade. Abriu meus olhos para o quão longe eu estava do Viver Mais Simples.  Despertou um desejo de estudar, aprender, reinventar-me.</p>
<p>Olhando no retrovisor, contemplo com gratidão e orgulho cada etapa desta jornada, que compartilho com vocês aqui. Do primeiro sócio Lucrécio, ao último, Caio. Meu pai e Marília, patrocinadores da sala comercial hoje fechada. Lennom, companheiro de pandemia que me ajuda a empreender do quarto dos fundos. Érica, companheira do Odisseia, projeto formador de mim mesma. Gian, Cadú, Samara, Lucrécia, Guilherme Velho, Daniel, Simxer, Guilherme Azevedo, Marcia, Beth.  Clarissa, que fez o primeiro caderno Odisseia. Álvaro, Daniela, Ana, Patty, Maurício, Pamela, Ana, Lívian, Fernando, Júlio, Paula, Juliana, Diego, Raquel e Bettina. Clarissa e Julia. Cada parceiro na Affero (especialmente Adriana, Aline, Eugênio e, agora, Patricia). Michel e tod@s na Coca. Luciana, Carol, Gustavo, Gui, Fernando e tod@s da Reserva.  Adriana Pires. Sérgio Harari. Marcão e Versteeg. Toda a turma do Instituto Criare e da Renova. Tod@s clientes de Organização de Ideias, de Odisseia, de Onionvation, de eventos no Impact Hub, Baukurs, Anitcha, Laje.   Tod@s voadores e voadoras.  Luciano, Meiri e tod@s  do EcoSocial. E agora, a turma da SBDG.</p>
<p>Sei que vou esquecer alguém, desde já me perdoe. São dez anos de amizade, parceria, amor, travessia e travessuras. Muito amor envolvido.</p>
<p><strong>O que vem por aí&#8230;</strong></p>
<p>São tempos de gestação. Leticia Carneiro Desenvolvimento Humano tem missões muito claras: Ajudar pessoas a alcançarem sua potência (Torna-te quem tu és).  Contribuir para processo de humanização das organizações.</p>
<p>Após dez anos de experimentação e aguçar meu foco, estes são meus sonhos de bom tamanho:</p>
<ul>
<li>Seguir humanizando relações por meio de parcerias com a Affero e o mundo corporativo.</li>
<li>Aprofundar meus conhecimentos e prática por meio da Formação na SBDG e estudos sobre Facilitação On-Line com a <em><strong><a href="https://www.aprendix.global/pt/">Aprendix Global</a></strong></em>.</li>
<li>Seguir com projetos de (re)orientação de carreira, organização de ideias, inteligência emocional e Inclusão e Diversidade.</li>
<li>E quando pudermos sair de casa: fazer o mestrado em Psicologia Positiva da Penn University.</li>
</ul>
<p>As duas maiores novidades são os dois projetos que estou gestando no momento: o renascer do Voe, no formato on-line, em parceria com Álvaro Esteves. E colaborar com o projeto Todas Group de fortalecimento de profissionais mulheres. Em breve, notícias sobre estes dois caminhos.</p>
<p>Daqui do fundo de casa, para o mundo. Com calma, passo a passo, de máscara (por enquanto).</p>
<p>Dez anos se passaram. Que venham mais dez.</p>
<p>O post <a href="https://www.vivermaissimples.com/dez-anos-de-empreender/">Dez Anos de Empreender</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.vivermaissimples.com">Viver Mais Simples</a>.</p>
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		<title>O tempo é bom</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2020 19:39:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leonardo, hoje você faz quinze anos. 2020 tem sido um ano bem único. Neste seu aniversário, te ofereço um presente bem meu. O olhar apreciativo sobre o que aperta e amassa nosso coração na esperança que seja cura de mãe para filho (ou seja, amor). Estamos em resguardo há mais de dois meses. Sei o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leonardo, hoje você faz quinze anos.<br />
2020 tem sido um ano bem único.<br />
Neste seu aniversário, te ofereço um presente bem meu. O olhar apreciativo sobre o que aperta e amassa nosso coração na esperança que seja cura de mãe para filho (ou seja, amor).</p>
<p>Estamos em resguardo há mais de dois meses. Sei o quanto te custa, meu geminiano de pés voadores e braços longos. Sei que a saudade dos amigos é grande, a vontade de ir para longe da barra da minha saia&#8230; Para ser autêntico, livre e leve, todas estas coisas que você busca e faz tão bem.<br />
Este resguardo é um bem que fazemos ao mundo, meu filho. Quando ficamos em casa, cuidamos de suas avós e seu avô. E dos avôs e avós de outras pessoas. Honramos o trabalho duro de profissionais da saúde, da limpeza, de pessoas que mantém os serviços mais essenciais. Damos uma lição sobre democracia e liberdade, que jamais devem estar contra o bem estar comum e devem se alicerçar na Arte e na Ciência para que haja beleza e evolução da Humanidade.</p>
<p>A vida não é justa, eu sei. Em janeiro você se despediu do tio Caio. Tão jovens. Ele e você.<br />
Apenas quinze anos e já se despediu também do avô e da bisavó. É duro.<br />
E por a vida não ser justa, é tão importante ter no mundo pessoas como você, coração de leão. Quando fazemos o bem, transformamos fel em mirra (fel é algo bem amargo e mirra é uma erva que purifica).<br />
Fazemos isso quando somos bons amigos de nossos amigos e quando respeitamos e cuidamos das pessoas, inclusive nossa irmã mais nova que nos tira do sério. Quando o fazemos, o mundo fica melhor e portanto a injustiça dói menos. Mas dói.<br />
E aí, é importante sempre cuidar da gente e de nossos sentimentos.<br />
Se estamos como raiva, olhar bem no olho da raiva e perguntar: por que você está aqui? O que preciso fazer para te aplacar?<br />
Se estamos tristes, olhar no coração da tristeza e falar:  tudo bem você estar aqui. Eu estou aqui também.   Tenho espaço para você dentro de mim.<br />
Se estamos felizes, prestar atenção no que nos faz felizes, para sempre cuidar do fogo que alimenta esta alegria como o mais precioso tesouro.<br />
Eu faço o meu melhor para ser uma boa mãe. Comecei escolhendo um bom pai para você e me deixando ser escolhida por ele também. Faço comidas gostosas, dou as broncas necessárias e, muita vezes, as desnecessárias. Aí eu tento olhar para a minha imperfeição como mãe para me melhorar, sim. Mas sobretudo para te contar como a gente é imperfeita mesma e é impossível impedir um tropeço ou outro. Porém é possível tentar ser melhor, pedir perdão e dar risada de si mesma.<br />
15 anos e vejo você buscar suas asas, construir a pessoa que você é. Espero sempre te dar espaço para isso, mas mesmo quando parecer apertado, eu sei que você tem a potência para sair e descobrir o mundo. Eu lembro bem do dia em que você nasceu e foi assim mesmo.<br />
Eu queria te ensinar tudo que eu sei e não sei, eu queria te proteger de todo o mal, eu queria que a sua vida fosse mais linda do que a melhor história do mundo.<br />
Mas meus superpoderes de mãe, são limitados. Então eu te ofereço meu colo, minha humildade, minha experiência, minha crepioca de manhã, as partidas de buraco. E sei que de vez em quando escapa um grito, então eu te ofereço minha vulnerabilidade e consciência de que por mais que eu busque acertar, erro feio e com frequência.<br />
Pode faltar tudo, mas amor por você nunca. Porque eu não posso te prometer um monte de coisas e você agora já sabe que a vida é incerta e tudo pode virar de cabeça para baixo. E você ter que usar máscara ainda por cima. De cabeça para baixo e tudo.<br />
Mas amor sempre, grande e fundo, isso posso te prometer.<br />
Quando sua irmã estava para chegar, eu li e reli o livrinho que dizia que meu amor não era como bolo, que a gente parte em pedaços e um dia acaba.<br />
Meu amor se multiplica.<br />
A cada dia que vejo você esticar mais um centímetro e a voz engrossar mais um tom. A cada dia em que você sorri, chora ou fica bravo. A cada dia.Todo dia.<br />
Hoje vai ter bolo fondant da Táta, brigadeiro, beijo e abraço.<br />
A vida é assim. Brindamos com o que temos para hoje.<br />
Sou grata por ter você. Este milagre que saiu da minha barriga e hoje quase não cabe no colchão. Mas que sempre será meu primeiro filho, minha maior estreia, um bem que eu trouxe para o mundo.<br />
A vida pode ser injusta muitas vezes. Mas nem me importo. Numa vida onde há você, vale muito a pena viver.<br />
E eu vivo assim, incansavelmente tentando deixar este mesmo mundo um pouco melhor para você.(e sua irmã, sem ciúmes, ok?).</p>
<p>Te amo, Léo.<br />
Feliz Aniversário.</p>
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		<title>Nada maior do que o agora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Feb 2020 12:51:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Caio]]></category>
		<category><![CDATA[gratidão]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>não há não há dor saudade gratidão amor MAIOR do que o que sinto agora Reaprendo a andar, a viver, a ter esperança Cambaleando tanto quanto você há uns 30 anos Memórias revelam-se num fluxo interminável Acalmando e aguçando as pontadas em meu coração Tudo faz sentido E nada faz Vivo entre Quentes e frios [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>não há<br />
não há</p>
<p>dor<br />
saudade<br />
gratidão<br />
amor<br />
			MAIOR</p>
<p>do que o que sinto agora</p>
<p>Reaprendo a andar, a viver, a ter esperança<br />
Cambaleando tanto quanto você há uns 30 anos<br />
Memórias revelam-se num fluxo interminável<br />
Acalmando e aguçando as pontadas em meu coração</p>
<p>Tudo faz sentido<br />
E nada faz</p>
<p>Vivo entre<br />
Quentes e frios<br />
Secos e molhados<br />
Duros e Macios</p>
<p>Sua partida me abriu mil portais para dentro e para fora<br />
Por vezes me perco neste caleidoscópio<br />
de sentimentos e aprendizados<br />
Seu sorriso me traz de volta<br />
Sempre<br />
Bússola eterna estampada em meu coração</p>
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		<title>Cada dia ao seu lado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Feb 2020 16:28:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Caio]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sábado, oito de fevereiro de 2020. Seus amigos se jogam no mar, seguindo suas cinzas recém-espalhadas. Sinto a vida pulsando neles e você está vivo novamente. Domingo, 26 de março de 1989. Nosso pai me acorda às seis horas da manhã para avisar que está levando sua mãe para o hospital. Te espero ao som [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado, oito de fevereiro de 2020.<br />
Seus amigos se jogam no mar, seguindo suas cinzas recém-espalhadas. Sinto a vida pulsando neles e você está vivo novamente.</p>
<p>Domingo, 26 de março de 1989. Nosso pai me acorda às seis horas da manhã para avisar que está levando sua mãe para o hospital. Te espero ao som de Pink Floyd, cheia de expectativa e ansiedade por sua chegada.</p>
<p>Entre estes dois dias, você foi uma das partes mais doces de minha vida. Sua presença acordava a vida em mim. Estar com você sempre foi um convite para viver a vida de forma inteira, com todas as cores e emoções.</p>
<p>Como naquele seu último sorriso para mim.<br />
Na conversa generosa onde você disse que deixar de ser meu sócio simplificaria para você, mitigando minha culpa em cuidar deste tipo de coisa enquanto você lutava por sua vida.<br />
Acolhendo de braços abertos o namorado novo, hoje marido.<br />
Preocupado em cuidar de sua mãe, quando papai morreu.<br />
Nas reuniões de trabalho da Argo, nas visitas ao clientes, sonhando junto comigo no escritório da Álvaro Alvim.<br />
Participando do Voe, entre tantas outras maluquices que eu inventava.<br />
Ouvindo meus &#8220;briefings&#8221; para todas as muitas marcas, Odisseia, Viver Mais Simples, Voe, acreditando nelas comigo.<br />
Na sua formatura, ao som de Maluco Beleza.<br />
Naquela conversa difícil onde falei do meu medo de você se machucar, depois de você ter vomitado na pia da cozinha por conta de uma bebedeira.<br />
Dançando desajeitado, vestido de boneca nos bailes de carnaval.<br />
A cada show do the Sheeps, arrasando na bateria.<br />
Na Inglaterra, fazendo piada do meu acento britânico &#8220;você está falando com um ovo na boca&#8221;.<br />
Naquela vez em que você acertou a cesta do meio da quadra, no último segundo de jogo.<br />
Na nossa viagem para a Disney, logo antes da primeira montanha-russa.<br />
Dizendo que topava ser pajem no meu casamento, se pudesse ir vestido que nem o James Bond.<br />
Naquela vez em que te levei ao zoológico, caminhando da Tijuca a São Cristovão, ida e volta. Sua mãe se espantou na velocidade com que dormiu ao retornar.<br />
Quando se espremeu no sofá entre eu e o namorado que seria pai de meus filhos, com ciúmes de irmão.<br />
Quando você olhou para um outro namorado da juventude e disse &#8220;Larga ela que eu sou o pai dela&#8221;.<br />
Quando, aos dois anos, você virou para mim e disse &#8220;já posso ir?&#8221;, virou as costas e entrou confiante na primeira sala de aula.<br />
Quando saí de casa e você, aos mesmos dois anos, me pediu para eu vir sempre brincar contigo.<br />
Nas inúmeras vezes que te ninei cantando &#8220;Hush now baby, baby don´t you cry&#8221;&#8230;<br />
Na primeira vez que te segurei e meu coração pulou do peito e as lágrimas rolaram ao ponto da tia brincar: &#8220;o caçula não dá trabalho, já a mais velha&#8230;&#8221;.</p>
<p>Você está tatuado na minha alma, no meu coração, na minha vida.<br />
Eu ainda não sei quando vou parar de chorar. Nem sei quando vou me acostumar a não esbarrar com seu sorriso e o indefectível &#8220;E aí, Lê?&#8221;.<br />
Eu não sei como vai ser. Eu não posso imaginar minha vida sem você.<br />
Só consigo ir a um passo por vez, para atravessar o que já é a maior dor de todas que já senti.<br />
Você é uma de minhas pessoas preferidas.<br />
Você é o melhor de nós.<br />
Você é um presente inesperado que me faz ser uma pessoa melhor.<br />
Eu sei que o tempo cura. Eu acredito que você está num lugar lindo.<br />
Mas nada disso me consola agora.<br />
Vou ver pela décima vez seus amigos entrando na água para se despedir de você.<br />
Meus pés estavam molhados do mesmo mar. Meu rosto molhado das mesmas lágrimas.<br />
Você segue infinito como minha dor e minha saudade.<br />
Eu te amo tanto, Caio.</p>
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		<title>Nosso tempo é hoje. Nosso tempo é sempre.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Carneiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Feb 2020 15:19:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Caio]]></category>
		<category><![CDATA[luto]]></category>
		<category><![CDATA[Saudade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje faz uma semana que você partiu na sua grande viagem. Eu estava por perto, confiando que a jornada será boa, rumo a um horizonte de paz bem dourada. De lá para cá, a vida volta aos trilhos devagar. Tão devagar que volta e meia esqueço que você não está mais aqui. Às vezes até [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje faz uma semana que você partiu na sua grande viagem.</p>
<p>Eu estava por perto, confiando que a jornada será boa, rumo a um horizonte de paz bem dourada.</p>
<p>De lá para cá, a vida volta aos trilhos devagar. Tão devagar que volta e meia esqueço que você não está mais aqui. Às vezes até parece que eu vou esbarrar com você e seu indefectível &#8220;E aí, Lê?&#8221;.</p>
<p>Às vezes parece que eu nunca vou chegar no final deste poço de lágrimas de saudades. Saudade que pela primeira vez não jorrou num fluxo contínuo, mas tem sido como a chuva intermitente deste início de fevereiro.</p>
<p>Lá atrás, nas intenções do ano, eu escrevi: &#8220;Passar mais tempo com Caio&#8221;.  Agora, aprendo que passei o tempo possível e foi o que era para ser. Suficiente e ao mesmo tempo, não. Nunca.</p>
<p>Ainda me lembro de sua voz e torço para haver algum áudio seu por aí, porque sei que a voz é algo que o tempo apaga.  Mas a única coisa talvez.</p>
<p>Você está mais vívido do que nunca. Eu vejo seu sorriso a toda hora, suas mãos longas e desajeitadas que criaram tanta beleza. Eu recordo o gosto com que comeu o último alfajor. O sorriso na pele esquálida, na última vez que nos vimos.</p>
<p>Eu testemunho os muitos milagres de amor e doçura que se multiplicam entre nós, que ficamos do lado de cá.</p>
<p>Eu rio desajeitada do tempo que perdi elocubrando preocupações e expectativas que se tornaram cinzas junto com você.</p>
<p>Prometo-me um compromisso com o presente e o agora. Pois o futuro é tão incerto e construído de momentos bem-vividos no hoje.</p>
<p>Eu celebro sua vida ao esbarrar com você por aí. Nas nossas marcas, nas fotografias, nas mensagens carinhosas de seus amigos, na visão do pátio da escola onde fiz sua adaptação, há 28 anos.</p>
<p>Eu sinto sua falta, eu me culpo e em seguida me perdoo. Foi tudo muito bom, mesmo o que foi difícil.</p>
<p>E o que foi difícil, agora não importa tanto.</p>
<p>Eu tento escutar meu coração e ser fiel a mim mesma, porque é algo que nos une. Para sempre.</p>
<p>Tudo nosso agora é para sempre.</p>
<p>Não há mais &#8220;se&#8221; ou &#8220;talvez&#8221;. Apenas infinito.</p>
<p>Infinito amor. Infinita saudade. Infinita gratidão por ter te conhecido.</p>
<p>Nosso tempo é agora. E nosso tempo, agora, é para sempre.</p>
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